Hamburgueria paulistana faz piada com violência contra mulher em publicidade

Foto: Reprodução/Youtube

A hamburgueria Underdog, de São Paulo, usou as redes sociais para criar uma peça publicitária em que uma mulher é agredida pelo patrão.

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Na peça criada pelo restaurante, um cliente reclama de um hambúrguer salgado e o dono do estabelecimento leva o lanche de volta para a cozinha. Lo local ele confronta a chef da casa, Carol Carvalho, sobre o erro e dá um tapa na funcionária. Na imagem Raquel cai. O vídeo continua com ela preparando outro sanduíche com um olho roxo e ele falando ao fundo: ‘Pouco sal’.

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Publicado, o vídeo viralizou e por conta de denúncias foi retirado do ar pelo Instagram cerca de 15 minutos depois. Um outro post foi feito pelo estabelecimento com uma taboa dizendo: “Decepcionando a muitos e agradando a poucos desde 2014”. Nos comentários, internautas rechaçaram a ação. “Não sei quem é pior, o dono que acha que tá certo, as pessoas que estão defendendo ou as MULHERES que acham exagero. O machismo está implantado na nossa sociedade nessas brincadeiras aí..”, disse uma mulher. Outra comentou: “Se vocês tem que fazer um vídeo pra explicar outro vídeo é por que provavelmente ele foi mal feito. A ideia é muito ruim. Seria mais digno assumir o erro e pronto, mas ai joga a culpa em quem assistiu o vídeo e achou ruim!? Como marqueteiros vocês são ótimos cozinheiros...”. Outra mulher levantou outra questão: “Além de fazer apologia a violência contra a mulher, ainda testificam as agressões ao trabalhador em seu ambiente laboral. Se a intenção era realmente desagradar, conseguiram.”

Feminícidio no Brasil

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada hora 536 mulheres sofrem algum tipo de agressão no Brasil. Desse total 177 são espancadas. Das cerca de 5 milhões de mulheres vítimas de agressão no país em 2018, 76% delas foram vitimas de pessoas conhecidas como o marido, um ex-namorado, um vizinho. Segundo ‘O Globo, de janeiro a março deste ano mais de 200 mulheres foram vítimas de feminicídio.

Outro lado

O proprietário do estabelecimento, Santiago Roig, gravou um longo vídeo no Instagram do restaurante para como resposta. Yahoo! transcreveu e você lê abaixo:

“Sou o criador do vídeo que foi postado ontem e deu essa polêmica. Acho importante falar sobre isso por que muita gente não entendeu nada, 99% das pessoas não viram o vídeo. Hoje, infelizmente, temos exércitos de blogueiras com 20 milhões de pessoas que montam exércitos para liderar uma bandeira e acho importante ouvir os dois lados. Quem quiser ouvir, enfim.

O Underdog sempre usou da sátira e o humor negro para fazer o posicionamento do restaurante. Todos eles vão ter diferentes leituras ou interpretações. Então a gente faz um posicionamento, uma piada que talvez agrade a uns e talvez ofenda a outros. A gente entende. Escrevemos umas três, quatro vezes, que esse vídeo pode ofender algumas pessoas e não era a intenção desse vídeo. Mas óbvio as pessoas não leem, hoje em dia ninguém lê nada e é mais fácil ver alguma coisa contada de alguma maneira e ir xingando.

A gente, a minha ideia era focar, e uma sátira com esses hells kicthen que o chefe é bipolar. Ele é totalmente imparcial. Que chega na mesa e trata o cliente com uma risadinha falsa e chega atrás do cozinha e senta a porra em todo o staff. essa era a ideia principal do vídeo. Ok? (...) que é a menina que até foi exposta e muitas dessa feministas formadoras de opinião e que estão salvando o mundo aí ficam acabando detonando a menina. Ela é formada, não sei se foi formada, mas quando a gente conheceu ela estudava cinema. E todos os vídeos a gente fez em conjunto. Todos os vídeos praticamente do undergod ela é envolvida. Então essa é a dupla que foi formada, ok? Ela representada o staff, ela representava a cozinha.

Ela tem um dos cargos mais altos do Underdog, ela é (...), uma das poucas (...) brasileiras que a gente vê e recebe igual, todo mundo deveria fazer isso, mas não faz. A gente começa a entender mais um dos problemas que temos no Brasil. poderia ser um homem, uma mulher. A ideia é igualitária isso.

Entendo que se fosse um homem seria diferente a interpretação seria diferente. Só estou deixando claro que a intenção não era dizer que bater em mulher é legal. Outro ponto são as respostas distorcidas. A gente vê que muitas pessoas não sabem dialogar. Tenho prints, conversas com pessoas que discordaram amigos, ou conhecidos e até gente que nem vi na vida que discordaram e não viram graça no vídeo. Tudo bem, vale a reflexão e acho que esse é o ponto. A reflexão.

Como que um vídeo desse vira essa polêmica? Tudo bem, vamos sacrificar o vídeo. O problema não é o vídeo. Violência doméstica é um problema gravíssimo, o Instagram tirou o vídeo do ar. O problema está resolvido, não. O problema não é esse. Então, voltando um pouco. Essas pessoas que sabem dialogar tiveram resposta e interpretações

Uma conversas comigo´, que represento essa linguagem do bar. As pessoas que chegam dizendo: 'machista', 'seu bosta', 'vão falir', 'vai bater na cara da sua mãe'. esse tipo de resposta assumo que não sou bom para responder e acabo respondendo a altura. São coisas que tenho que melhorar.

assumo que não sou bom para responder e respondo a altura. Cresci vendo humor negro e comédia hoje em dia podem ser interpretado dessa forma também, ou não.

existem vídeos onde tem discriminação com a faxineira e tal e porque eu acho engraçado? Não acho engraçado o cara bater na faxineira, mas acho engraçado a dramaturgia, os os personagens. E acho que a liberdade de expressão deveria ser defendida nesse ponto. Assiste quem quer. Em 'South Park' tem um episódio que o personagem é aleijado e quer participar da Olimpíada especiais e bate na namorada, a mãe vai separa ele bate na mãe. saí correndo do quarto e uma ópera e o negócio é tão perturbado que é engraçado para alguns. Em momento nenhum ele está dizendo: aleijados, batam na sua mulher com sua muleta. Pela quarta vez peço desculpa a quem se ofendeu. É um tema delicado e que tem que ser combatido.

Agora uma dessa blogueiras foi no 'South Park' ou no 'Hermes e Renato' encher o saco. É mais fácil fazer um exército com um restaurante com meia dúzia de seguidores lá e crucificar e sair bonito achando que salvou o Brasil. Parabéns para todo mundo que salvou o Brasil e que ajudou a acabar com a violência doméstica com um vídeo do Underdog. Eu descordo. Por esse lado não vou pedir desculpas.

Agora peço desculpas por alguém que já sofreu um tipo de agressão e viu naquele vídeo, se identificou de alguma forma negativa. Vou desativar os comentários porque sou escroto e a ideia não é ficar falando de vegano e não quero também não quero um monte de mulher falando que agora estou me retratando. Saco cheio disso. Respondo pelo Underdog. Fico triste que um monte de gente vai acabar sendo afetada por uma brincadeira minha, pessoal, de mal gosto, talvez. E que foi organizada pela equipe. Tinham 8, 9 pessoas fazendo e todo mundo rindo, mulheres e homens. Uma pessoa fez a trilha sonora do tapa e não durou 10, 15 min foi retirada.”