Halo, a série, é tão parecida com o jogo que impressiona. Mas isso é bom?

Halo. Foto: Divulgação
Halo. Foto: Divulgação

Foram uns bons dez anos para que o projeto live-action de Halo saísse do papel. Agora, via Paramount+, a série de TV baseada no jogo da Bungie finalmente vê a luz do dia e traz uma das adaptações mais fiéis do mundo dos games - ao menos no quesito visual, já que a mitologia aqui é a mesma, mas a história em si deve se desviar do que é mostrado na linha do tempo normal dos jogos. De toda forma, é um alento para os fãs que esperavam ver o mundo de Master Chief moldado com cuidado e a excelência técnica que ela merece, poucas séries têm um início tão bem produzido quanto Halo.

Falando assim parece até que Halo é melhor que Game of Thrones. Bem, melhor que o piloto da série da HBO é, se pensarmos em direção, montagem e design de produção. Tudo é tão bem feito que parece que estamos vendo uma cena do jogo em live-action. A trama da série é focada na criação dos Spartans, raça de soldados super-humanos geneticamente modificados, e também na invasão dos desconhecidos Covenant, uma raça alienígena assassina e que está em busca de um artefato misterioso. Mesmo que não seja a mesma história do game, todos os elementos principais estão aqui e por isso a sensação gigante de estar dentro de um Halo de Xbox.

Mas o que fica além do belo visual? Uma esperança de que a série vá além do sentimento de ficção científica genérica dominante nos dois primeiros episódios. Não é como se fosse ruim. A ação é bem dirigida, não torna a violência dos games algo maquiado (há sangue aqui), traz o peso da guerra, explora bem a trilha sonora icônica da franquia e monta um tabuleiro de teoria da conspiração política de forma bem coesa.

Como o tempero dessa dinâmica toda está a relação de John, o Master Chief, com a novata Yerin Ha, resgatada por ele e agora um alvo do governo para que todo o mistério sobre a criação dos Spartans não seja revelado.

Aquele dueto meio Logan, meio Mandaloriano está ali, John é um renegado pela sociedade, Ha um potencial novo Master Chief. A ideia em si não é nova, mas o potencial que cerca a série é inegável, visto que a mitologia acerca dela é rica e basta afinco na exploração da mesma para que a sensação de sci-fi genérico vá embora. Ao mesmo tempo, porém, seria interessante ver este Halo se distanciar dos games, investir nos próprios termos e narrativa, já que não existe necessidade alguma de replicar os jogos a todo instante.

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O caminho é mais entender a história do que a jogabilidade, os personagens do que a ação, para então moldar um mundo próprio, assim como fez Arcane com League of Legends. Por hora, Halo parece estar se descobrindo. E tomara que siga um novo caminho, um original, e não a cópia do que já foi sucesso em outra mídia.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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