Halloween Kills é o resgate do terror sem vergonha

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Imagem do filme
Michael Myers está de volta em "Halloween Kills". Foto: Divulgação

TR

O fã de terror teve ótimos momentos nos últimos anos. Além de uma leva de filmes que revisita contos e folclore popular, como O Farol, Invocação do Mal, Maligno, Midsommar e A Bruxa, existem obras que abraçam uma linguagem contemporâneas e condizente com nosso contexto histórico - Nós, Corra!, Tempo e Possessor são só alguns exemplos. No meio disso tudo há também o resgate de franquias renomadas, atitude quase sempre caça níquel mas que tomou outra figura com o Halloween de David Gordon Green em 2018, e agora vai para outra prateleira com Halloween Kills.

A sequência é mais violenta, com menos suspense e história do que o antecessor. É um retrato simples e bruto do mal embutido em Michael Myers e que, eventualmente, se apodera dos humanos que sofrem com ele. Enquanto não tenta fazer o discurso do ser humano corrompido, Kills é tão eficiente quanto o primeiro. Abusa da violência, mas num contexto gráfico que trabalha sem pudor o horror que é estar ao lado de Myers e ainda exibe as cenas com o maior cuidado estético possível.

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É como se Green entendesse o slasher como um filme protagonizado pelo impacto visual da violência, e não pelo suspense que os assassinatos trazem consigo. Kills não é sobre construir atmosfera, mas entregar a representação do medo e fazê-lo sem vergonha de ser - assim como todos os personagens que aparecem no filme agindo e vivendo no desespero quase tangível de se encontrar com um assassino mascarado que é imortal. E nada disso é feito com o pudor de explicar origem, motivos ou qualquer contexto além de uma noite de pura insanidade.

A honestidade desta abordagem é aliada ao talento narrativa de Green, que após Halloween (a trilogia se encerra com Halloween Ends em 2022) vai fazer um reboot do maior clássico de terror da história: O Exorcista. E não para por aí: Pânico, franquia de Wes Craven, é outra que ganhará novo capítulo em breve, assim como Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado. 

Se todos seguirem o racional imposto por Green e deixarem a nostalgia ser motor de inspiração e não obrigatoriedade de roteiro, há toda chance no mundo de vermos reboots válidos e não sequências que sirvam apenas para nos relembrar que continuações em terror quase sempre são desprezíveis.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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