Gustavo Tubarão desmistifica vida perfeita da internet: "Story só tem 15 segundos"

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Gustavo Tubarão no "Novelei". Foto: Divulgação/Globo

Resumo da notícia:

  • Gustavo Tubarão questiona ideal de felicidade na internet

  • Em entrevista ao Yahoo, influenciador alerta sobre importância de mostrar o lado vulnerável

  • Humorista abre o jogo sobre saúde mental com seus seguidores

Quem passa pelos vídeos de Gustavo Tubarão nas redes sociais não diz que ele é diagnosticado com depressão e ansiedade, mas basta se aprofundar nos conteúdos do mineiro de Cana Verde para entender que sua abordagem vai além da rotina na roça de Minas Gerais. Em entrevista ao Yahoo, o influenciador com mais de 7 milhões de seguidores no Tiktok e 6 milhões de fãs no Instagram abriu o coração sobre a importância de mostrar o lado vulnerável na internet.

Apesar da alegria constante nos vídeos marcados por piadas, Gustavo iniciou a produção de conteúdo como uma válvula de escape dos problemas psicológicos em 2017. "Sempre quis gravar vídeo e nunca tive coragem, aí eu fui gravando bem forçado no Youtube no canal chamado "Evita". Estava morando em Belo Horizonte e imitava o sotaque paulista, porque eu nunca tinha visto ninguém com o sotaque igual ao meu na internet", relatou.

No entanto, foi a identidade mineira que fez o jovem alavancar a audiência nas redes sociais. "Tenho um carro velho, que chama Pampa, comecei a tratar dos bichos, aguar minhas plantas, fazer algumas piadas e o povo gostou muito e começou a viralizar, porque muita gente se identificou com isso”, contou.

Depressão não tem cara

"São raras as pessoas que vejo falar sobre isso e servia de terapia para mim. Em 2017, eu chorava em posição fetal no banheiro e falava para Deus: ‘Se o Senhor me tirar disso aqui, vou falar disso abertamente e tentar ajudar quantas pessoas eu conseguir’", desabafou Gustavo ao relembrar como começou a falar sobre saúde mental aos seguidores em um país marcado por milhões de depressivos.

De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Psiquiatria, o Brasil lidera o ranking de casos de depressão na América Latina. Cerca de 11,5 milhões de pessoas têm a doença diagnosticada atualmente.

Inclusive, Gustavo relevou que não tinha noção como existe tanta gente com problemas como os dele. "Chega gente para tirar foto comigo na rua e fala sobre o vídeo que eu fiz sobre ansiedade e depressão, que ajudou muita gente e incentivou a procurar ajuda. Deu coragem para falarem para o pai, para a mãe dentro de casa", contou ao dizer que recebe muitas mensagens com relatos de diagnósticos de depressão.

Embora não tenha sido fácil decidir falar sobre o assunto, o mineiro foi surpreendido pelo público que se identificou com seus relatos e se vê incentivado a buscar orientação médica. "Me ajuda também e vivo falando para a galera. Falo o que eu faço no meu dia para melhorar minha ansiedade e depressão, mas falo que isso funciona para mim. Falo que devem procurar um psicólogo e um psiquiatra. Querendo ou não, eu mostrando as coisas que eu faço, incentiva as pessoas a procurar ajuda também”, refletiu.

Internet é um recorte

Indignado com a onda de felicidade plena de muitos perfis na internet, Gustavo faz questão de mostrar seu lado vulnerável quando os dias não estão bons. “Eu vivo falando que o story tem 15 segundos só e que não mostro literalmente tudo o que aconteceu no meu dia. Mas faço questão de, quando eu estou mal, ansioso, tenho um pré-pânico, eu chego no story e aviso que não estou bem", explicou.

"Vejo muita gente na internet só postando viajando, ‘luxando’, parece que todo mundo estava feliz 24 horas por dia. Eu começava a me sentir mal e pensava: 'Como que a pessoa era feliz o dia inteiro?'", completou.

Ao mostrar que ele também tem suas fraquezas, o influenciador sente que se aproxima ainda mais dos seguidores. “Com essa visibilidade que eu tenho hoje, até quando eu estou mal, eu posto falando isso. Porque a pessoa está tão ligada naquilo que ela pensa: ‘Opa! Ele também fica mal, então é normal eu ficar mal’. Então, é um tipo de relação muito saudável que eu tenho com o meu público, é muito aberta”, refletiu.

Em meio a uma intensa exposição como figura pública, Gustavo não deixa de citar a importância de continuar cuidando da cabeça para não ser consumido pela pressão das redes sociais. “Tenho que tomar muito cuidado. Então tento ficar sempre bem da cabeça. Às vezes eu falo: ‘Gente” Vou sumir uns dois dias para dar uma descansada e voltar a estar bem’. Realmente, não é fácil ser uma pessoa ansiosa e exposta", desabafou ao dizer que tem consciência sobre não ter controle de quem não vai gostar de seu conteúdo - e essas pessoas sempre existirão.

Reality show x Saúde mental

Sobre a possibilidade de participar de um reality show, Gustavo é sincero ao dizer que se preocupa com o impacto que o confinamento pode gerar em seu psicológico. “Já rolou convite da ‘Fazenda’ e eu recusei. Tenho vontade de reality um dia, mas não me vejo", afirmou ao citar o programa da Record TV, ambientado em um local semelhante ao que ele vive em Minas Gerais.

Ele reforça que não consegue se enxergar em um reality show no momento por não estar 100% tratado de seus transtornos. "Apesar de estar bem evoluído o tratamento, acho que seria hipocrisia da minha parte frequentar um lugar que eu tenho certeza que vai chegar um ponto que eu vou passar mal lá. Então, foi por isso que eu recusei ‘Fazenda’. Hoje, eu não me vejo", concluiu.

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