Guilherme de Pádua morreu no aniversário de estreia da novela 'Explode Coração'

***ARQUIVO*** O ator Guilherme de Pádua concede entrevista na delegacia onde esteve preso, em 1992. (Foto:  Frederico Rozario/Folhapress)
***ARQUIVO*** O ator Guilherme de Pádua concede entrevista na delegacia onde esteve preso, em 1992. (Foto: Frederico Rozario/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Há uma coincidência que circunda a morte do ator Guilherme de Pádua, ocorrida neste domingo, dia 6, depois de um infarto. Essa é a data exata em que se completam 27 anos da estreia da novela "Explode Coração", primeiro folhetim que Gloria Perez escreveu após a morte da filha, Daniella Perez, em 1992.

Daniella Perez foi morta a facadas enquanto estava no ar na novela "De Corpo e Alma", também de autoria de sua mãe. A Justiça condenou Guilherme de Pádua, colega de elenco da atriz, e a então mulher dele, Paula Thomaz, pelo crime ocorrido 30 anos atrás.

O ex-ator morreu aos 53 anos, após sofrer uma parada cardíaca, de acordo com o pastor Márcio Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, à qual De Pádua também era filiado.

Localizada em Belo Horizonte, cidade natal de Pádua, a congregação foi quem acolheu o ex-ator após sua saída da prisão e o ordenou pastor há cinco anos. A morte foi confirmada pela assessoria de imprensa da Igreja Batista de Lagoinha.

"É um moço que a sociedade não compreende, porque praticou aquele crime da Daniella Perez. Mas ele se converteu. Era uma lagarta que virou borboleta. Ele dentro de casa agora caiu e morreu. Caiu e morreu", disse Valadão, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais.

De Pádua ganhou projeção nacional na novela "De Corpo e Alma", exibida pela Globo na década de 1990. Nela, fazia par romântico com Daniella Perez, filha da autora, Gloria Perez. Em 28 de dezembro de 1992, no entanto, o corpo da mocinha do folhetim foi encontrado num matagal na Barra da Tijuca, com 18 perfurações, a maioria concentradas na região do coração.

O relato de uma testemunha levou a polícia a De Pádua e à então mulher dele, Paula Thomaz. Cada um dos dois foi condenado por homicídio qualificado a uma pena de quase 20 anos de prisão, após o júri popular acatar a tese da acusação de que o casal premeditou o crime --Thomaz, por ciúmes do marido; Pádua, por vingança contra a autora da novela, já que seu papel na trama vinha sendo reduzido.

Os dois apresentaram, nos últimos anos, versões diferentes para o crime. Thomaz nega que tenha participado. De Pádua, que, em depoimentos à polícia, assumira a culpa, depois passou a sustentar a tese de que a sua então mulher, tomada de ciúmes pela relação dos dois parceiros de cena, é quem teria se atracado com Daniella Perez no matagal.

O caso recentemente veio à tona por causa dos 30 anos da morte da atriz e da série documental "Pacto Brutal", da HBO Max, que se debruçou sobre o crime.