Grupo que lida com Lava Jato na PF deve tocar inquérito contra Bolsonaro

(Andressa Anholete/Getty Images)

Caso seja respeitada a tramitação normal, o grupo especial da Polícia Federal que cuida dos casos da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) vai ficar responsável pelo inquérito sobre as acusações do ex-ministro Sergio Moro ao presidente Jair Bolsonaro, de que ele tentou realizar interferências na PF.

Batizado de Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq), o grupo é responsável pelas investigações que envolvem políticos com foro privilegiado e tramitam no STF, dentre elas os casos decorrentes da Lava-Jato. Por isso, todos inquéritos abertos por ordem do Supremo são enviados aos cuidados do Sinq, que funciona na sede da PF em Brasília e é subordinado à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado.

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Atualmente, o grupo é coordenado pela delegada Christiane Correa Machado, que sucedeu no cargo o delegado Cleyber Malta Lopes, responsável pela investigação contra o ex-presidente Michel Temer.

Há poucas exceções a essa tramitação, como os dois inquéritos relatados pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, o das fake news e o dos atos antidemocracia. Nestes dois casos, Moraes proferiu decisões escolhendo nominalmente os delegados responsáveis pela apuração, situação incomum dentro da estrutura da PF.

Com a mudança no comando da PF, o novo diretor-geral Alexandre Ramagem será responsável por zelar pelo andamento desse inquérito e definir a organização interna para tocar a investigação. Como o comando do Dicor hoje é exercido pelo delegado Igor Romário de Paula, pessoa de extrema confiança do ex-diretor Maurício Valeixo e do ex-ministro Sergio Moro, há uma expectativa natural de troca nessa diretoria, que é responsável pelo Sinq. Essa mudança de comando, por si só, não afetaria o andamento desses inquéritos.

Ao decidir pela abertura do inquérito, o ministro Celso de Mello determinou o envio dos autos à PF para que seus investigadores fiquem responsáveis pelas diligências. Os autos ainda não foram enviados à PF porque o ministro Celso de Mello pediu que, antes disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse sobre uma petição do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) solicitando apreensão do celular da deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que manteve conversas com o ex-ministro da Justiça sobre a demissão de Valeixo e uma possível indicação de Moro para uma vaga no STF.

A primeira diligência solicitada à PF é a tomada de depoimento do ex-ministro Sergio Moro e colheita de provas junto a ele. "Assino ao Departamento de Polícia Federal o prazo de 60 dias para a realização da diligência indicada pelo Ministério Público Federal, intimando-se, para tanto, o senhor Sergio Fernando Moro para atender à solicitação feita pelo senhor procurador-geral da República", escreveu Celso.

Depois desse depoimento, a PF vai analisar se precisa ouvir outros personagens, realizar perícia em aparelhos telefônicos ou até mesmo pedir quebras de sigilo para aprofundar as investigações. Esse trabalho será feito em conjunto com a PGR. Ao pedir a investigação policial, o procurador-geral Augusto Aras inclusive recomendou celeridade para evitar o "perecimento de elementos probatórios". Dentro da PGR, o próprio gabinete de Aras será responsável por acompanhar a tramitação deste inquérito, dada a sensibilidade do assunto.

Do EXTRA