Grupo de k-pop que faz show em SP, Pentagon já expulsou integrante por assumir namoro

NATHALIA DURVAL
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 11.03.2019: Venda de ingressos para o show do grupo de k-pop (pop coreano) BTS, um dos mais populares do gênero. (Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após BTS e Monsta X, mais um grupo de k-pop desembarca na capital paulista para apresentação única, que acontece neste domingo (15). O show do Pentagon acontecerá no Tropical Butantã e os integrantes da boyband dizem estar "curiosos para ver o quanto as fãs brasileiras são calorosas". 

Em entrevista ao F5, os membros do grupo disseram que querem ouvir "os gritos super altos" das fãs brasileiras. "O setlist do show é incrível. Tenho certeza de que todos poderão curtir bastante", diz o jovem Kino, 21.

A apresentação faz parte de turnê mundial "Prism", iniciada em abril, que percorre 23 cidades em países como Estados Unidos, Chile, Alemanha, Itália e Rússia.

Formado por nove garotos de idades entre 21 e 27 anos, o grupo surgiu em um reality show de TV coreana em 2016. São eles JinHo, Hui, HongSeok, ShinWon, YeoOne, Kino e WooSeok, além de dois membros de nacionalidades diferentes, que decidiram tentar a sorte no k-pop: o japonês Yuto, 21, e o chinês YanAn, 22.

Como é comum no pop sul-coreano os artistas adotarem conceitos ao divulgar suas músicas, como fofo ou sexy, o Pentagon se define como "bagunceiros e alegres". "Nos mostramos divertidos, brincalhões e agimos naturalmente", diz o líder Hui, 26.

No maior sucesso da boyband, "Shine", eles entoam que são "perdedores no amor", vestindo roupas coloridas com cara de colegiais rebeldes. Na coreografia, fingem que choram e fazem coraçãozinho com as mãos. O hit acumula 160 milhões de visualizações no YouTube --o "djidjiri" do refrão fica na cabeça.

"Não temos um molde para nos enquadrar", comenta JinHo, 27, o mais velho entre eles. Mas tal liberdade ficou de lado quando, no fim de 2018, um dos integrantes foi expulso por assumir um namoro.

A notícia surgiu em sites de fofoca: o rapper E'Dawn, 25, estaria namorando a colega de agência Hyuna, 27, uma das maiores estrelas femininas do k-pop. O relacionamento escondido, que já durava dois anos, foi confirmado pelo casal nas redes sociais. 

Semanas depois, ambos foram demitidos pela empresa que os gerencia, a Cube Entertainment. "Quando administramos a carreira de artistas, consideramos a confiança mútua uma prioridade. Nós decidimos que essa confiança foi quebrada, então estamos excluindo os dois da empresa", afirmou comunicado na época.

Um ídolo de k-pop namorar não é bem visto entre seus seguidores na Coreia do Sul e, em certos casos, relacionamentos chegam a ser proibidos por contrato. Para produtores dessa indústria, um namoro público pode prejudicar o fascínio causado nas fãs.

Após o caso da dupla, a reação de muitos foi abandonar o fã-clube do Pentagon (conhecido como Universe), afirma a estudante mineira Isadora Bassane, 25, dona do perfil no Twitter Pentagon Brasil. "Várias pessoas apoiaram o casal, pela coragem de assumir o namoro, mas algumas não acharam certa a atitude da empresa e de toda a situação", diz.

"Foi algo que nos abalou muito. Não estávamos esperando que algo assim acontecesse com o Pentagon e que o grupo não teria mais seus dez membros, que lutaram tanto pelo debut", comenta Isadora. "Eles sempre foram muito unidos."

Assunto delicado nesse meio, os garotos não comentaram as perguntas da reportagem sobre a saída de seu colega. Os rappers passaram a cantar os trechos de E'Dawn nas canções e as coreografias foram adaptadas para nove pessoas.

De lá para cá, eles se dedicaram ao trabalho. Lançaram três EPs (um deles em japonês) e, em julho, o mais recente "Sum(Me:R)", com influências do pop, EDM e hip-hop. Com três anos de carreira, a bagagem do Pentagon inclui dez álbuns, parcerias com outros artistas e trilhas sonoras de novelas.

ALÉM DA ÁSIA

O grupo se junta aos poucos nomes conhecidos do pop sul-coreano que conseguiram abrir passagem no mercado ocidental, fazendo turnês que vão além da Ásia e passam por países da Europa e das Américas.

Para os próprios artistas do gênero, são as performances coreografadas e a mistura de estilos que tornam o k-pop tão atraente e contribuem para a sua popularização pelo mundo. "Não existe outro estilo de música com esta diversidade de conceitos", afirma JinHo.

"Acho que as músicas viciantes e as roupas chamam a atenção das pessoas", acrescenta Yuto. "A Coreia agora se destaca mundialmente quando falamos de música. Passar por treinamentos desde quando a pessoa é nova é algo que o torna único também", diz Kino.

As Universes [nome dado às fãs do grupo] que forem ao show em São Paulo terão a chance de ver de perto e, inclusive, de tocar seus ídolos favoritos. Por R$ 90, os fãs podem trocar um cumprimento de mãos com os artistas. Os garotos dão um recado para quem participar do chamado "hi-touch": "se baterem com muita força, machuca", brinca JinHo. 

"Quando olharem de perto, somos mais bonitos. Então, cuidado com o coração", diz o vocalista HongSeok, 25. Para curtir os poucos segundos que duram o contato, pedem para as fãs "manterem a calma" e "olhar nos olhos de cada um".

Por mais R$ 100, podem se despedir dos idols ao saírem da casa de shows, na categoria "send-off" --um pôster pré-autografado vem de brinde. Foto em grupo (R$ 100) é outra opção. Estas, porém, estão esgotadas --apenas o "hi-touch" continua disponível. Dos ingressos para o show, resta o setor pista (R$ 150 a R$ 300).