Grammy: academia extingue termo “World Music” e altera título de categoria

Guilherme Araujo
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Você sabe o que é World Music? Bastante popular nos anos 1990, esse termo surgiu para classificar toda e qualquer expressão musical de origem distinta a países do Hemisfério Norte como Estados Unidos e Reino Unido, conhecidos por deter o monopólio da indústria musical.

De lá pra cá, claro, muita coisa mudou, inclusive o pensamento dos membros da Recording Academy, órgão responsável pelo Grammy Awards. Após uma longa deliberação entre seus membros, a entidade decidiu nesta terça-feira (3) que fará a alteração do título do então troféu de Melhor Álbum de World Music.

A partir das próximas edições, o prêmio passa a oferecer aos seus vencedores o gramofone de Melhor Álbum Global. Embora pareça mínima, a mudança busca refletir um interesse do time de jurados em incorporar “uma mentalidade verdadeiramente global, com linguagem atualizada e que reflita uma categorização que envolva e celebre o escopo da atual música produzida no mundo”.

A decisão, de acordo com a revista Variety, foi tomada junto a um time de artistas, etnomusicólogos e linguistas que, em parceria, destacaram a importância de atualizar o termo para uma nomenclatura que seja mais relevante, moderna e inclusiva.

Responsável por homenagear trabalhos de artistas vindos de várias partes do mundo por sua qualidade vocal e seu apelo popular, o então prêmio de Melhor Álbum Global já reconheceu, em edições passadas do Grammy, trabalhos de Cesária Évora (Portugal), Milton Nascimento, João Gilberto e Dorival Caymmi (Brasil).

Mudanças

Em junho deste ano, a organização responsável pelo Grammy já havia anunciado mudanças em outra categoria, “Melhor Álbum de Urban Contemporâneo”. Adicionado ao prêmio em 2012, o troféu passou a se chamar “Melhor Álbum de Progressive R&B” visto que a Academia gostaria de incluir na classificação amostras e elementos de hip-hop, rap, dance e música eletrônica.

“Estamos constantemente avaliando nosso processo de premiação e evoluindo para assegurar que o Grammy seja inclusivo e reflita a situação atual da indústria musical”, afirmou Harvey Mason Jr., presidente interino da Recording Academy, à Variety. “Espero que isso seja parte de um novo capítulo da nossa história”.

A atualização chegou após uma série de críticas feitas por executivos negros. De acordo com as suas reivindicações, o termo “urban” vinha sendo usado como sinônimo de uma música negra de forma antiquada, o que não contemplaria seu caráter abrangente.