Governo financiou campanha da reforma da Previdência em sites de fake news e jogos de azar

Reforma da Previdência foi a principal pauta do governo em seu primeiro ano de mandato, em 2019 (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

A campanha da reforma da Previdência produzida pelo governo Bolsonaro também foi divulgada em sites de fake news e jogos de azar, indicam planilhas enviadas pela Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) por determinação da CGU (Controladoria-Geral da União).

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Notícias no Google News

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a secretaria comandada por Fábio Wajngarten contratou agências de publicidade que compram espaços por meio do Google, que distribui os anúncios para sites ou canais do YouTube que cumpram os critérios estabelecidos pelo anunciante.

Leia também

Dos 20 canais que mais veicularam a campanha da Nova Previdência, 14 eram destinados ao público infantojuvenil, como Turma da Mônica. Outro canal tem 100% do conteúdo em russo. Um site que divulga resultados do jogo do bicho, ilegal no Brasil, recebeu 319.082 anúncios com dinheiro público.

O governo ainda divulgou a Nova Previdência em páginas de fake news como Sempre Questione (66.431 anúncios) e Diário do Brasil (36.551). Canais que apoiam o presidente, como Bolsonaro TV e Terça Livre, e aplicativos como Brazilian Trump receberam verba publicitária da campanha. O site do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do chefe do Executivo, também está na planilha da Secom.

Os dados devem ser encaminhados para a CPMI das Fake News nos próximos dias. A Secom anunciou que gastaria R$ 37 milhões para divulgar a Nova Previdência.

Procurada, a Secom afirmou que “a plataforma de anúncios da Google atua automaticamente a partir de parâmetros para a entrega do conteúdo publicitário aos públicos de interesse. As definições são abrangentes e não determinam com exatidão o local na internet em que o anúncio será veiculado. Porém, neste caso específico, buscou-se perfis reconhecidos pela ferramenta do Google que tenham afinidade para o tema ‘Previdência’ e demais correlações de acordo com sintaxe para o tema da campanha”.

“Foram realizados comandos para o bloqueio da entrega da publicidade em sites de conteúdos impróprios, que incitem a violência ou que atentem contra os direitos humanos. Trata-se de procedimento padrão, em cumprimento às diretrizes da lei 6.555/2008”, finaliza a secretaria.

O Google afirmou, em nota: “Mesmo quando um site ou vídeo não viola nossas políticas, compreendemos que os anunciantes podem não querer sua publicidade atrelada a determinados conteúdos e, por conta disso, nossas plataformas permitem bloquear categorias de assuntos e sites específicos, além de gerarem relatórios sobre a exibição dos anúncios”.

Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.