Governo de SP teme que suspensão dos estudos da CoronaVac seja parte de ‘guerra política’

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Sao Paulo Governor Joao Doria, left, and Butantan Institute Director Dimas Covas hold up a box of an experimental COVID-19 vaccine that is being tested in partnership with China's pharmaceutical company Sinovac during a press conference in Sao Paulo, Brazil, Monday, Nov. 9, 2020. (AP Photo/Andre Penner)
Governador de São Paulo, João Doria, e presidente do Instituto Butantan, com a CoronaVac (Foto: AP Photo/Andre Penner)

Nos bastidores, o governo de São Paulo mostra preocupação de que a suspensão da CoronaVac seja parte de uma “guerra política” entre o governador João Doria (PSDB) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A informação é do blog da jornalista Andréia Sadi, do G1.

A vacina contra o coronavírus do laboratório chinês SinoVac está sendo produzida em parceria com o Instituto Butantatan. Nesta terça-feira, 10, o presidente Jair Bolsonaro comemorou a suspensão e disse que “ganhou” de Doria com a paralisação dos estudos em relação à CoronaVac.

Segundo Andréia Sadi, aliados de Doria acreditam que, cada vez mais, há um “jogo político” em relação à imunização. O medo deles é que a compra da vacina pelo governo dependa de uma decisão pessoal do presidente da República, sem argumentos técnicos e científicos.

A compra da CoronaVac pelo governo federal também já foi tema de polêmicas entre Doria e Bolsonaro. O ministro da Saúde havia anunciado que a imunização seria comprada pela União, mas foi desautorizado pelo presidente da República.

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O vice-presidente, Hamilton Mourão, também havia confirmado que a compra seria feita. Novamente, o presidente o desautorizou. No Planalto, pessoas próximas a Bolsonaro assumem que o presidente está preocupado que Doria ganha capital político em cima da vacina. Os dois já são vistos como possíveis concorrentes à presidência em 2022.

Na segunda-feira, 9, o Butantan afirmou que soube da suspensão dos estudos pela imprensa e não foi avisado diretamente pela Anvisa. A paralisação aconteceu após um “evento adverso grave”, que ainda não foi especificado pela agência reguladora.

Atualmente, a Anvisa é comandada pelo Almirante Barra, aliado de Bolsonaro. À Andréia Sadi, um interlocutor de Bolsonaro afirmou que Barra estaria disposto a colocar as ordens do presidente à frente das questões técnicas.