Gordura extraída de lipoaspirações é transformada em sabonete

Artista transforma gordura humana em sabonete – Divulgação/Ben and Martin Photography

Já imaginou o que é feito com a gordura retirada dos pacientes que passam por uma lipoaspiração? A edição 2018 do Adelaide Festival, festival australiano de artes, traz um uso fora do convencional para esse material e essa gordura foi transformada em… sabonete.

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A peça pode ser vista na instalação do artista alemão Julian Hetzel, que desenvolveu o conceito chamado Schuldfabrik. A ideia é falar sobre a culpa e a dívida da sociedade moderna e o excesso de gordura é o representante dessa culpa citada por ele. “Decidimos trabalhar com gordura como um material que representa culpa ou que contém culpa e para entender: isso pode ser usado como um recurso? Podemos usar a culpa como algo produtivo? Podemos nos beneficiar da nossa própria culpa? Como ganhar dinheiro com culpa”, explica Julian.

O sabonete poderá ser adquirido em uma loja pop-up e os compradores poderão ver o processo de produção da barra, desde a extração da gordura até o produto final. Ao todo, foram produzidos 300 quilos de sabão.

Artista transforma gordura humana em sabonete – Divulgação/Ben and Martin Photography

“Não é 100% de gordura humana. Nós colaboramos com um fabricante de sabão que nos aconselhou a fazer uma mistura de diferentes gorduras e óleos para ter como um produto realmente de alta qualidade – que também é hidratante e tem todos os componentes de um sabão muito bom”.

Ele diz também que fatores judiciais e de saúde foram alguns dos dilemas enfrentados na hora de produzir o sabonete, mas tudo acabou dando certo no final. “Nós colaboramos com um instituto de higiene e eles nos mostraram como purificar o material, porque tínhamos que ter certeza de que não havia bactérias ou vírus na gordura. Então tivemos que processá-la a uma temperatura muito alta por um certo tempo e matar todos os vírus”.

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A renda arrecadada com a venda dos sabonetes, que custa em média R$ 118, será doada para a construção de poços na República Democrática do Congo. “Parece sabão, funciona como sabão, mas é uma obra de arte”, completa o artista. E você, compraria?