Gorda saudável: verdade ou mito?

Foto: Divulgação/Women’s Running/James Farrell

Por Juliana Gola

Uma pesquisa da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, publicada no Journal of the
American College of Cardiology em setembro garante que doenças metabólicas como diabetes,
pressão alta e colesterol não escolhem gordos ou magros. O peso não é o único indicador
atentado pelos médicos. “Medimos o ìndice de massa corporal (IMC) para detectar em que faixa
de obesidade o paciente se encontra, mas as doenças que podem ser diagnosticadas provem
também de fatores genéticos e modo de vida”, explica a médica cardiologista do Incor, Dra. Mariana Stama Figueira.

Gabriela Marques, 31, por exemplo, sempre manteve uma vida saudável, magra, com
alimentação balanceada e algum tipo de exercício físico, mas recentemente levou um susto ao
descobrir que sua taxa de colesterol estava acima do esperado. “Era um exame de rotina, mas
fui entender que tinha uma forte carga genética que vou ter de ficar atenda a vida toda. Já
comia bastante legumes e tinha largado a carne e o frango, mas passei também a evitar as
frituras e me consultar com uma nutricionista que me ajudou muito a chegar num equilibrio”,
conta.

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“Não há vilões nem mocinhos especificamente. O ideal é reduzir industrializados, açúcar,
corantes, conservantes, farinha branca e ter uma alimentação o mais natural possível com
comida de verdade. As quantidades devem ser ajustadas conforme necessidade individual”,
afirma a nutricionista clínica, funcional e personal diet, Roberta Thawana S. Carvalho. Para avaliação de saúde há alguns parâmetros bioquímicos, antropométricos e clínicos, o IMC deve
estar entre 18,5 e 24,99 e, segundo a Organização Mundia da Saúde, a circunferência da
cintura deve ser até 80cm para mulheres e 94cm para homens.

Um obeso é considerável saudável quando, apesar de estar acima do peso, não há indícios das
doenças metabólicas citadas. “Acontece que a obesidade em si já é considerada uma doença.
Se ela se apresentar como única patologia, investigações mais profundas mostrarão alterações
em triglicéride e glicose em jejum, entre outros, aumentando exponencialmente os riscos de
doenças cardiovasculares como o infarto e a angina”, completa a cardiologista Dra. Mariana
Stama Figueira.

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Saúde também está relacionada à exames bioquímicos adequados e ausência de sintomas
clínicos, como enxaqueca, constipação intestinal, rinite e dores articulares, que não se
relacionam diretamente ao peso. “Uma alimentação inadequada pode aumentar risco de várias
doenças. Excesso de carboidratos podem aumentar risco de esteatose, aterosclerose. O excesso
de consumo de refrigerantes pode aumentar risco de osteoporose. O glutamato monossódico
presente em temperos prontos, molhos e os adoçantes artificiais podem aumentar risco de
câncer”, exemplifica a nutricionista Roberta Thawana S. Carvalho.