Whindersson Nunes: por que criticar a gravidez de Maria Lina é machismo

Marcela De Mingo
·4 minuto de leitura

Fora o 'BBB 21', o assunto que não sai dos Trending Topics do Twitter é o primeiro filho de Whindersson Nunes. O humorista anunciou nesta semana que ele e a namorada, Maria Lina Deggan, estão esperando o primeiro bebê, mas, ao contrário do que se imaginaria, parte dos usuários do Instagram e do próprio Twitter não receberam bem a notícia - como se alguém precisasse aprovar, mas ok.

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Maria Lina, namorada de Whindersson Nunes, foi chamada de "golpista" após anunciar que estava grávida do humorista (Foto: Instagram)
Maria Lina, namorada de Whindersson Nunes, foi chamada de "golpista" após anunciar que estava grávida do humorista (Foto: Instagram)

Com mais de 200 mil seguidores e uma conta privada no Insta, Maria Lina recebeu uma série de comentários em suas postagens com xingamentos desde que o anúncio foi feito. Uma parte deles chama a jovem de "golpista", insinuando que ela deu "o golpe da barriga" no humorista.

O caso ganhou uma proporção tão grande que até mesmo a ex de Whindersson, a cantora Luísa Sonza, decidiu comentar sobre o assunto. Se você não lembra, quando a separação do casal foi anunciada, Luísa também foi acusada de usar a fama do ex para alavancar a própria carreira.

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"A vida da mulher, independente das escolhas, é sempre um inferno", escreveu a cantora, em defesa de Maria Lina. "Somos atacadas por absolutamente TUDO. Se você escolhe a sua carreira, você é atacada. Se você escolhe família, também. Absolutamente qualquer coisa em qualquer âmbito da vida, ou até mesmo nas vezes em que nem sequer escolhemos, a responsabilidade e a 'culpa' recai sobre nós. A sociedade odeia a mulher, não importa onde ela esteja", disse.

E, sim, esse é o gancho: a maneira como a sociedade encara e lida com as decisões de uma mulher. Não está em discussão aqui os pormenores do relacionamento de Whindersson e Maria Lina - isso cabe apenas aos dois e a mais ninguém. Como já falamos antes, é o momento de parar de romantizar o relacionamento de celebridades.

Mas, mais do que isso, há que se notar que as escolhas de Maria foram absolutamente ignoradas. E se ela, de fato, decidiu querer ser mãe e Whindersson apoiou a decisão, que, a partir daí, foi tomada em conjunto? E se a gravidez foi, no fim das contas, um acidente? Qual é o problema? E, mais do que isso, quem tem o direito de julgar a gravidez de alguém com base na fama de uma das partes?

A questão é que esse julgamento, via de regra, recai sobre a mulher, o que claramente caracteriza uma visão machista de mundo. A mulher é vilã e o homem precisa ser protegido das malvadas mulheres que querem acabar com o seu caráter. Em uma denúncia de assédio ou de estupro, por exemplo, isso aparece de forma ainda mais escancarada - "ela quis, ele é inocente". Vemos, inclusive, a prova dessa mentalidade em casos como o do goleiro Bruno, que não só tem uma base de fãs grande (o que é quase incompreensível), como continua jogando bola tranquilamente.

Mas estamos em 2021 e, a essa altura do campeonato, espera-se um pouco mais de prudência na hora de lidar com as escolhas de uma mulher. É verdade que as pessoas estão frustradas e raivosas por muitos motivos - a pandemia de coronavírus é um deles -, e projetar suas expectativas na vida dos famosos é uma forma de lidar com os desconfortos cotidianos. No entanto, não se pode permitir que essa raiva seja jogada em cima de alguém que não só não faz parte do meio artístico como voluntariamente está em um relacionamento com alguém que, por acaso, tem uma profissão de alta visibilidade.

Há de se questionar também de onde vem o desejo protetor em relação aos homens ricos, como se eles fossem incapazes de cuidar das próprias fortunas. Caso sejam, que as más decisões relacionadas ao seu dinheiro sejam vistas com os mesmos olhos que chamam uma mulher como Maria de "golpista". A lição que precisamos aprender aqui é que julgar uma mulher por suas decisões é absurdo e, sim, machista. Resta saber se estamos interessados em mudar para criar uma sociedade igualitária agora ou se mais e mais respostas como as de Luísa e da própria Maria serão necessárias para garantir que, algum dia, as coisas sejam diferentes.

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