Gloria Groove no Rock in Rio chora, canta com a mãe e faz aceno a roqueiros

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Estrela em ascensão da música pop brasileira, Gloria Groove botou o público do Rock in Rio para dançar enquanto cantava e chorava. A drag paulistana se apresentou no palco Sunset, com a presença de sua mãe, em dia encabeçado pelo Guns N' Roses, quando o sol já dava um refresco na tarde de calor no Rio de Janeiro.

Num palco de aparência circense, Gloria cantou com dançarinos e uma banda de bateria, baixo, teclado, guitarra, cordas e um naipe de metais. A formação injetou peso e suingue no pop da drag, ora pendendo para uma sonoridade mais roqueira, ora destacando levadas do funk brasileiro.

Se no show anterior no mesmo palco, de Duda Beat, o público ainda estava chegando ao Parque Olímpico, Gloria Groove já pegou um espaço mais lotado. Mais que isso, seus fãs tinham na ponta da língua as letras das faixas de "Lady Leste", álbum deste ano que concentra os maiores sucessos da cantora.

Puxado pela voz apurada da drag, o show foi crescendo desde "A Queda", em que ela convida o público para assistir à própria derrocada, passando por "Leilão", até explodir numa sequência com "Máscara", de Pitty, e "Coisa Boa", uma de suas músicas mais festeiras.

O hit da cantora de rock baiana não foi o único aceno ao público roqueiro, a maioria. Ela também cantou um trecho de "Exagerado", conhecida na voz de Cazuza, e "Malandragem", na de Cássia Eller, convidando a participação até de quem não gosta de seu som pop.

Depois de "Greta", "Sobrevivi" e "LSD", Gloria Groove fez um momento romântico, em que cantou as baladas "Apaga a Luz" e "Samba in Paris", uma música de Baco Exu do Blues com sua participação, além de "A Tua Voz". O clima de romance só foi interrompido quando a drag caiu no choro ao cantar com sua mãe, Gina Garcia, que fez carreira como backing vocal e surgiu no palco do Rock in Rio.

Como tem sido constante no festival, o público puxou xingamentos ao presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal, no intervalo das performances. A drag, que no Lollapalooza deste ano cantou com um maiô em referência ao ex-presidente Lula, não reagiu aos protestos. Ao fim do show, uma grande parte da plateia gritou em apoio ao petista.

A Lady Leste, como é conhecida, também exaltou a cultura drag. "São profissionais e pessoas da noite que me inspiraram e me moveram porque eu sabia que era possível uma drag queen estar num palco como este", ela disse, enquanto uma bandeira do orgulho LGBTQIA+ era ostentada pelo público.

A reta final teve "SFM", "Fogo no Barraco" e sucessos que são sua marca registrada, como "Bonekinha", "Bumbum de Ouro", "Radar" e "Vermelho", com a plateia em polvorosa e o palco cuspindo fogo. A comoção só não foi maior pela falta de familiaridade uma parte do público, em dia roqueiro no Rock in Rio, com sua obra.