Gloria Groove, no dia do combate à gordofobia: “Sinto na pele desde muito cedo”

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Gloria Groove (Foto: Reprodução/Instagram @gloriagroove/ @rodolfomagalhaes)
Gloria Groove (Foto: Reprodução/Instagram @gloriagroove/ @rodolfomagalhaes)

Criado para marcar o combate à gordofobia, o Dia do Gordo, 10 de setembro, vem se tornando uma data cada vez mais importante não só pela militância gorda, mas por todos que exigem respeito por suas curvas.

Para falar sobre o tema, o Yahoo convidou Gloria Groove, que já desabafou diversas vezes sobre o preconceito sofrido pela pressão estética e usa sua voz para enfrentar ‘piadas’ em relação ao corpo.

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Gloria conta que desde criança a gordofobia é presente em sua vida. Ela destaca ainda que o preconceito é ainda mais cruel quando direcionado a um indivíduo LGBTQIA+, e diz que se tornar drag queen a ajudou a ressignificar diversos medos e traumas em relação ao corpo.

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“Sinto na pele desde bem cedo. Comecei a engordar por volta dos nove anos e, desde então, sempre foi aquela montanha-russa de engorda x emagrece. Apesar de lidar melhor com isso, vejo o quanto a pauta da gordofobia ainda é muito deixada para trás no suposto processo de ‘desconstrução’ que estamos vivendo”, critica a cantora.

A fama e os holofotes intensificam a pressão estética para os artistas. Com Gloria não foi diferente: “O primeiro impacto que tive foi a minha mudança na perspectiva, ou seja, o jeito que passei a analisar meu corpo. Num primeiro momento a imersão na cultura drag me levou a depositar novas expectativas no meu corpo, baseadas na expressão feminina comercial. Se livrar dessa teia de imposições é um processo quase diário, mas libertador. Vejo que cada vez mais corpos gordos vêm reafirmando suas identidades e reconhecendo sua beleza, o que me faz acreditar muito na mudança a curto e longo prazo.”

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‘Já me rendi a tratamentos intensivos de emagrecimento’

Gloria Groove, assim como boa parte das pessoas que não se sentem bem com o corpo em algum momento, já se rendeu a tratamentos dados como milagrosos para o emagrecimento.

“Acredito que como qualquer um, vivo uma jornada de admirações e insatisfações com meu corpo. Já me rendi a tratamentos ‘intensivos’ de emagrecimento em busca de entrar em algum padrão, e assumo que não me orgulho de todos. Nenhum deles se compara ao processo de autoaceitação. Ter que amadurecer essa questão e ainda lidar com o olhar do público tem sido um grande ensinamento”, destaca a artista.

Para a drag, que não descarta recorrer a procedimentos estéticos no futuro, as únicas modificações possíveis em seu corpo atualmente são as tatuagens: “Me divirto muito pensando em desenhos que vão adornar minha pele para sempre. Acredito que as tatuagens vêm desempenhando um papel importante na minha autoaceitação. Sobre procedimentos estéticos, nunca tive coragem de fazer, mas também não diria ‘nunca’”.

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Perdi incontáveis flertes por não sentir segura com meu corpo’

A gordofobia também esteve presente na vida amorosa de Gloria Groove. A artista lembra que demorou para ter uma relação de segurança com seu corpo: “Me atrapalhou muito. Perdi incontáveis chances de flerte por não sentir segurança na aparência do meu corpo. Fora os estigmas do mundo externo, constantemente nos colocando nas caixinhas de ‘amigo fofo’, ‘amigo engraçado’, as piadinhas… Além da gordofobia violenta e vexatória. Tudo dificultava um possível envolvimento romântico.”

As inseguranças também refletem na relação da drag com a nudez: “Essa relação está em constante transformação. Assumo que expôr meu corpo em drag foi como enfrentar meus próprios demônios. Foi como afirmar minha feminilidade e identidade. Por outro lado, hoje vejo como também é importante ressignificar a perspectiva sob o corpo de uma figura artística feminina. Ficar pelada é gostoso e eu adoro, mas jovens artistas podem oferecer muito mais do que somente o corpo. E eu amo.”

Gloria aproveita o Dia do Gordo e manda um recado reforçando a hashtag #GordofobiaNãoÉPiada, criada após polêmica recente com o humorista Leo Lins: “Nunca é piada se só você está rindo. Principalmente se o seu ‘humor’ só existe se tem bullying como pano de fundo. Sua piadinha destrói e mata.”

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