Glenn Close mostra suas credenciais para Oscar com 'A Esposa'

(Imagem: divulgação Alpha Filmes/Pandora)

Já foram seis indicações ao Oscar para Glenn Close. A sétima deve ser confirmada no dia 22 de janeiro, quando os finalistas da próxima edição serão conhecidos, pouco mais de um mês antes da cerimônia de entrega dos prêmios, em 24 de fevereiro. Sua performance em ‘A Esposa’, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, pode desbancar Lady Gaga (‘Nasce Uma Estrela’) e Olivia Colman (do ainda inédito ‘A Favorita’) e render a primeira estatueta de sua longa carreira.

A emoção que demonstrou ao ser surpreendida com o Globo de Ouro de melhor atriz, no último domingo, foi um dos assuntos da festa. “Este filme levou 14 anos para ser feito. Estava no projeto graças aos incríveis Kevin e Franklin [de sua equipe], que me apoiaram e disseram: “sim, essa história é ótima e temos que ficar com ela até que aconteça”. Se chamava ‘A Esposa’, acho que foi por isso que levou 14 anos para ser feito”, disse no palco, no início de seu discurso, de alto teor feminista.

O tempo entre o projeto surgir e finalmente ganhar vida acabou favorecendo o filme. ‘A Esposa’ estreia num momento em que as discussões sobre os papéis que homens e mulheres devem desempenhar perante à sociedade nunca foram tão debatidos. Sua personagem, Joan, é a companheira de um famoso escritor, Joe Castleman (Jonathan Pryce), que acaba de ser consagrado com o Prêmio Nobel de Literatura.

Quando ambos viajam para Estocolmo, onde Joe irá receber a honraria, fica clara a dinâmica do casal. Joan parece fadada a ficar na sombra de seu marido, reduzida a proposta de passeios em lojas e salão de beleza, enquanto ele recebe toda a atenção dos intelectuais presentes. Para completar, Joe tem o costume de flertar com mulheres mais novas, como a fotográfa que o acompanha.

Ao contrário do que possa parecer pela descrição, o filme escrito por Jane Anderson, inspirado em livro de Meg Wolitzer, não é o conto de uma mulher amargurada que resolve ir à desforra. Há um segredo entre os dois cônjuges que torna tudo mais complexo, uma espécie de pacto feito anos atrás que fez com que a relação tenha durado até ali. O roteiro não julga esta escolha, deixando a tarefa para o espectador.

Discreto, o diretor Björn L Runge sabe que o grande poder de ‘A Esposa’ está nas atuações. Por isso, deixa Glenn Close e Jonathan Pryce à vontade. O dueto é daqueles deliciosos de se ver, dois atores em pleno comando de habilidades, construindo situações que vão do afeto ao rancor em questão de instantes. Um casamento também é feito de momentos assim, afinal.