Gilmar Mendes ultrapassou limite da crítica, diz Mourão

Por Lisandra Paraguassu
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Brazil's Vice President Hamilton Mourao speaks during a news conference at the Planalto Palace in Brasilia,
Brazil's Vice President Hamilton Mourao speaks during a news conference at the Planalto Palace in Brasilia,

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta segunda-feira que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes "ultrapassou o limite da crítica" ao dizer que o Exército estava se associando a um genocídio na atuação do governo federal na epidemia do novo coronavírus.

"O ministro Gilmar Mendes não foi feliz, né. Aí eu vou usar como eu usei aí outro dia, uma linguagem do jogo de pólo. Ele cruzou a linha da bola ao querer comparar com genocídio o fato das mortes ocorridas aqui no Brasil, a pandemia, e atribuir essa culpa ao Exército porque tem um oficial general como ministro interino da Saúde", disse o vice-presidente em uma live do fundo Genial Investimentos.

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"Forçou uma barra aí e agora está criando um incidente com o Ministério da Defesa", acrescentou.

Mais cedo, em nota assinada pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e os comandantes das três forças, o ministério informou que irá acionar a Procuradoria-Geral da República para abrir uma representação contra Gilmar, e classificou a fala do ministro do STF de "leviana".

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"Acho que a crítica vai ocorrer, tem que ocorrer, ela é válida, mas o ministro ultrapassou o limite da crítica", disse Mourão.

No domingo, em uma live para tratar da resposta à epidemia organizada pela revista IstoÉ, Gilmar Mendes afirmou que era "preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável."

O vice-presidente comentou ainda o distensionamento que vem ocorrendo nas últimas semanas entre o Executivo e o Judiciário. Mourão reconheceu que houve um período "conturbado", mas afirmou que o presidente Jair Bolsonaro escalou seus ministros da área jurídica para "construir pontes" com o STF, e a situação melhorou.

Da mesma forma, disse, o presidente entendeu que precisa ter uma base no Congresso. "Então a aproximação com partidos de centro eu considero sadia e correta. A partir disso foi se melhorando esse relacionamento, que tinha se deteriorado", afirmou.

Por Lisandra Paraguassu - da Reuters, em Brasília