Gilberto Gil se emociona ao falar sobre Gal Costa: "Grandeza e abrangência"

Gilberto Gil se emociona ao lembrar de Gal Costa (foto: Reprodução / GloboNews)
Gilberto Gil se emociona ao lembrar de Gal Costa (foto: Reprodução / GloboNews)

Resumo da Notícia:

  • Gilberto Gil conheceu Gal Costa nos anos 60

  • Os artistas fizeram parte do grupo Doces Bárbaros

  • Uma das filhas de cantor, Preta Gil, é afilhada de Gal

Gilberto Gil tentou segurar a emoção, mas não conseguiu. O artista chorou ao conversar com Andréia Sadi e os comentaristas do “Estúdio I”, da GloboNews, nesta quarta-feira (9). Eles lembravam momentos e histórias de Gal Costa, que morreu aos 77 anos em São Paulo.

Ao entrar no ar, ao lado de Caetano Veloso, o veterano da música contou que tentou se controlar quando recebeu a trágica notícia nesta manhã. “Com a compreensão da grandeza e da abrangência dela, do que ela fazia e da música que ela representava. Da comoção que foi se revelando no país inteiro. Eu fui ficando muito assim...", afirmou, já aos prantos.

Com dificuldade para falar por conta da emoção, ele lembrou que brincava com a artista que se tratavam como uma dupla caipira. “A gente brincava que era Jiló e Gaúcha", disse rindo.

Questionado sobre como se conheceram, nos anos 60, Gil lembrou com delicadeza. “Ela apareceu quando eu também apareci, Caetano apareceu, nós todos nos aparecemos para todos nós. Tudo por causa de João [Gilberto], da bossa nova”, explicou.

Gil voltou a chorar ao lembrar da música “Viagem Passageira”, que fez para Gal após ela reclamar que não tinha uma música dele para um álbum anterior. “Fiz essa sobre esse sentido passageiro da vida, a mochila de vivências que a gente carrega nas costas. Ela cantou com sentimento mesmo, profundo, que é o tema da canção. Era como ela cantava mesmo. Muito doce, sempre leve, não tinha peso”, completou emocionado.

Quem foi Gal Costa?

Nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos em Salvador, na Bahia, em 1945, Gal Costa sempre foi incentivada pela mãe a seguir carreira na música. Já o pai, morto em sua adolescência, foi uma figura ausente.

No começo da vida adulta, ela trabalhou como balconista de uma loja de discos na capital baiana, a Roni Discos, uma das principais da cidade. No início dos anos 1960, foi apresentada a Caetano Veloso, encontro a partir do qual foi criado um vínculo pessoal a artístico que perduraria até sua morte.

Gal foi uma revolução das vozes e dos costumes na música brasileira desde seu surgimento na cena nacional, nessa mesma década

Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)
Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)

Aproximou-se ainda adolescente aos também baianos Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, com quem integraria o grupo conhecido como Doces Bárbaros, responsável mais tarde por um disco definidor da década de 1970.

Tinha ainda pouco mais de 20 anos quando participou do álbum "Tropicália ou Panis et Circencis", pedra fundamental do movimento tropicalista. Logo depois, em 1971, fez um dos espetáculos de maior repercussão da história da MPB, "Fa-Tal", que viraria também um álbum cultuado.

Em 1977, o LP "Caras e bocas", que incluiu a canção "Tigresa", do cantor Caetano Veloso, marcou sua carreira pelas excelentes críticas. Em 1980, ganhou seu terceiro Disco de Ouro, com o LP "Aquarela do Brasil", no qual gravou somente músicas de Ary Barroso.

A partir da segunda metade dos anos 1990, Gal Costa passou a reler suas antigas gravações e sua voz foi se tornando cada vez mais popular por canções como "Modinha para Gabriela", sucesso estrondoso de Dorival Caymmi que abria a novela da Globo inspirada em Jorge Amado, e por hits reunidos no álbum "Água Viva", de 1978, como "Folhetim", de Chico Buarque, e "Paula e Bebeto", de Milton Nascimento e Caetano.

Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)
Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)

Foi nesta fase que a cantora se incorporou mais ao mainstream das grandes redes e rádios, começando a se descolar da imagem de ícone da subversão tropicalista. A parceria com Caetano nunca esmoreceu, mas Gal passou a tirar seus hits de compositores de correntes diversas, como Chico — "A História de Lily Braun", "Futuros Amantes"— , Djavan, de "Azul" e "Nuvem Negra", e Moraes Moreira, de "Festa do Interior".

Nos últimos anos, a cantora quebrou um jejum que usara para se dedicar à família para lançar álbuns elogiados como "Recanto", de 2012, a homenagem a Lupicínio Rodrigues, uma de suas grandes influências, em 2014, e "Estratosférica", de 2016.

Mais recentemente ela vinha se unindo a vozes em ascensão como maneira de redescobrir sua música e prestar homenagem às novas gerações. Gravou o sucesso "Cuidando de Longe" com a sertaneja Marília Mendonça, morta há um ano, e o álbum "Nenhuma Dor", em que cantava alguns dos maiores sucessos de sua vida ao lado de nomes com Tim Bernardes, Seu Jorge, Criolo e Jorge Drexler.

com informações das agências Folhapress, O Globo e BBC Brasil