Gianecchini é vilão em 'Bom Dia, Verônica 2', com Tainá Müller e Klara Castanho

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 18.05.18: O ator Reynaldo Gianecchini no Jantar de Gala do Graacc, em São Paulo (SP). (Foto: Marcus Leoni/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 18.05.18: O ator Reynaldo Gianecchini no Jantar de Gala do Graacc, em São Paulo (SP). (Foto: Marcus Leoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um falso profeta, que promete aos milhares de fiéis que vão ao seu templo a cura para diversas mazelas. Quando identifica uma mulher vulnerável, convida a moça para um tratamento especial —mas tudo não passa de fachada para uma rotina de abusos sexuais e psicológicos.

A descrição nos remete quase que instantaneamente a João Teixeira de Faria ou João de Deus, condenado a 19 anos de prisão por crimes sexuais. Mas ela também serve para apresentar um dos novos personagens da segunda temporada de "Bom Dia, Verônica", que chega à Netflix nesta semana.

Nos episódios, Reynaldo Gianecchini interpreta Matias Carneiro, uma espécie de pastor que seleciona mulheres desamparadas em sua igreja e as leva para casa, onde as estupra durante um ritual no qual seria capaz de curar cânceres e outras doenças.

"Não sei se o caso do João de Deus foi um norte para a série, mas é óbvio que a lembrança está lá. De vários casos que aparecem o tempo inteiro, na verdade, de outros abusos relacionados ao jogo de poder. Referência não falta, infelizmente", diz Tainá Müller, a protagonista.

"É louco porque a gente vê isso acontecendo em várias vertentes de religião, há professores de ioga que criam séquitos e se revelam abusadores. Então na série há uma licença poética para juntar várias referências. O importante é frisar que essa questão de abuso nada tem a ver com uma religião em si."

Em "Bom Dia, Verônica", o personagem de Gianecchini é visto liderando cultos que se assemelham aos dos templos evangélicos —mas ele preside um orfanato que tem como padroeiros os santos católicos Cosme e Damião, também relacionados a religiões afro-brasileiras, e seu dito processo de cura se assemelha a ritos espíritas.

A série não quer cutucar uma ferida específica, mas várias ao mesmo tempo, como já havia feito na primeira temporada, em que seguiu um serial killer que batia na mulher e matava outras que encontrava em rodoviárias de São Paulo. O tema da violência doméstica, agora, dá espaço à sexual —mas sem deixar de lado o abuso psicológico, perpetrado por boa parte dos personagens masculinos de "Bom Dia, Verônica".

Segundo Müller, o sucesso da primeira temporada se deve justamente à capacidade da trama, criada pela dupla de autores Ilana Casoy e Raphael Montes, de arranhar a realidade de quase todos os brasileiros. Não é difícil, afinal, conhecer ou ser você mesmo uma vítima de algum tipo de violência contra a mulher.

Ao final da primeira temporada, Verônica descobre uma máfia perigosa que há anos infiltra seus membros no sistema —ela treina as crianças do orfanato que administra para que se tornem juízes, delegados, políticos e por aí vai. Todos trabalham em conjunto num negócio milionário que envolve todo tipo de crime, de desvio de dinheiro a tráfico humano.

Os novos episódios revelam a identidade do chefão mafioso, o personagem de Gianecchini, que tem uma vida digna de comercial de margarina, um verdadeiro escudo contra qualquer denúncia que apareça contra ele.

Sempre vestindo tons claros para potencializar seu perfil de homem acessível e bondoso, ele ostenta a família em todo canto —a mulher, papel de Camila Mardila, e a filha, Klara Castanho, ajudam a acobertar seus crimes, apesar de, elas também, serem vítimas daquela situação.

Müller acaba de subir aos palcos com Gianecchini para encenar uma adaptação do filme "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" e diz ser uma felicidade poder atuar de novo com o amigo. A parceria com Castanho, também, é uma repetição —as duas dividiram camarim na novela "Revelação", exibida pelo SBT em 2008, quando a segunda atriz tinha só oito anos. "A Klarinha é muito dedicada, vocacionada, ela está brilhante", diz Müller.

Quando Castanho tornou público o fato de que foi vítima de um estupro, em junho, depois de uma gravidez ter sido exposta por jornalistas e influenciadores, correram boatos de que a Netflix dosaria algumas de suas cenas na série —isso porque a relação de pai e filha, em cena, é abusiva. A informação, no entanto, foi desmentida pelo streaming.

Tainá Müller agora espera que uma terceira temporada de "Bom Dia, Verônica" seja confirmada. A missão da personagem, que ela chama de "quixotesca", afinal, parece estar longe de terminar. "Eu torço muito para que essa mulher encontre a cura para os seus traumas, o que é curioso, porque na nova temporada é justamente essa busca que o Matias usa para fazer novas vítimas."

BOM DIA, VERÔNICA (2ª TEMPORADA)

Quando Estreia nesta quarta (3), na Netflix

Classificação 18 anos

Elenco Tainá Müller, Reynaldo Gianecchini e Klara Castanho

Produção Brasil, 2022

Criação Raphael Montes e Ilana Casoy.

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