Geisy Arruda se lança na literatura erótica: “Fetiche vai além de papai e mamãe”

Geisy Arruda agora é escritora de contos eróticos (Foto: Reprodução/Instagram@geisyarruda)

Por Felipe Abílio (goabilio)

Conhecida nacionalmente por ter sido hostilizada há 10 anos em uma universidade de São Paulo, Geisy Arruda vai comemorar sua primeira década na mídia de maneira ousada: entrando para o mundo da literatura adulta. Até o final deste mês, a modelo promete liberar os 11 contos eróticos escritos por ela e um ensaio sensual exclusivo formatados em um ebook.

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Empolgada com a nova empreitada, a empresária conta que está trabalhando na obra há pelo menos seis meses.

"Sempre gostei de conteúdo adulto, filmes, contos, sempre consumi. Há um tempo comecei a ler livros sobre sexo e a escrever algumas experiências minhas por hobby. Abordava os temas, fazia enquete com os meus seguidores e eles ficavam cobrando, querendo que eu compartilhasse os contos."

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Mentora principal de vários feitos de sua carreira, como o lançamento de uma biografia, linha de vestidos e até de shampoo, Geisy viu a agora a oportunidade de desmistificar o sexo através da literatura para o público que a segue. Só no Instagram ela é acompanhada por mais de 1,5 milhão de pessoas.

"Comecei a escrever contos reais com base nas minhas experiências, acho que todo mundo que começa a escrever contos eróticos vai por essa linha mesmo. Depois que o livro foi planejado e deixou de ser hobby para virar um trabalho, tive que criar alguns contos fictícios que nunca vivenciei, mas que acho muito interessante."

Para trazer conteúdo além do que já tinha vivido, Geisy se jogou nos estudos sobre fetiches e outras práticas sexuais, como o BDSM e a inversão, quando a mulher faz papel de ativo na relação heterossexual.

"A inversão, por exemplo, é uma das práticas sexuais de menor público, não é todo mundo que faz, mas tem um conto sobre isso. Me permiti ousar mais e entrar em outros mundos para trazer isso para o leitor. Tem uma história sobre uma mulher que foi traída e vira uma camgirl. Tive que assinar sites, entrar com perfis masculinos e frequentar essas salas camuflada para que pudesse entender melhor como funciona."

Geisy não mira em um público específico e acredita que todo mundo deveria se dar a oportunidade de consumir conteúdos adultos para melhorar a própria vida sexual.

"Inversão, beijo grego, dupla penetração, corninho, as pessoas não conhecem porque não fazem e vira um tabu. Não gosto da palavra preconceito, quero fazer com que as pessoas olhem para essas práticas sexuais sem preconceito, quero que elas leiam e entendam que você pode até não curtir, mas precisa respeitar. Espero que comprem o livro, gostem e descubram coisas novas em relação a fetiche, que vai muito além do papai e mamãe."

O Mundo da Voltas

A noite de 22 de outubro de 2009 jamais será esquecida por Geisy. Pronta para mais um dia comum na faculdade onde estudava turismo, ela escolheu um vestido rosa decotado nas costas para assistir à aula. A ideia era tomar um drinque com as amigas depois das atividades. Mas o que era para ser uma noite de diversão se tornou um pesadelo. Um grupo de rapazes mexeu com a estudante por conta da roupa que ela estava usando, gerando uma comoção generalizada. 

Geisy foi xingada, humilhada e precisou sair escoltada pela polícia da Instituição. Dias depois, ela acabou sendo expulsa da Uniban, que alegou que a aluna tinha desrespeitado a moralidade e a dignidade acadêmica por causa do comprimento do vestido. Com a repercussão do caso, eles voltaram atrás, mas o estrago já havia sido feito. Geisy não só não voltou a frequentar as aulas, como processou a instituição e ganhou R$ 40 mil reais por danos morais.

"Nos primeiros dias me senti culpada, tentei pensar e repassar aquela noite na minha cabeça várias vezes sobre o que teria feito de errado. Pensava que se tivesse ido com uma calça jeans, uma roupa mais fechada aquilo não teria acontecido. Só depois que tive discernimento para entender que eu fui a vítima. Essa ideia de que a mulher coloca roupa sexy só para se insinuar é uma das afirmações mais retrógradas e machistas da vida."

Acuada e totalmente vulnerável, Geisy começou a receber convites de entrevistas para esclarecer a polêmica. No primeiro momento, ela ficou ainda mais assustada, mas depois viu a oportunidade de usar a mídia a seu favor.

"Fui exposta a um ato de bullying e preconceito enorme que me fragilizou muito como pessoa e uma mulher de apenas 19 anos, mas não me destruiu. Tive uma segunda chance para ter uma vida melhor, me reconstruir, dar a volta por cima e agarrei todas as minhas oportunidades, não afundei junto com o barco. Me considero uma sobrevivente do sistema e do preconceito. Sou um exemplo para mulheres que querem ter liberdade sobre o seu corpo, sobre a sua sexualidade, querem falar e fazer sexo abertamente. Graças ao meu caso as pessoas começaram a rever mais o comportamento delas, fiz com que as pessoas parassem para conversar sobre aquilo."

Youtuber de sucesso

Além de seu perfil no Instagram bombado, Geisy também tem mostrado seu talento à frente das câmeras. Carismática, ela já participou de coberturas televisivas como repórter em especiais e carnavais em emissoras de TV, mas decidiu criar seu próprio canal no Youtube. Com o seu “Ponto G”, Geisy fala abertamente sobre assuntos sexuais, beleza corporal como cirurgias plásticas e até entrevista convidados famosos. O canal já tem mais de 60 mil inscritos e Geisy pretende investir cada vez mais na plataforma.