O legado de ‘Game of Thrones’ irá sobreviver ao final decepcionante?

(Imagem: divulgação HBO)

Daqui algum tempo, quando a poeira do último episódio enfim baixar no coração dos fãs, qual será o lugar que ‘Game of Thrones’ irá ocupar na cultura pop? Será lembrada como a série épica que bateu recordes de audiência por oito temporadas ou descartada como exemplo de como anos de expectativas criadas por seus fervorosos entusiastas foram frustradas ao longo de uma temporada final para lá de irregular?

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Uma coisa, porém, parece certa. Nunca haverá outra série como esta. Afinal, na era do streaming, no qual as produções são lançadas com todos os episódios de uma vez só e o espectador escolhe quando e em qual ritmo acompanhar a trama, é improvável que se repita o fenômeno de ter boa parte do mundo compartilhando a experiência de ver o destino de personagens de ficção ao mesmo tempo, como aconteceu nos domingos passados.

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Lançada em 2011, ‘Game of Thrones’ logo de cara mostrou que não era apenas uma herdeira de histórias de fantasia nos moldes da franquia ‘O Senhor dos Anéis’. Apesar de ter como pano de fundo um mundo mágico em que dragões voam e personagens voltam da morte, as cenas de sexo e de violência, além da intrincada trama política, demonstravam um desejo de falar com o público adulto. A morte do protagonista no final da primeira temporada, Ned Stark (Sean Bean), deu o aviso de que ninguém estava a salvo e que tudo poderia acontecer dali em diante.

Pautas pegaram carona na série

Motivos da evolução de Sansa Stark foram criticados por feministas recentemente (Imagem: divulgação HBO)

De lá para cá, a série da HBO entrou no vocabulário mundial e virou referência para diversas pautas. O então deputado federal Jean Wyllis usou a trama criada por George R. R. Martin para fazer analogia com o contexto dos partidos brasileirosteorias surgiram sobre os White Walkers serem uma metáfora para a ameaça do aquecimento global e as mulheres de Westeros se tornaram exemplo de empoderamento feminino - algo que foi sendo usado pela opinião pública conforme a conveniência, até ser rejeitado de vez com as críticas a uma fala de Sansa (Sophie Turner) no antepenúltimo episódio e ao destino de Daenerys (Emilia Clarke).

É difícil mensurar o quanto destes significados encontrados pelos fãs estavam mesmo na mente dos criadores David Benioff e D.B. Weiss quando conceberam a série, partindo da obra escrita por Martin e ainda não finalizada totalmente. Iniciantes no formato, ambos de repente se viram com a maior série da década em suas mãos e, nas últimas temporadas, tiveram que criar um final sem os livros para se inspirar. Talvez isso explique as decisões discutíveis vistas nas temporadas finais.

Passado e futuro

Cena do Casamento Vermelho, durante a terceira temporada. (Imagem: divulgação HBO)

Ainda assim, ‘Game of Thrones’ deixa para a história alguns dos momentos mais marcantes da televisão. O Casamento Vermelho e a Batalha dos Bastardos, por exemplo, foram pontos altos que combinaram tensão, impacto narrativo e técnica impecável. Por conta disso, dá para dizer que a série termina com saldo positivo.

No entanto, o gosto amargo de frustração deixado pelo desfecho pode ter influência em como a marca será encarada daqui para frente. Por um lado, é possível que quando Martin finalmente publicar os livros com sua versão para o final da saga, muita gente vá às lojas na esperança de uma conclusão que julgue mais satisfatória. Por outro, as séries derivadas que a HBO planeja fazer contando histórias passadas dos Sete Reinos já não gerem tanto interesse numa base de fãs extremamente decepcionada.

Seja como for, o debate sobre ‘Game of Thrones’ não tem hora para acabar.