Gal Costa inaugura tenda do Pacaembu cantando 'Brasil' e ouvindo 'Fora, Bolsonaro'

*ARQUIVO* Sao Paulo, SP, 11-09-2019: Gal Costa. (Foto: Lucas Seixas/Folhapress)
*ARQUIVO* Sao Paulo, SP, 11-09-2019: Gal Costa. (Foto: Lucas Seixas/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Foi com "Ponta de Areia" e "Fé Cega, Faca Amolada", que a cantora Gal Costa marcou a inauguração do Pavilhão Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, na noite deste sábado (30).

Gal subiu ao palco com cerca de 45 minutos de atraso para iniciar o espetáculo "As Várias Pontas de uma Estrela". Nele, a cantora se debruça sobre clássicos de seu repertório, com canções de Chico Buarque, Caetano Veloso e Milton Nascimento - o autor das músicas que abriram o show.

Parte do repertório também integra seu último álbum de estúdio, "Nenhuma Dor", lançado em 2020 com parcerias da cantora baiana com outros músicos.

Entre uma canção e outra, a cantora troca algumas palavras com o público. Como em "Estrada do Sol", que Gal contou que foi composta por Tom Jobim e Dolores Duran nos anos 1950, mas que "parece que foi feita para os dias de hoje", disse em referência ao relaxamento das medidas sanitárias de prevenção a Covid-19. A letra traz os seguintes trechos: "Quero que você me dê a mão vamos sair/ Por aí sem pensar no que foi que sonhei que chorei, que sofri/ Pois a nova manhã/ Já me fez esquecer".

Depois de uma dobradinha de canções sobre maternidade - com "Gabriel", para seu filho, e "Mãe", de Caetano Veloso -, o clima esquentou. A cantora emendou hits como "Cravo e Canela", de Milton Nascimento, "Açaí", de Djavan, e "Lua de Mel", de Lulu Santos, e o público, até então mais contido, acordou e começou a fazer coro para a cantora. "Que bonitinho", ela riu, enquanto a plateia entoava a romântica "Sorte".

No finzinho do show, boa parte do público já estava em pé, cantando e dançando "Maria, Maria". Nesse momento, houve quem ensaiasse puxar um tímido coro pró-Lula.

A deixa para o comentário político por parte da plateia veio no encerramento da apresentação, com "Brasil". "Vou cantar uma música agora que eu queria muito conseguir tirar do roteiro, mas eu não tô conseguindo porque o Brasil não está deixando", disse. Ela então saiu do palco, e o público se despediu depois de puxar gritos de "Fora, Bolsonaro".

Instalado no gramado do Complexo Pacaembu, o espaço tem 4.000 m² e capacidade para receber até 9.000 pessoas. O local irá abrigar uma extensa programação cultural, enquanto o estádio, que ficará sob gestão da concessionária Allegra por 35 anos, passa por reformas de modernização e restauro.

A ideia é que pavilhão apresente ao público um pouco do que será o centro de convenções que está em construção embaixo do estádio - e que terá a mesma capacidade de público da tenda.

Na estrutura, uma enorme tenda, um piso cobre o gramado. Para o show deste sábado, foram espalhadas mesas para acomodar a plateia de 3.000 pessoas. Luzes, telões e balões infláveis compunham a decoração do evento. Um bar com chopes da cervejaria artesanal Avós e drinques clássicos abastecia o público.

A cozinha será assinada pelo Bar da Dona Onça, da chef Janaina Rueda, com petiscos como pastéis, croquetes e coxinhas. Mas a comida acabou antes mesmo que Eduardo Barella, CEO da Allegra Pacaembu, subisse ao palco para o discurso de inauguração do espaço, com mais de meia hora de atraso - show estava marcado para as 21h.

Segundo a assessoria da casa, as refeições não seriam servidas durante o espetáculo. Mas também foram relatados atrasos em relação à entrega das bebidas - a reportagem ouviu reclamações da demora de mais de uma hora na entrega dos drinques, por exemplo.

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