Gal Costa homenageia Rita Lee e joga seguro em segunda live pandêmica

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*ARQUIVO* São Paulo, SP, BRASIL, 11-09-2019: Gal Costa. (Foto: Lucas Seixas/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, BRASIL, 11-09-2019: Gal Costa. (Foto: Lucas Seixas/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Gal Costa retornou à tela do YouTube nesta sexta (28) para sua segunda live pandêmica. Ela homenageou Rita Lee, que recentemente foi diagnosticada com um câncer, falou sobre o período "tenebroso" da ditadura e cantou, segura, clássicos de seu repertório.

A nova apresentação veio, de certa forma, para compensar as trapalhadas da anterior. Em setembro do ano passado, ela comemorou seus 75 anos cantando em transmissão direto da Casa de Francisca, em São Paulo, mas o show não saiu como o esperado.

Na ocasião, Gal pareceu estranhar o formato sem pausas, e também ficou um pouco perdida nas estripulias da diretora Laís Bodanzky. A performance, naturalmente, acabou afetada, conforme Gal sentia calor e perguntava por intervalos.

Desta vez, o show foi comandado por Marcus Preto, que também faz a direção artística da carreira da cantora. O palco da live, no Teatro Bradesco, em São Paulo, fez a live parecer a filmagem de um show comum --"apenas" com a falta de público.

Gal, agora, pareceu totalmente à vontade, toda de preto, séria e concentrada nas performances, desfilando os vocais agudos que a tornaram uma das maiores cantoras da nossa cultura. Ela repetiu algumas músicas da apresentação anterior, agora em sintonia mais adequada, incluindo clássicos como "Baby" e "Folhetim".

A banda, formada novamente por Pedro Sá (violão) e Fábio Sá (baixo), desta vez teve Vitor Cabral na bateria. Em vez da abordagem quase acústica da live anterior, agora ela flertou com momentos roqueiros, alternados com outros mais suaves.

O repertório também passou por "Só Louco" e "Negro Amor" --tradução de Bob Dylan feita por Caetano Veloso--, entre outras faixas que ela regravou em "Nenhuma Dor", seu disco mais recente, lançado este ano. De seus últimos álbuns de inéditas, cantou "Quando Você Olha Pra Ela", presente em "Estratosférica", de 2015.

Uma das surpresas foi a roqueira "Bem Me Quer", homenagem a Rita Lee. Depois de dedicar a live às mulheres, ela disse que a "canção foi escrita por uma das mulheres que mais admiro nesse país. Aposto que você concordam comigo".

É fato que a voz de Gal não soa como há 50 anos --época do show "Fa-tal"--, quando sua estridência e alcance eram marcas quase inatingíveis. Ainda assim, é possível reconhecer a cantora disruptiva e elétrica mesmo aos 75 anos, como quando ela balbucia livremente em "Vapor Barato" --composição de Jards Macalé popularizada por Gal em "Fa-tal".

Ela lembrou exatamente deste período, entre o fim dos anos 1960 e o começo da década seguinte, em uma de suas falas. Disse que queria relembrar "uma época tenebrosa da ditadura militar".

"É inadmissível que hoje, 50 anos depois, a gente volte a precisar dessa mesma força. Mas força a gente tem, e a gente arruma. E não há de haver quem nos derrube."

Nessa seção do show, Gal cantou "Pérola Negra", de Luiz Melodia, e "Divino Maravilhoso" --do verso "é preciso estar atento e forte"--, entre outras. Em entrevista recente ao jornal Folha de S.Paulo, a cantora criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Tá muito difícil com Bolsonaro. Fora Bolsonaro", disse. "Na pandemia, ficou evidente a miséria e a pobreza. Todo governo tem obrigação de cuidar dos mais pobres, do bem-estar e da saúde do povo."

Antes de o show acabar, ela ainda cantou "Brasil", composição de Cazuza adequada ao momento de crítica, e se despediu sem muita cerimônia. Se agora a qualidade de som e imagem não decepcionaram, o show foi um tanto mais protocolar que a live anterior, quando ela recebeu homenagens e chegou a chorar.

Desta vez, Gal parecia estar lendo tudo o que disse entre as músicas, o que parece uma resposta segura à apresentação de setembro. Em termos de performance, foi uma redenção --mesmo que ela não precisasse disso.

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