Gabriela Pugliesi: o sonho de ser mãe não é tão simples quanto parece

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Gabriela Pugliesi abriu o jogo sobre seu sonho de ser mãe nos Stories (Foto: Reprodução /Instagram)
Gabriela Pugliesi abriu o jogo sobre seu sonho de ser mãe nos Stories (Foto: Reprodução /Instagram)

Gabriela Pugliesi virou assunto mais uma vez na última semana, mas por um tema muito diferente do que foi no ano passado. Dessa vez, em um vídeo bastante íntimo, ela fala sobre a separação do marido, Erasmo, e o sonho de ser mãe.

O mundo mudou, e isso é inegável. Hoje em dia, o assunto "maternidade" tem muitas nuances que não ficavam tão claras antes. Uma delas é não só a escolha por engravidar mais tarde - entenda-se: depois dos 30 -, como também de optar por não ter filhos.

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No vídeo, o que tocou as seguidoras da influenciadora foi ela abrir o jogo sobre como o processo de engravidar nem sempre é simples. Aos 35 anos, Gabriela passou por muitos tratamentos e procedimentos e fez uma terapia hormonal que mexeu tanto com o seu corpo quanto com o seu emocional. Tudo isso para, até então, não ter um resultado positivo.

Some a isso, agora, a sua separação do marido, com quem ela sonhava em ser mãe. Pugliesi, felizmente, vê tudo o que aconteceu por um viés positivo, de aprendizado, e entende que o momento, de fato, não era para engravidar. "As coisas acontecem por um motivo", ela diz.

O que tornou o vídeo tão comentado nas redes sociais foi a influenciadora ser tão transparente sobre o seu desejo de começar uma família e sobre ter decidido congelar os óvulos para garantir que isso ainda aconteça no futuro - como dito acima, Gabriela tem 35 anos e sente que essa é a melhor decisão a se tomar para garantir a realização do seu sonho quando se sentir verdadeiramente pronta.

A opção é válida e não é nova. A técnica de congelamento de óvulos existe há mais de uma década, mas, aparentemente, viu um boom de crescimento em buscas nos últimos tempos. Quem monitora as clínicas especializadas no procedimento é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, no entanto, não existem registros dos números de óvulos congelados anualmente, apenas de embriões.

Para quem não sabe (ou não lembra) da diferença, é a seguinte: óvulos são as células reprodutivas femininas, que ficam nos ovários. Já um embrião é formado a partir da fecundação de um óvulo por um espermatozoide. E, segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões de 2017, houve um aumento de 13% em relação ao número de embriões congelados em comparação com o ano anterior, 2016. Isso indica que mais pessoas estavam interessadas em manter a possibilidade de ter um bebê no futuro - e não necessariamente naquele momento.

As questões que envolvem o desabafo de Pugliesi são muitas - o congelamento de óvulos é apenas uma das suas camadas. Existem casos de muitas mulheres, algumas famosas, como a roteirista Shonda Rhimes, que decidiram ser mães independentemente de estarem ou não em um relacionamento estável - e essa é uma escolha que, realmente, não precisa de um homem para acontecer. A inseminação artificial e até a adoção são opções válidas para a mulher que, realmente, deseja ser mãe. Karina Bacchi que o diga!

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Um ponto que vale a reflexão é como a sociedade estipula um ideal de família que, ainda hoje, gera muita frustração em quem busca um final feliz. A dificuldade em encontrar um parceiro compatível, com quem construir um relacionamento saudável e que também queira uma família é um ponto. Outro é a dificuldade de criar uma criança em tempos tão complexos e o fato de essa carga cair, quase 100% do tempo, na cabeça das mulheres (é a tal "carga mental").

Por fim, mas não menos importante, tem a própria idade que é um fator complexo quando se fala no sexo feminino. Socialmente falando, mulheres acima dos 30 têm menos apelo do que as de 20 (a fixação com a juventude feminina segue firme, apesar de parecer afrouxar as rédeas nos últimos anos). E o corpo, por si só, tem um ciclo e um ritmo que, a dado momento, não se vê mais capaz de gerar um bebê sem ajuda externa (como algum tipo de tratamento ou estímulo), o que gera cansaço e estresse por si só.

Com um parceiro ou parceira, ou de forma solo, ser mãe ainda é um sonho para muitas mulheres, mas segue sendo muito mais complexo do que se pensa. O ideal de "família margarina" ainda persegue muitas de nós e a ideia de que não será possível construir uma família junto com alguém que amamos, do jeito que idealizamos é igualmente frustrante.

A empatia com Gabriela é o que levou o vídeo a viralizar, assim como sua coragem - sim, porque exige coragem - em decidir manter a possibilidade de gravidez aberta no futuro, seja com um próximo amor, que tope essa jornada em conjunto, seja de maneira independente. Daqui, só podemos estender o olhar de compreensão que o discurso merece.

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