Sem estereótipo! Gabriela Prioli rompe padrões de batom rosa, salto alto e discutindo política

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Gabriela Prioli, advogada criminalista, comentarista política da CNN Brasil, professora universitária, colunista do jornal "Folha de São Paulo", garota-propaganda da "Quem Disse Berenice", entre outras marcas, amiga da Anitta e “Youtuber, linda e fashion” como está no seu Instagram.

"Tem uma história por trás disso, calma. Tenho uma prima de 4 anos e ela pegou o celular da mãe e saiu correndo e filmando, e o vídeo dela fala assim: 'Oi gente, eu sou youtuber, sou linda e fashion'. Então, postei na minha bio. No geral, minha bio é outra coisa, mas foi uma brincadeira, mas tudo bem. Sou youtuber, linda e fashion também, se vocês quiserem", explica aos risos na chamada de vídeo com a reportagem. Está aí outra característica da paulistana de Pirituba, na Zona Oeste da capital, ela é animada, espontânea.

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Aos 35 anos, Gabriela não tem nada de óbvia, e nem tente encaixa-lá em alguma 'caixinha' ou padrão por conta de sua aparência física, de suas roupas - fashionista que fala, né? - ou acessórios, e claro, o fato de ser mulher.

“Quando posto uma foto e vejo as pessoas me questionando: 'ela postou uma foto de roupa ou então uma foto na praia de biquíni' ou 'ela está falando de dia a dia' e por isso acho que ela não pode ter um pensamento mais profundo ou me dizer uma coisa mais séria sobre política’, é claro que em algum momento isso te fragiliza . Será que devo insistir nisso? Mas o que aprendi com a maturidade é que a única existência possível pra mim é a minha existência”, afirma Gabriela, que inúmeras vezes ouviu, e ainda hoje escuta o que deveria fazer. 

Quando digo que gosto das minhas roupas exuberantes, faço questão de enfatizar que a forma como me visto não é mais um padrão. É o inverso: cada um se vista como quiser, que faça o que quiser.afirma Gabriela Prioli

Por que insistimos sempre nos rótulos para algo ou alguém? Uma mulher é menos inteligente porque é bonita, posa de biquíni ou roupas tidas como 'chamativas'? O que vestimos, assistimos, ouvimos nos define por completo? É preciso ser assim ou assado para ser aceito ou respeitado? Usamos a mesma régua quando falamos de um homem que conduz uma empresa ou um telejornal? Dizemos que ele não será respeitado se vestir uma camisa mais chamativa, se aparecer ao lado de amigos se divertindo? 

O lugar restrito e de silenciamento quando se é mulher

“Já ouvi que ia ter que usar cores sóbrias pra conseguir ser valorizada ou ser respeitada dentro da advocacia. Que eu jamais ia poder usar os meus sapatos em um canal de notícias, como é a CNN. Aliás, ouço até hoje que o fato de eu usar os meus brincos ou o meu batom ou o meu penteado ou as minhas roupas é muito ruim porque é óbvio que estou querendo chamar a atenção”, conta a comentarista política e jurídica, que possui quase 2 milhões de seguidores em suas redes sociais e faz questão de usar sua influência como ferramenta de informação. Sai academiquês entra a comunicação direta e assertiva da advogada. Política é debate, debate é diálogo.

Quando você é mulher, e principalmente com estes assuntos ligados tradicionalmente ao feminino, e aí consequentemente desvalorizados porque ligados ao feminino, a gente sempre ouve que precisa andar num espaço muito estreito

"Tinha dificuldade de me reconhecer em uma relação abusiva"

No Yahoo! Entrevista desta semana, Gabriela ainda relembra as relações abusivas que vivenciou mais de uma vez até aceitar que sim, pode até ser uma "mulher difícil", - como a sociedade prefere classificar mulheres que estabelecem limites e expõe vontades e opiniões -, mas como lembra a psicóloga Clarissa Pinkola Estés em "Mulheres que Correm com os Lobos", não ser boazinha é se proteger e proteger a nossa espécie. Ou seja é preciso. E foi ao se apropriar de sua força, ou seja, de si mesma que a advogada entendeu que assertividade não é agressão. E Gabi, você não sabe, mas seu conselho bateu como certeiro em mim.

"Tinha dificuldade de me reconhecer em uma relação abusiva, principalmente pela questão da violência psicológica. O fato de eu ser uma mulher forte e eu ter crescido a vida inteira com resistências na minha personalidade... no geral não me submeto aos padrões, tento alterá-los e as pessoas não reagem bem a esse tipo de tentativa. Então, a vida inteira fui chata, a vida inteira fui histérica, a vida inteira fui louca, a vida inteira fui grossa, a vida inteira fui uma mulher difícil."" 

"E aí, estava nesses relacionamentos, e o que eu ouvia dos meus parceiros era exatamente isso: que eu era louca, que eu era histérica, que eu era chata. E que portanto, o meu comportamento justificava que eles agissem daquela maneira", conta.

"Meu antídoto contra essas relações foi poder conseguir me apropriar de quem eu era, falar: 'Sou essa pessoa, e não, não tô sendo grossa, estou sendo assertiva, e não, eu não estou sendo chata, estou sendo profissional. E não, eu não tô histérica, só quero ter espaço pra que eu possa me manifestar nessa discussão", enfatiza Gabriela, casada com o DJ Thiago Mansur, responsável por fazê-la ressignificar o conceito de força e relacionamentos. Afinal, liberdade não é solidão.

E Gabi faz questão de exaltar seu parceiro. Como boa articuladora, relacionamento, seja ele amoroso, profissional ou social, é sobre conversas e diversos pontos de vista. 

"Ele é o homem mais forte que já conheci e não tem agressividade no comportamento. Sou imensamente feliz numa convivência de compromisso com o meu marido, de parceria, mas não sou instrumentalizada por outra existência. A minha existência é minha, a existência dele é dele e a gente caminha junto", afirma.

Confira o papo completo no vídeo acima.

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