Gabriel Medina e Yasmin Brunet: falta de individualidade pode ter sido crucial para o fim

Gabriel Medina e Yasmin Brunet na mansão que agora está à venda
Gabriel Medina e Yasmin Brunet na mansão que agora está à venda

Gabriel Medina e Yasmin Brunet eram daqueles casais que pareciam estar em um romance de conto de fadas. Começaram a namorar em março de 2020, bem quando a pandemia de Covid-19 chegou ao Brasil. Logo estavam morando juntos e passaram a quarentena isolados na mansão do surfista em Maresias, no Litoral Norte de São Paulo. No final do mesmo ano, se casaram no Havaí (EUA).

Nas redes sociais, Medina e Yasmin sempre trocavam declarações de amor e postavam cliques apaixonados. E, assim como os contos de fada, apesar do relacionamento exposto como “perfeito” - e ninguém pode dizer que não foi -, viviam uma briga familiar. A mãe do surfista não aceitou a rapidez que o namoro subiu ao altar e, em meio a acusações de que a modelo era controladora e possessiva, se afastou do filho.

O fim do casamento, divulgado no dia 27 de janeiro, apesar de pegar todos de surpresa, acabou gerando muitas especulações na web. Entre elas, o rompimento que Medina teve com a família e a relação de dependência, quase que como os dois fossem um só. Fora isso, o também surfista Flávio Nakagima acabou revelando que Gabriel teria se afastado de seus amigos por causa do relacionamento.

Para a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, especialista do programa "Amor&Sexo", da TV Globo, e autora de livros como o best seller “A Cama na Varanda” e “Novas Formas de Amar “, essa simbiose que o casal viveu foi crucial para o fim da relação.

Amor romântico

“O responsável por isso é o mito do amor romântico, que prega que os dois têm que se transformar em um só, que um vai ter todas as satisfações atendidas pelo outro. O complicado desse ponto é a dependência emocional que o casamento se presta muito, quando você transforma o outro no centro de sua vida, só o outro tem importância. Muitas vezes se afastam dos amigos, de atividades que antes tinham prazer, isso é muito prejudicial”, explica.

A mulher sempre dá mais porque o homem se nega a dar o mínimodiz João Marques, pesquisador de psicologia da masculinidade

Angela Fabbri, psicóloga clínica, concorda que a individualidade é uma necessidade na vida a dois. "Entramos nos relacionamentos carregando nossas crenças e valores e, ao nos apaixonarmos, queremos ser aceitos e validados pelo outro. Acontece que o outro também tem suas crenças e valores e, muitas vezes, para aceitar as regras criadas dentro do relacionamento, ficamos exaustos tentando nos adaptar. E isso, com o tempo, leva ao adoecimento da relação e do indivíduo”, ensina.

Yasmin Brunet e Gabriel Medina
Yasmin Brunet e Gabriel Medina

Ciúmes e controle

No caso de Medina e Yasmin, além do afastamento de amigos e familiares de ambos os lados, o controle e ciúme faziam parte do casamento conforme temos notícia pela mídia. Tanto que o surfista, entre as centenas de pessoas que seguia em sua rede social, restaram apenas oito mulheres, além da modelo, a avó, Aurora, a cunhada Bruna Medina, a irmã, Sophia, a sogra, Luiza Brunet, a surfista Silvana Lima, a skatista adolescente Rayssa Leal, a empresária Dani Cruz, e Anielle Tchkmenian, amiga de Yasmin. Já a modelo, durante esse mais de um ano com o surfista, não foi vista ao lado de outros amigos ou tendo uma vida "fora" do convívio do marido.

“Em nossa cultura se valoriza tanto aquela história da metade da laranja, da alma gêmea, isso é um equívoco. Enquanto houver esse modelo calcado no controle, na possessividade, no ciúme e no desrespeito na individualidade do outro, os casamentos nunca vão funcionar bem”, afirma Navarro.

A pressão do período pandêmico não pode ser excluída. Muitos casais tiveram uma convivência muito mais ampla com o isolamento e, mais uma vez, isso fez com os indivíduos acabassem que se afastando de uma rotina social e vida em grupos. “Família e amigos são parte importante do nosso universo emocional. Estar sem eles nos deixa sem referências, sem possibilidade de trocas afetivas e de ideias. O afastamento também provoca dor e exaustão, pois, muitas vezes, tentamos fazer com que o relacionamento de casal seja a única fonte de gratificação da vida. É muita carga para um relacionamento”, completa Fabbri.

Substituir a mãe pela parceira

Para o pesquisador de psicologia de masculinidades, João Luiz Marques, o caso de Medina e Yasmin vai além e diz muito sobre o afastamento do surfista de sua mãe, Simone, de quem ele sempre foi tão próximo.

“Muitos homens transformam suas parceiras em mãe. Não acredito que Medina tenha tido falta da mãe na infância, mas, sim, um laço muito forte, de dependência mesmo. Quando ele rompe com a família, Yasmin se torna a substituta. E isso é um papel muito arriscado de abraçar, porque ela nunca vai suprir isso de fato”, avalia.

Marques diz ainda que o vínculo do casal parte desse princípio de dependência um do outro. "A simbiose só é quebrada quando os envolvidos, ou pelo menos um deles, passa a refletir e tentar e conhecer mais. É só quando Medina começa a cuidar da saúde mental que esse laço é estremecido”, aponta.

Gabriel Medina com a mãe, Simone Medina
Gabriel Medina com a mãe, Simone Medina

A que ponto é saudável se doar?

É um consenso entre os entrevistados que, a partir do momento que você aceita posturas, atitudes ou mudanças em sua vida apenas para agradar o outro, isso não tem como dar certo. “É importante em uma relação amorosa as pessoas estarem juntas pelo prazer da companhia, por terem projetos em comum e não por uma necessidade. O que é ser doar? É você ter uma troca de afeto, troca sexual, na relação você obter e favorecer, proporcionar prazer ao outro”, declara Navarro.

Fabbri explica que as pessoas não são ensinadas a perceber claramente seus limites, mas isso não é algo impossível. “Toda vez que nos sentimos mal diante de certas situações devemos nos perguntar se estamos deixando de atender aquilo que é bom para nós. Muitas vezes, abrimos mão do que queremos em favor da relação e do outro, mas ficamos nos sentindo péssimos”, diz.

Já Marques deixa claro que, na sociedade machista que vivemos, é comum a mulher se doar mais. “Para o homem é cômodo, porque ele acaba investindo menos na relação, a mulher está suprindo todas as partes e ele fica aguardando e gozando dessa posição de esperar fazer. Não é que a mulher se entregue mais, mas no desequilíbrio das relações amorosas, a mulher sempre dá mais porque o homem se nega a dar o mínimo”, diz.

Tanto Yasmin Brunet, quando Gabriel Medina, se afastaram de amigos
Tanto Yasmin Brunet, quando Gabriel Medina, se afastaram de amigos

Imaturidade e insegurança

Medina, com 28 anos, e Yasmin, com 33, mesmo com suas histórias de vida potentes e a carreira de ambos ter começado muito cedo, carregam consigo imaturidades e inseguranças - como todos os seres humanos. Ela, por exemplo, pouco tempo antes de começar a namorar Medina, havia terminado um casamento de oito anos com o também modelo Evandro Soldati.

“Desenvolver capacidade de ficar sozinha não significa se isolar no alto de uma montanha, mas você viver bem sem ter a necessidade de ter uma pessoa cuidando de você, ligado em você o tempo todo. As pessoas têm que desenvolver seus projetos, amigos de verdade, ter interesses variados, é fundamental que se desenvolva a capacidade de se ficar bem sozinho até para conseguir fazer melhores escolhas amorosas”, explica Navarro.

É importante deixar claro que tanto Yasmin, quanto Medina, são responsáveis apenas por suas próprias decisões, apesar de dependerem um do outro emocionalmente, não há vilões em uma simbiose de casal. “A dependência emocional de um parceiro ou parceira em uma relação amorosa sempre vai existir. Mas é uma questão de níveis, existem pessoas que tem uma ótima relação, é claro que se o parceiro (a) for embora vão sofrer, mas vão continuar vivendo. Mas têm pessoas que não, que depositam tudo no parceiro, na parceira e imaginam que se forem abandonados vão morrer”, completa.

Para Fabbri, por isso é importante, independentemente da relação estabelecida, impor limites e não esquecermos de nós mesmos. “O autoconhecimento nos permite entender a nossa individualidade, e ela nos guia a sermos sempre fiéis com nossos sentimentos, desejos e ações na vida. E, para que um relacionamento seja saudável, os ajustes precisam ser negociados para que ambos se sintam felizes e com esperança na construção de um futuro pleno”, diz. E, claro, que no caso de um casal tão midiático tudo ganha um outro, mas o fato é que todos nós somos um pouco ou muito de Yasmin e Gabriel.