Futebol, escudo, política, estádio. Os fatores que colocaram Sampaoli no Galo

Sérgio Sette Câmara, presidente do Atlético, postou foto acompanhado de Jorge Sampaoli, novo treinador do clube (Arquivo pessoal)

Montar um time forte, jogar bem, vencer os jogos e conquistar troféus. É isso que os dirigentes esperam quando buscam um grande treinador. Não é diferente no Atlético-MG, que contratou Jorge Sampaoli para o lugar de Rafael Dudamel. Porém, no caso atleticano, a direção do clube espera que o argentino seja muito mais do que apenas um treinador. Desde um agente político até o responsável por iniciar o projeto de uma década vitoriosa. A questão técnica foi determinante na escolha do nome, mas outros fatores pesaram bastante.

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Entre a demissão de Dudamel e o acerto com o Sampaoli, o Atlético sondou e até mesmo fez propostas para outros treinadores. Mas possibilidade de acertar com ex-comandante do Santos fez com que a direção alvinegra colocasse todos os fatores na balança e tornou a escolha de Sampaoli com a melhor opção possível, mesmo com o custo superior a R$ 1 milhão por mês (incluindo os demais membros da comissão técnica).

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A capacidade de Sampaoli em construir times competitivos e com futebol que agrada já o colocou na frente dos demais concorrentes, mas o combo fez com o clube e parceiros chegassem aos valores desejados pelo treinador. De acordo com o Globoesporte.com o custo de Sampaoli e os novos membros da comissão técnica será de R$ 1,2 milhão por mês. O Atlético vai pagar cerca de 60% desse valor, com parceiros assumindo o restante.

Nome capaz de blindar a diretoria

O presidente Sérgio Sette Câmara se orgulha quando fala da forma que conduz a administração do Atlético. O dirigente cita que pegou um clube em situação financeira delicada e colocou a casa em ordem. Por outro lado, em pouco mais de dois anos de mandato, os resultados dentro de campo não foram satisfatórios. Eliminações vexatórias nas Copas Sul-Americana e do Brasil, queda na fase de grupos da Libertadores, duas finais de Mineiro perdidas para o Cruzeiro e o 13º colocado no último Brasileirão. O sexto lugar na edição de 2018, com um elenco mais modesto, é o grande feito esportivo da atual gestão.

Bastante criticado pela torcida, Sérgio Sette Câmara tem em Jorge Sampaoli um enorme escudo depois do desastroso início de temporada. Bastante contestado nos últimos dias, o mandatário pode ganhar prestígio entre os torcedores com uma grande campanha no Brasileiro. E o efeito da contratação foi imediato nesse quesito. As críticas ao dirigente foram substituídas pela expectativa de uma temporada digna.

Política atleticana já movimenta os bastidores do clube

Sérgio Sette Câmara chegou à presidência do Atlético para ocupar o lugar de Daniel Nepomuceno, no fim de 2017. A sucessão foi um consenso no grupo liderado por Alexandre Kalil, atual prefeito de Belo Horizonte e presidente do clube entre 2008 e 2014. No entanto, o cenário de alguns meses atrás não é mais o mesmo. Sette Câmara e Kalil não estão mais do mesmo lado. Algumas decisões fizeram o ex-presidente atleticano romper com a atual diretoria.

Como no fim do ano tem eleição, para escolher quem vai comandar o clube no triênio 2021/2023, já existem movimentos visando a disputa que deve acontecer em dezembro. Embora não tenha anunciado de forma oficial, Sette Câmara cogita ser reeleito, como permite o estatuo do Galo. O atual presidente conta com apoio de conselheiros com grande representatividade política e grande poderio financeiro, o que ficou claro na chegada de Jorge Sampaoli. Rubens Menin e Rafael Menin (vice-presidente do conselho deliberativo), da MRV, Ricardo Guimarães (ex-presidente do clube), do BMG, e Renato Salvador (ex-vice-presidente do clube), do Hospital Mater Dei, vão ajudar no pagamento dos salários do treinador e também na busca por reforços. Seguir no poder do Atlético é algo que esse grupo deseja e uma boa campanha no Brasileirão pode ajudar bastante no pleito que ocorrerá em dezembro.

Tem inauguração de estádio em pouco mais de dois anos

O Atlético espera apenas o fim do período de chuvas para iniciar a construção da Arena MRV, que deve ser inaugurada durante a temporada 2022. Ter um time forte e que esteja brigando por títulos no ano de inauguração do novo estádio é um projeto do clube e também da empresa que dá nome ao empreendimento. Além de Sampaoli, a MRV também já deu suporte financeiro para o Atlético contratar o volante Allan.

Para ter uma equipe competitiva em 2022 é preciso um trabalho de longo prazo. Sampaoli é visto como o nome ideal para iniciar esse projeto. A vontade da direção do clube é de recuperar uma identidade que agrade ao torcedor, uma equipe que ataque bastante e pressione bastante os adversários, especialmente quando atuar como mandante. O time de 2012 e 2014 é a referência atleticana.

Mais do que um bom time em 2022, o Galo busca essa identidade para se manter no topo, ter uma década de sucesso, para alavancar as primeiras temporadas da Arena MRV, o que aumentaria substancialmente as receitas do clube, com bilheteira, sócio-torcedor e todos os ativos que envolvem um estádio próprio. O contrato com Jorge Sampaoli vai até o fim de 2021. Mesmo que não permaneça para 2022, o técnico argentino pode iniciar um ciclo vitorioso na Cidade do Galo e deixar um legado para durar alguns anos.

Veja mais sobre futebol mineiro no Blog de Victor Martins

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