Frio, machismo e comida ruim: os perrengues que o elenco de 'Jezabel' enfrentou no Marrocos

Elenco de “Jezabel” fala de perrengues – (Foto: Edu Moraes/Divulgação Record)

Quem vê um ator de novela posando para fotos, fazendo campanhas publicitárias e distribuindo autógrafos, nem imagina os perrengues diários da profissão. O elenco de “Jezabel“, por exemplo, passou por poucas e boas nas gravações da trama que estreia nesta terça (23), às 20h45, na Record.

Já conhece o Instagram do Yahoo Vida e Estilo? Segue a gente!

Para contar a história bíblica, os artistas foram para o Marrocos, país localizado no extremo norte da África, e sofreram com a temperatura, os costumes e a comida diferenciada por 41 dias.

Em conversa com o Yahoo, o elenco relatou experiências curiosas e aprendizados que tiveram ao entrar em contato com a cultura da região. Confira abaixo alguns desses “perrengues”:

Temperatura

Elenco reunido e agasalhado antes de as gravações começarem (Foto: Edu Moraes/Record TV)

Se já fica difícil levantar da cama quando a temperatura cai no Brasil, imagina para quem não está acostumado com o termômetro abaixo de zero ter de encarar o frio usando roupas de calor na madrugada? Alguns atores de “Jezabel” passaram por isso no Marrocos.

O namorado de Larissa Manoela, que interpreta Levi na macrossérie da Record, conta que seu personagem é um jovem muito simples e não precisa de figurinos muito elaborados. Por conta disso, sentiu muito frio nos bastidores da trama, principalmente nas gravações externas e noturnas.

“Teve uma gravação que demorou muito. Foi a madrugada toda. Meu personagem usa uma sandália simples e uma calça fininha, então eu não parava de tremer. Falava e o câmera cortava. Eu tremia, tremia e tremia até me controlar para voltar e falar de novo. Foi muito difícil concluir”, conta ele.

Além de Leo Cidade, quem também reclamou da temperatura nas gravações durante a viagem foi a atriz Sthefany Brito, intérprete de Raquel. Segundo ela, o clima muda muito rápido no Marrocos, então não tinha como se preparar antes de começar a gravar. Era muito frio ou muito calor.

“De manhã era muito frio e no período da tarde fazia um sol que torrava a cabeça da gente. Quando anoitecia ficava muito frio de novo. A gente gravava cedo, um pouco à tarde e depois fazia muitas noturnas. Então, no começo do dia a gente pedia cachecol, pano, mas depois esquentava e não podia mais tirar porque já gravou daquele jeito. A temperatura pegou muito”, explica.

Machismo

Sthefany Brito em cena de ‘Jezabel’ (Foto: Edu Moraes/Record TV)

Com o empoderamento feminino em alta, sobretudo no Brasil, as atrizes de “Jezabel” sofreram ao chegar no Marrocos e descobrir que o machismo ainda prevalece no país. De acordo com Sthefany Brito, antes de a viagem acontecer, os produtores da trama explicaram que as mulheres de lá não costumam sair de casa sozinhas e precisam de um homem para tudo.

Sthefany, porém, não imaginou que seria tão sério assim. Mas bastou colocar os pés na rua uma vez para sentir que nada daquilo era brincadeira. “Foi bem chocante. Todo mundo te olha estranho e dá muito medo. Acho que a gente tem que respeitar a cultura deles, mas foi difícil depender de homem para tudo”, diz ela, que se considera independente desde muito nova.

“Imagina, a gente super ativista, feminista, na época que a gente está vivendo, ter que pedir para irem com você para comprar um remédio, para ir até a porta do banheiro, para fazer qualquer coisa. Foi muito estranho. Nem para o meu pai peço as coisas”, lamenta a artista.

Alimentação

André Bankoff em cena de ‘Jezabel’ (Foto: Edu Moraes/Record TV)

Comer um tempero diferente do que se está acostumado nem sempre é uma boa. Leo Cidade conta que procurava restaurantes portugueses para tentar se aproximar do Brasil de alguma forma.

Sthefany Brito, por sua vez, chegou a perder peso porque não se acostumou com o sabor de lá e sentiu saudade de um bom prato de arroz com feijão. “Voltei mais magra do que fui. Tudo tem seu lado bom (risos)”, brinca a atriz, que trouxe o que perdeu de peso em acessórios. “Gostei muito das roupas, joias, bijuterias, é tudo muito diferente”, afirma.

Punições severas

Pedro Lamin, como Sidônio, e Hylka Maria, interpretando Getúlia, em cena (Foto: Edu Moraes/Record TV)

Embora o elenco de “Jezabel” não tenha se envolvido em polêmicas, algo que chamou a atenção dos atores foi a forma com a qual o país lida com os crimes. Segundo André Bankoff, que interpreta o rei Acabe na série da Record, é interessante observar a visão que os marroquinos têm de família.

“Tinha um cara que dirigia lá para a gente que contou uma história que me deixou surpreso. Aqui a gente vê filho matando pai, matando mãe, pai jogando o filho pela sacada, crianças morrendo. E lá, o pessoal é ensinado a respeitar muito os familiares”, iniciou o ator.

“Esse motorista disse que estava em casa com três mulheres comemorando alguma coisa, fumando o narguile dele, e quando o pai e a mãe chegaram e os pegaram lá, ele foi reprimido. O pai dele ligou para todos os amigos dele e falou que a partir daquele momento não era para ninguém abrigá-lo porque ele seria expulso de casa por três meses para aprender a respeitar as mulheres, a família dele e a casa dele”, completa Bankoff.

Outra curiosidade que o deixou chocado foi descobrir como é que os bandidos pagam por seus crimes no Marrocos. “Se você roubar um celular, o delegado pergunta para o dono quanto vale aquele aparelho, aí o bandido tem que pagar aquele valor. Ou seja, você é ensinado a pagar pelo seu roubo. Aí quando você insiste novamente a punição é maior, maior e maior. Aí você acaba sendo marcado na sociedade por um crime que você cometeu e perde totalmente o seu valor”, conta o artista.

Assista a seguir: