Frida Kahlo, uma obsessão que quebra recordes e se mantém viva com imagens inéditas

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O quadro "Diego e eu" de Frida Kahlo exposto na Sotheby's de Nova York em 5 de novembro de 2021 (AFP/ANGELA WEISS)
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Desde sua morte em 1954, a mexicana Frida Kahlo se tornou um ícone artístico e feminista, objeto de fascínio, de recordes em leilões e de um novo documentário que será exibido na quarta-feira na França, com imagens inéditas.

"Frida: Viva la vida" traça, por meio da voz e presença da atriz Asia Argento, o percurso de uma mulher que reivindicou o México popular e indígena e as novas correntes artísticas em voga na Europa entre guerras.

"Optamos por falar de duas Fridas, uma sobre sua relação entre a dor e a arte, e a outra, sua descoberta das raízes do México, da importância dessa arte pré-colombiana em sua obra", explica o diretor do documentário, Giovanni Troilo, em entrevista por telefone à AFP.

O documentário aborda a dor física, as operações, os três abortos sofridos pela artista e sua capacidade de refletir tudo isso em sua obra, por meio do reaproveitamento de oferendas votivas católicas, retratos frontais, lágrimas e sangue.

Também a onipresença de Diego Rivera, o pintor com quem se casou duas vezes, a quem retratou igualmente como amante e como criança.

O documentário mostra fotos e objetos pouco conhecidos, que se encontram nos fundos do Museu Frida Kahlo, a famosa Casa Azul da Cidade do México, que se tornou um dos três museus mais visitados do país.

Destacam-se as imagens que a fotógrafa Lola Álvarez Bravo fez na década de 1930, com Frida acompanhada por Tina Misrachi, filha de um famoso galerista da época.

As duas conversam, Frida a beija de leve, e então a artista fecha a porta, olhando direto para a câmera, sem piscar.

Toda uma declaração de intenções de uma mulher que sofreu as constantes infidelidades de Rivera, mas também desfrutou das suas, com homens e mulheres.

"Depois dessa viagem, tenho a impressão de que (Frida) sabia muito bem que estava escrevendo seu diário, pintando, para nós, para o futuro", explica Troilo.

Frida e sua bissexualidade tornaram-se uma reivindicação feminista, embora na opinião da fotógrafa mexicana Graciela Iturbide, a realidade fosse mais complexa do que parece.

"Ela era uma mulher com muita liberdade, como Diego, para fazer sexo com quem quisesse. Mas sempre, para mim, submissa ao Diego", opina a fotógrafa no documentário.

Iturbide mostra fotos inéditas de partes da Casa Azul que permaneceram fechadas por meio século, até 2004. Quando foram reabertas, como o banheiro, estavam cheias de pertences pessoais de Frida, intactos.

Frida e Diego quebraram os moldes no México dos anos 30 e 40. Ela adotou roupas indígenas, ele a ideologia comunista, o que não o impediu de pintar quadros e murais nos Estados Unidos, muito bem pagos pela elite do país.

Décadas depois, Frida Kahlo acaba de se tornar a artista latino-americana com as obras negociadas pelos maiores preços, com a recente venda em Nova York do autorretrato "Diego y yo" (1949), por quase 35 milhões de dólares.

A estreia do documentário na França coincide também com outra grande exposição, com um título muito semelhante "Vida la Frida!", no museu Drente, na cidade holandesa de Assen, com mais de 40 obras.

Objetos do Museu Frida Kahlo e a coleção de pinturas e desenhos do museu Dolores Olmedo são exibidos juntos pela primeira vez.

jz/zm/mr

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