Fresno ignora veto e, com Lulu Santos, protesta contra Bolsonaro no Lollapalooza

Fresno não se intimidou com decisão do TSE e protestou contra Bolsonaro no terceiro dia do Lollapalooza (Foto: Manuela Scarpa/Brazil News)
Fresno não se intimidou com decisão do TSE e protestou contra Bolsonaro no terceiro dia do Lollapalooza (Foto: Manuela Scarpa/Brazil News)

Mesmo após a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de proibir manifestações políticas no Lollapalooza Brasil, a banda Fresno, que se apresentou na tarde deste domingo (27) no evento, não deixou o protesto de lado e, além de gritar "fora, Bolsonaro", clamor que se tornou característico desta edição do festival, as palavras também apareceram em letras garrafais no telão atrás do grupo.

O risco de um novo temporal atrasou o show da Fresno em cerca de vinte minutos, mas não diminuiu a empolgação dos artistas e, muito menos, do público, que foi se juntando ao palco aos poucos, conforme a chuva diminuía.

"A gente prepara um milhão de coisas pra falar, a gente prepara o show, ensaia pra caramba, aí vêm os raios, as tragédias, mas é impressionante como o que acontece do lado de fora é apenas uma réplica do que acontece aqui dentro e, depois de sei lá quantos anos de banda, a gente estar aqui, vendo isso... Não existe nada maior", celebrou Lucas, vocalista da Fresno.

Fresno não se intimidou com decisão do TSE e protestou contra Bolsonaro no terceiro dia do Lollapalooza (Foto: Manuela Scarpa/Brazil News)
Fresno não se intimidou com decisão do TSE e protestou contra Bolsonaro no terceiro dia do Lollapalooza (Foto: Manuela Scarpa/Brazil News)

"Não existe nada mais foda do que viver isso que a gente está vivendo com vocês. E eu sei que parte dessa felicidade é uma coisa em comum com a gente. Eu sei que vocês foram em shows nossos em em 2011, 2012, 2013, 2014, 2015. Aqui não tem revival de porra nenhuma, a gente sempre esteve vivo. Muito obrigado!", acrescentou, antes de continuar com a apresentação.

Próximo ao final do show, Lulu Santos se juntou à banda e também criticou a decisão do TSE de proibir manifestações políticas no festival: "É o seguinte: cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu", declarou, recebendo o apoio da plateia.

No encerramento da apresentação, Lulu pediu: "censura nunca mais", enquanto o "fora, Bolsonaro" enchia o telão novamente. Mais um coro de "ei, Bolsonaro, vai tomar no c*" veio da plateia e recebeu o apoio de Lucas: “A gente vai conseguir. Tá começando a mudar”, declarou.

Di Ferrero curtiu o show da Fresno no Lollapalooza Brasil (Foto: Manuela Scarpa/Brazil News)
Di Ferrero curtiu o show da Fresno no Lollapalooza Brasil (Foto: Manuela Scarpa/Brazil News)

Entenda o caso

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entendeu que Pabllo Vittar fez campanha eleitoral antecipada para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante show no Lollapalooza 2022, na última sexta-feira (25), e estipulou multa de R$ 50 mil para a organização do festival se houver outras manifestações do tipo. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

A decisão do ministro Raul Araújo que classificou como propaganda eleitoral os atos das cantoras Pabllo Vittar e Marina foi tomada no último sábado e acata parcialmente um pedido da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL). Os advogados também solicitaram condenação do Lollapalooza por propaganda eleitoral antecipada, o que não ocorreu. Cabe recurso.

Lollapalooza de protestos

Um fator que vem marcando as apresentações do Lollapalooza são as manifestações políticas, especialmente contra o presidente Bolsonaro. A drag queen Pabllo Vittar, por exemplo, pediu um “Fora, Bolsonaro” e usou uma bandeira com a foto do ex-presidente Lula estampada ao finalizar sua apresentação.

A britânica Marina, antes conhecida como Marina and The Diamonds, também aproveitou a presença no Brasil para protestar contra Bolsonaro e Vladimir Putin, presidente da Rússia - o país está em guerra contra a Ucrânia.

“A gente não precisa dessa energia e eu fico muito feliz que a minha fan base é a nova geração e vocês vão mudar o mundo”, declarou a cantora após o protesto em plena apresentação. O público do Lolla apoiou todos os coros pedindo “fora, Bolsonaro”.

No segundo dia, Jão se juntou a Anitta, Juliette, Zeca Pagodinho, Bruna Marquezine e até Mark Ruffalo para pedir para intimar os jovens a tirar o título de eleitor e votar: “Que música linda. Esse é o maior hit do festival”, disparou o cantor, ao ouvir o coro de "fora Bolsonaro", cantando mais uma vez. “Não adianta gritar aqui no show e não votar. Vai votar, porra”, emendou Jão, ao relembrar o recorde de jovens que ainda não tiraram título de eleitor neste ano.

Emicida, no início do seu show, cumprimentou o público do evento fazendo referência ao ex-presidente Lula: “Boa noite, Lulapalooza”, desejou. Em seguida, ele fez uma manifestação e incitou jovens de 16 a 18 anos a tirare seus títulos de eleitor. “Por último: Bolsonaro, vai tomar no c*”, disparou Emicida, acompanhado por gritos animados do público.

Embora A$AP Rocky não tenha engajado na manifestação, protestos também ocorreram durante o seu show no festival: "Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*", gritou a plateia mais uma vez, em coro. "Quero todo mundo se sentindo bem hoje", respondeu o rapper, que pareceu não ter entendido os apelos.

Lollapalloza 2022