O destino de uma nação numa mesma foto, cinco anos depois

Matheus Pichonelli
·3 minuto de leitura
Foto: MBL/Facebook
Foto: MBL/Facebook

O presidente do Superior Tribunal de Justiça, Otávio de Noronha, decidiu mandar Fabrício Queiroz para prisão domiciliar. A medida se estende para a mulher do ex-assessor da família Bolsonaro, que está foragida e poderá ficar em casa com o marido sem sequer passar pela cadeia.

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Ambos são acusados de tramar uma fuga com pessoas ligadas à milícia e que chegaram a trabalhar no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. A decisão do STJ, por quem Bolsonaro sentiu “amor à primeira vista”, praticamente sepulta as chances de Queiroz assinar delação premiada. Sepulta também a conversa do advogado que o abrigou por alegar “razões humanitárias”. Ou então, longe da custódia do Estado, ele estará entregue aos leões.

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Como Deus perdoa, mas a internet, não, muitos internautas lembraram do dia em que outro filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), escreveu em seu Twitter, em dezembro de 2017: “Ladrão de galinha ir para a cadeia e ladrão amigo do rei para prisão domiciliar (leia-se mansão) é sinônimo de impunidade. Infelizmente juízes se utilizam de brechas nas leis para favorecer alguns. É preciso revogar o instituto da prisão domiciliar.”

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A mensagem, postada após o empresário Marcelo Odebrecht deixar a cela na Superintendência da Polícia Federal e passar para a prisão domiciliar em sua casa, foi resgatada pela colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo.

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Enquanto Queiroz prepara as malas para retomar os churrascos em casa (numa troca de mensagens, ele falou sobre a visita de umas “garotas bacaninhas” em Atibaia), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, determinou que os procuradores da Lava Jato enviem à Procuradoria Geral da República todos os dados de investigações já colhidos pelas força-tarefas em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Deltan Dallagnol, que na mesma semana viu a publicação de notícias sobre o envolvimento de agentes do FBI nas operações, lamentou a decisão, que pode ser um golpe fatal na Lava Jato.

No centro da disputa entre PGR e a força-tarefa curitibana estão Jair Bolsonaro, de um lado, e Sergio Moro, de outro.

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Responsáveis pela organização de alguns dos maiores protestos anti-corrupção nos dias que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff, os integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) foram constrangidos por uma ação da Polícia Federal que prendeu em São Paulo dois empresários ligados ao grupo. Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso (conhecido como Luciano Ayan) são investigados por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A família Ferreira dos Santos, idealizadora do movimento que elegeu vereadores e deputados pelo país — hoje rompidos com o presidente para quem fizeram campanha —, deve cerca de R$ 400 milhões em impostos federais. A sede do MBL, na Vila Mariana, também foi alvo de buscas.

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Há pouco mais de um mês, celebrou-se, sem muito alarde, o aniversário de uma famosa foto que reuniu em torno de uma mesma mesa lideranças do MBL, do movimento Revoltados Online, parlamentares tucanos, os então representantes do baixo clero Jair e Eduardo Bolsonaro e uma desconhecida militante que virou deputada e hoje é alvo do inquérito das fake news. Ao centro da mesa estava o então todo-poderoso presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ). A foto foi tirada em 27 de maio de 2015. Cinco anos depois, a juíza Gabriela Hardt concedeu o direito à prisão domiciliar ao ex-deputado. Ele está preso preventivamente desde outubro de 2016.