Usar Forças Armadas como se fossem "milícias" é " grave injúria aos militares", diz Gilmar Mendes

Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou as reiteradas declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se referindo aos militares como base de apoio de sua gestão diante da crise política estabelecida entre o Executivo e os demais poderes.

Sem citar nominalmente o presidente, Gilmar Mendes afirmou, em entrevista ao site Focus.jor, que usar as Forças Armadas como “milícias” são uma “injúria” aos militares.

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"Quem fala que vai usar as Forças Armadas para resolver problemas institucionais, como se elas fossem uma milícia sua, está na verdade cometendo uma grave injúria com as nossas Forças Armadas. Acho isso absolutamente impróprio. As Forças Armadas têm atuado desde 1988 [ano em que foi promulgada a Constituição Brasileira vigente] cumprindo as regras que foram estabelecidas", afirmou o ministro.

Durante ato antidemocrático em Brasília no último domingo (03), Bolsonaro afirmou que não admitiria mais interferência de outros poderes, irritado com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que anulou a nomeação de Alexandre Ramagem, como diretor-geral da Polícia Federal. Ao concluir sua fala, o presidente disse que “as Forças Armadas estão com o povo”.

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Gilmar Mendes também lamentou as crises políticas geradas pelo próprio governo [demissões dos ministros Mandetta e Moro, por exemplo] em meio à pandemia do novo coronavírus que já tirou a vida de mais de 8.500 pessoas no Brasil.

"No ano passado nós chegamos ao fim sem grandes dificuldades, mas esse ano veio a crise da pandemia, uma crise econômica, e uma crise política que não estava no plano. Temos aí um coquetel de crises", avaliou o ministro.

O ministro ainda pediu que, em meio a um cenário tão caótico, haja um esforço “num sentido construtivo” em prol do país.

"É temerário, não ajuda num momento desses que estamos vivendo uma crise na pandemia, brutal crise econômica, em que o desemprego bate às portas, em que as pessoas estão precisando de ajuda, esse tumulto político certamente é totalmente dispensável. Vamos tentar unir esforços e força num sentido construtivo e positivo", pediu Gilmar.

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