Fomos rápidos com as medidas para conter impacto do coronavírus, diz presidente do BC

AMANDA LEMOS
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 08.01.2020: O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante entrevista na sede do banco em Brasília. (Foto: Andre Coelho/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Banco Central brasileiro se adiantou e agiu mais rápido do que o resto do mundo para aliviar o impacto econômico causado pela crise do coronavírus, disse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em uma transmissão ao vivo da corretora XP Investimentos na noite deste sábado (4).

Em sua apresenta apresentação, o presidente do BC destacou que as medidas tomadas até o momento tiveram como objetivo liberar capital e a liquidez aos bancos e focar em pontos necessários para que o mercado continue operando.

"Vejo críticas com a demora de apresentação, mas fomos os primeiros a fazer isso [apresentar medidas]" disse Campos Neto. "Estamos em estado de guerra e estamos aprendendo. Pediria paciência, o momento é de união e temos um inimigo em comum, é momento de esquecer diferenças e pensar no coletivo", complementou.

Questionado sobre como fazer chegar as medidas do BC a pequenas e médias empresas, Campos Neto disse que é necessário dar maior liquidez para que o incentivo chegue aos setores afetados. "Para não entrar nesse ciclo vicioso onde vira mal pagador, o crédito sobe e você não consegue sair dessa situação", disse. "Nesse sentido, precisamos monitorar e ter uma fiscalização grande"

Na tarde de sábado, em conversa por videoconferência com representantes do setor de varejo, o ministro Paulo Guedes anunciou que o deverá liberar mais recursos para que os bancos irriguem o mercado de crédito. Dessa vez, porém, o dinheiro a ser liberado só poderá ser usado para estimular geração de empregos e para capital de giro de empresas.

Na conversa, o ministro também declarou que Campos Neto deverá anunciar a liberação de mais depósitos compulsórios --parcela dos recursos que os bancos são obrigados a deixar no BC.

Ao reduzir essa exigência, o governo dá margem para os bancos conseguirem ofertar mais crédito. Segundo o ministro, a liberação de compulsório durante a pandemia deverá subir de R$ 200 bilhões para R$ 300 bilhões.

Guedes, porém, reconhece que os bancos estão sendo cautelosos nos empréstimos e o mercado de crédito acaba ficando com recursos empossados.