Fomos à casa de vidro conferir como se comportam fãs e candidatos a uma vaga

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A rotina de um shopping na zona oeste do Rio já não é mais a mesma. Nesta terça-feira (10), quatro brasileiros praticamente anônimos viram-se com 50% de chances de fazer parte de uma máquina de fazer celebridades (e dinheiro) e apareceram enclausurados numa espécie de aquário em um espaço de cerca de 35 metros quadrados perto da praça de alimentação. Viraram atração.

Não era novidade que a "casa de vidro", de onde sairão dois dos integrantes do Big Brother Brasil 23, estava sendo montada -o que ajuda a explicar uma aglomeração de cerca de 200 pessoas, frenéticas em sua maioria, e a chegada de fãs do BBB antes mesmo de o shopping abrir. A rotatividade é grande e a expectativa dos seguranças do centro comercial é que cerca de 3.000 pessoas passem diariamente por lá até esta sexta-feira (13), quando serão anunciados os escolhidos.

Morador da Ilha do Governador, o estudante do segundo ano do ensino médio Fernando Nery era um dos "BBBmaníacos" presentes e fazia coraçõezinhos na direção de dois candidatos sobre os quais nunca tinha ouvido falar. "Gostei do ruivo e da morena de cabelos compridos. São os mais fofos e simpáticos. Não sei nada deles, mas já estou amando", disse o rapaz.

Ao contrário do que acontece na relação entre fãs e ídolos, na casa de vidro o que se vê são cenas de devoção por pessoas das quais mal se sabe o nome. É escolher os preferidos e amá-los. Mas não só. "Já estou puxando votos para eles. Fiz isso com Daniel e a Ivy e eles entraram no BBB 20. Dou sorte", gabou-se Nery.

Trata-se de um jogo, onde os idolatrados estão ali justamente para isso: conquistar o público, garantir a entrada no reality e na chance de ganhar o prêmio de R$ 1,5 milhão. Os candidatos a uma vaga no BBB dão ao público o que ele quer. Esforçam-se para mostrar que são animados e vão "render" caso entrem no reality. Pulam, dão tchau, mandam coraçõezinhos de volta e jogam beijos para o público na intenção de conquistar voto. A questão é saber se vão ter pique até o final do expediente, às 23h.

O horário de funcionamento do shopping vai até às 22h, mas há uma tolerância de uma hora para o povo ir embora. A partir das 23h todos são convidados a se retirar para que o modelo Gabriel Tavares, 24, a empresária Giovanna Leão, 25, o psiquiatra Manoel Vicente, 32, e a biomédica Paula Freitas (as quatro pessoas trancafiadas) possam, enfim, parar de sorrir e acenar a desconhecidos e descansar.

Enquanto os quatro candidatos a brothers e sisters ficam expostos, a equipe de produção da Globo se esconde atrás de uma cortina preta. Como num zoológico, a equipe de apoio só aparece para alimentá-los. No primeiro dia de show, foi servido às atrações do público um prato de estrognofe com salada, suco de uva e uma sobremesa não identificada pelos fãs.

Tudo para eles, aliás, parece muito interessante. Até o que foi servido de sobremesa aos candidatos a uma vaga no reality os deixa instigados. "Acho que era uma torta de chocolate ou uma musse. A gente perguntou, mas eles não ouvem bem, né, porque fazem mesmo leitura labial. Só disseram que estava gostoso", diz, animado, o promoter Beto Vidal.

Morador de Jacarepaguá, também na zona oeste do Rio, ele foi um dos primeiros a chegar e prometeu ser um dos últimos a sair. "Volto amanhã e se tiver depois, também". A dona de casa Marilene Barra, moradora de Copacabana, acompanha o BBB desde a primeira edição e visitou todas as três casas de vidro realizadas em shopping centers.

Assim que chegou, já posicionou em um canto para avaliar os concorrentes e logo apontou os seus favoritos. "Já soube que a ruivinha (Giovanna Leão) já está cancelada porque fez alguns comentários considerados racistas, mas a Paula é bem mais simpática. O Gabriel é bonito, mas o Manoel é favorito para entrar. Gosto dos dois, mas acho que o segundo entra", comentou, com a desenvoltura de uma expert. A ver.