Flávio Bolsonaro lucrou com venda de imóveis da milícia, diz Intercept Brasil

Documentos obtidos pelo Intercept revelam que investigação do MP-RJ apontam que Flávio financiou e lucrou com imóveis da milícia. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido-RJ), financiou e lucrou com a construção de prédios erguidos ilegalmente por milícia com dinheiro de "rachadinhas" - confisco do salário de seus funcionários -, segundo investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro publicada pelo site "The Intercept Brasil" neste sábado (25).

A investigação, de acordo com o "Intercept", preocupa a família Bolsonaro, que tentou por nove vezes suspender o procedimento. O andamento do inquérito é um dos motivos para que o presidente tenha pressionado o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro pela troca do comando da Polícia Federal no Rio, que também investiga o caso, e em Brasília.

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Moro pediu demissão da pasta na última sexta-feira (24) acusando Bolsonaro de interferência política ao querer tirar Maurício Valeixo da direção da PF. A exoneração foi publicada no Diário Oficial com assinatura do então ministro, que negou ter dado aval para a decisão do presidente. Horas depois, o nome de Moro foi retirado do anúncio no D.O.U..

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À tarde, Bolsonaro desmentiu Moro e o acusou de querer condicionar a saída de Valeixo à sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal). O ex-ministro entregou ao "Jornal Nacional", da Globo, conversas do WhatsApp com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) em que ela propõe o cargo máximo do Poder Judiciário em troca do apoio para trocar a chefia da PF.

Documentos do MP-RJ apontam que Flávio Bolsonaro pagava os salários de seus funcionários com a verba de seu gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e acionava seu assessor, Fabrício Queiroz, apontado no inquérito como articulador do esquema de "rachadinhas", para confiscar em média 40% dos vencimentos dos servidores.

O filho do presidente repassava parte do dinheiro ao ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, suspeito de chefiar o Escritório do Crime, milícia que cometia assassinatos por encomenda. Ele foi executado em fevereiro.

Entre os lucros da milícia, estavam "taxas de segurança", ágio na venda de botijões de gás, água e "gatonet" (sinal clandestino de TV), além da grilagem de terras e construção civil nas favelas de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste do Rio.

Parte do dinheiro obtida com a venda dos prédios seria dividida com Flavio Bolsonaro, segundo as investigações, por ser o financiador do esquema usando dinheiro público. Em abril do ano passado, dois edifícios ligados a outras milícias desabaram, deixando 24 mortos e dez feridos.