Ode ao futebol - Flamengo 2 x 2 Palmeiras (6 x 5 nos pênaltis)

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Diego Alves desequilibrou grande clássico na final da Supercopa FOTO Buda Mendes/Getty Images

Supercopa de superfutebol brasileiro. Uma das melhores partidas dos últimos anos. Digna de um bicampeão brasileiro x campeão da Copa do Brasil e também o campeão da Libertadores contra o vencedor de 2019. À altura da rivalidade enorme desde 2016. Vencida por quem finalizou com mais eficiência, mesmo criando menos oportunidades, em um jogaço que foi ainda mais emocionante nos pênaltis mais bem defendidos do que necessariamente perdidos pelas duas grandes equipes. Com uma virada espetacular do Flamengo depois de perder duas cobranças.

Ainda que com menos time, elenco, atletas desequilibrantes, mais desgastado fisicamente e com menos ritmo de jogo, o Palmeiras foi melhor do que a encomenda contra o Flamengo que jogou menos do que pode. O golaço de Raphael Veiga com 1 minuto não fez o time de Abel ficar tão retraído como em outros jogos decisivos – mesmo quando vencedores. A imensa qualidade rubro-negra foi ditando o ritmo até o empate aos 22, com Gabriel, depois de lindo lance de Filipe Luís aproveitando-se de um desvio infeliz de Luan.

Breno Lopes aos 28 só não desempatou pelo meio-campista Diego ser o monstro que é ao salvar sobre a linha como se fosse o xará Alves, e um menino como tantos rubro-negros. Aos 40, em mais um perigoso contragolpe paulista, Wesley foi derrubado por Isla. Leandro Vuaden marcou pênalti que eu não teria marcado na hora, e depois o árbitro corrigiu em lance muito discutível (se a infração foi sobre a linha da área ou não). Diego Alves fez uma defesaça na cobrança de falta de Veiga. Como Weverton faria outra mais impressionante aos 43, quando Bruno Henrique ficou cara a cara e só não marcou pelo melhor goleiro no Brasil fazer a primeira das três grandes defesas dele. Mas nem ele conseguiu evitar o golaço do craque Arrascaeta, aos 48, aproveitando-se da zaga exposta pelo Palmeiras.

Também por isso Abel voltou corretamente (e talvez devesse até ter começado…) com Danilo e Gabriel Menino. Embora o Flamengo tenha tido ótimas chances no contragolpe (uma delas inacreditável com Gabriel Barbosa), o Palmeiras foi melhor, foi empilhando mais chances e empatou aos 28, num pênalti muito bem batido por Veiga, depois da infelicidade de Rodrigo Caio ao cometer falta desnecessária em Rony.

O Flamengo então cresceu (mesmo sem Diego e com Everton Ribeiro mal) e só não virou de vez por Weverton ter feito um milagre que foi abençoado com a bola na trave que voltou para as mãos dele. Ele ainda salvaria sobre a linha a última chance com Gabigol sem ângulo.

Um jogaço que não merecia perdedor. E não teve mesmo.

Nos pênaltis, se era possível, ainda mais emoção no duelo entre dois grandes goleiros e pegadores de cobranças. E muitas cobranças muito bem executadas. Outras nem tanto. Filipe Luís, de grande atuação, cavou o dele mandando no travessão, na segunda batida carioca. Matheuzinho não bateu mal o dele, mas Weverton foi muito bem no canto direito. Luan poderia ter definido o título, mas o gigante Diego Alves defendeu no alto para a equipe carioca. Danilo ainda tinha a bola da Copa. Catimbou bastante. E foi infeliz ao carimbar a trave de Diego. Gabriel ainda precisava fazer o dele. E bateu em camera lenta tão bem que nem Weverton todo esticado conseguiu defender.

Nas cobranças alternadas, Gabriel Menino emulou o chute de Luan no canto alto direito, e Diego defendeu do mesmo jeito. Na sequência, foi a vez de Weverton repetir o lado e a defesa na cobrança rasteira de Pepê. Mayke jogou à meia altura no canto esquerdo e lá foi Diego fazer sua terceira defesa. Rodrigo Caio foi mais feliz. Jogou na rede lateral esquerda de Weverton, que desta vez esperou e nem foi para a bola que foi muito bem tratada em Brasília.

Ao menos ela.

Mais um grande confronto histórico de uma dupla que promote mais grandes histórias em 2021.

E contando.