Fiscais vão à Bienal do Livro após críticas de Crivella a beijo gay em quadrinhos

BRUNO MOLINERO*
RIO DE JANEIRO, RJ, 06.09.2019 - BIENAL-RIO - O subsecretário de operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública, o coronel Wolney Dias, que é ex-comandante da Polícia Militar, na Bienal do Rio. (Foto: Bruno Molinero/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma equipe da Prefeitura do Rio de Janeiro chegou à Bienal do Livro por volta do meio-dia desta sexta-feira (6). Os fiscais estavam acompanhados pelo subsecretário de operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública, o coronel Wolney Dias, que é ex-comandante da Polícia Militar.

Assim que chegaram ao evento, o grupo se reuniu por cerca de dez minutos para discutir como evitar acidentes com as crianças e adolescentes presentes. Por volta de 12h20, a equipe de fiscais se dividiu pela feira para visitar os estandes.

O caso acontece depois de o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anunciar que censuraria a HQ "Vingadores - A Cruzada das Crianças", em seu Twitter na noite de quinta (5).

Segundo Dias, o objetivo da visita é verificar a denúncia de que livros impróprios para menores de idade estão sendo vendidos na Bienal.

"Não é censura. Estamos cumprindo uma recomendação da Procuradoria Geral do Município", disse Dias a jornalistas quando chegou aos pavilhões do Rio Centro, onde a Bienal acontece até domingo (8).

Essa é a primeira vez que uma fiscalização do tipo ocorre na história da Bienal do Livro.

Crivella publicou em suas redes sociais que mandou recolher exemplares do gibi porque eles trariam "conteúdo sexual para menores". Na história, dois personagens gays aparecem se beijando.

Na noite de quinta, a Bienal afirmou que recebeu uma notificação extrajudicial da prefeitura na qual não é pedido o recolhimento dos exemplares de "Vingadores - A Cruzada das Crianças", mas que os livros fossem lacrados e viessem com uma classificação indicativa ou aviso de que há material ou cenas impróprios para menores de idade. ​

Quando a feira abriu às 9h desta sexta-feira (6), as HQs já não podiam ser encontradas no estande da Panini, que publicou a história em parceria com a editora Salvat há dois anos. O livro está indisponível também no site da Salvat.

Em outros estandes da Bienal que vendem gibis e HQs, o título também sumiu. Oficialmente, os expositores afirmam que a história foi toda vendida e os exemplares acabaram se esgotando.

Sem querer se identificar, funcionários ouvidos pela reportagem disseram que foram orientados a recolher títulos com temática LGBT ou que possam gerar polêmicas por causa da fiscalização da prefeitura.

A organização da Bienal afirmou que não irá recolher nem embalar nenhum livro, pois o conteúdo não é impróprio e nem pornográfico. Mas ressalta que qualquer pessoa que se sentir ofendida ou não gostar de algum título adquirido tem direito de trocar o livro.


*O repórter viajou a convite da Bienal do Livro