Fintech argentina lança pagamentos móveis para pequenas empresas

Carolina Millan
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A Ualá, empresa de pagamentos móveis que tem entre os investidores George Soros, Steve Cohen e Tencent, anunciou sua expansão em serviços comerciais na Argentina.

A fintech argentina lançou na quinta-feira uma variedade de serviços que atendem pela primeira vez a pequenas empresas, disse o fundador e CEO da Ualá, Pierpaolo Barbieri. A Ualá vai oferecer unidades de ponto de venda móvel (mPOS), com previsão de implantar 100 mil até o fim de 2021, além de permitir que pequenas empresas cobrem por meio de links de pagamento.

“Na quinta-feira, deixaremos de ser um aplicativo de pagamentos e começaremos a nos tornar um ecossistema completo de pagamentos, indo além de contas individuais e serviços até as pequenas empresas”, disse Barbieri por telefone. “Isso fecha o ciclo na Ualá.”

A Ualá, que fornece uma série de serviços financeiros baseados em um cartão pré-pago gerenciado por meio de um aplicativo móvel, emitiu mais de 2,5 milhões de cartões na Argentina desde que começou a operar em 2017. A empresa lançou operações no México no final de setembro e já emite mais de mil cartões por dia no país, disse Barbieri.

Os serviços de fintechs cresceram na Argentina no último ano, pois a pandemia levou consumidores a buscarem alternativas ao dinheiro, frequentemente pela primeira vez. Ainda assim, o país tem uma das menores penetrações de serviços financeiros do continente, pois o dinheiro em espécie é usado em 87% de todas as transações, mesmo considerando o impacto da pandemia, segundo relatório da McKinsey divulgado em outubro.

A Ualá não é a única empresa que busca aproveitar a oportunidade. Nesta semana, uma aliança de 30 bancos públicos e privados locais lançou o aplicativo de fintech MODO, que vem na esteira do lançamento pelo Banco Santander Rio e Grupo Supervielle de suas próprias versões de unidades mPOS. Tudo isso provavelmente aumentará a pressão sobre o MercadoPago, o braço de fintech da gigante de comércio eletrônico Mercado Livre, que historicamente tem sido líder no mercado de fintechs argentino.

Barbieri diz que a oferta da Ualá está bem posicionada para competir contra os vários produtos novos e existentes, porque permitirá que as pequenas empresas tenham acesso aos fundos imediatamente - em vez de até dois meses, o padrão do setor - e graças às comissões que são 30% mais baratas que a de seus concorrentes. Isso é fundamental em um país com inflação anual de cerca de 40%, o que aumenta a urgência de empresas por dinheiro rápido.

A Ualá, que pretende contratar outras 500 pessoas e continuar expandindo as operações em 2021, diz que seu projeto de crescimento já está totalmente financiado graças à rodada de financiamento da Série C de 2019, na qual levantou US$ 150 milhões liderados pela chinesa Tencent e pelo conglomerado japonês SoftBank. Soros, Cohen e Jefferies também estavam entre os investidores iniciais.

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