'Fina Estampa' já era cafona e chega péssima em 2020

Fina Estampa desagrada internautas (Foto: TV Globo/Reprodução)

A edição do 'BBB20' vai deixar saudade, mas se teve uma coisa boa no fim do programa, é que agora o público não precisa mais assistir 'Fina Estampa’ enquanto espera o programa começar. A novela, que já era cafona em 2011, ano em que foi ao ar originalmente, envelheceu mal e chegou péssima a 2020. 

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Em sua conta no Instagram, a influenciadora Mel abriu seu coração com uma placa singela, que traz, no entanto, o grito preso na garganta de noveleiros de todo o país: “Fina Estampa é ruim demais”. A postagem foi curtida por mais de 37 mil pessoas e choveram comentários de influenciadores endossando a opinião. 

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Pesa contra a novela o fato de que ‘Amor de Mãe’, que teve que ser interrompida por conta da pandemia do coronavírus, era uma novela muito elogiada pela crítica, com tramas bem construídas e personagens com muita densidade. O telespectador que vem embalado pelo ritmo de Manuela Dias empaca com a trama de Aguinaldo Silva, que ficou muito ultrapassada ao longo dos anos. 

Segundo o ‘Observatório da TV', a novela chegou a bater 40 pontos de audiência, superando 'Amor de Mãe’. Mas temos que levar em conta que, com o confinamento domiciliar, mais pessoas estão em casa. E, apesar dos bons resultados, o folhetim é fraco. Desculpa, Aguinaldo!

Tramas batidas 

Na trama, Agenor (Caio Castro) tem vergonha da mãe Pereirão (Lilian Cabral). Filho que tem vergonha da mãe não é nada exatamente novo e inédito, inclusive, acabamos de ver Josiane (Agatha Moreira) com vergonha de Maria da Paz (Juliana Paes) em ‘A Dona do Pedaço’. Ele, assim como a Jô, volta a se relacionar com a mãe por interesse. 

Já personagem ganhando na loteria, como Griselda, também não chega a ser novidade. Na mesma ‘A Dona do Pedaço’, de Walcyr Carrasco, Cornélia (Betty Faria) virou milionária. Oscar (Tonico Pereira) tirou a sorte grande em 'Por Amor', de Manoel Carlos. E por aí segue a lista dos sortudos da ficção. O desenrolar da história é monótono, desinteressante. 

O gay chaveirinho 

O personagem Crô (Marcelo Serrado) foi muito querido pelo público quando a novela foi ao ar em 2011 e inspirou até mesmo um filme. Mas a verdade é que Crô é o que se chama no meio da militância LGBT de “gay chaveirinho”, cuja existência se dedica a ser acessório de outra pessoa. Neste caso, da vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni), a quem chama de “soberana, rainha” e outros adjetivos incomuns à vida real.

Crô, que é seu mordomo, é maltratado por Tereza Cristina, hostilizado, chamado de “biba” e outras coisas mais, mas segue ali, como fiel escudeiro. A forma como o personagem, um gay afeminado, é retratado ficou completamente datada chata e ofensiva). Cruzes.

Celeste e Baltazar e a romantização da violência doméstica 

Baltazar (Alexandre Nero) é um marido agressivo que bate na mulher, Celeste (Dira Paes), mas é bastante estranha a escolha da música tema do casal, que se chama Amor Covarde, da dupla sertaneja Jorge e Mateus. A canção diz “Quando a gente fica junto, tem briga.

Quando a gente se separa, saudade. Quando marca um encontro, discute. Desconheço um amor tão covarde”. A música parece tratar de um casal que se ama, mas tem problemas de comunicação, enquanto que na tela o que é exibido é a agressão física de uma mulher. A escolha da trilha sonora é de gosto, no mínimo, bastante duvidoso. Bola fora gigante. 

O que é a Tereza Cristina?

Em 2020, a vilã é difícil de engolir. Ela não tem densidade alguma, não tem camadas. É uma dondoca, fútil, desocupada, desagradável pela própria natureza, sem muitas explicações.

Já se sabe que ela é capaz até de matar, mas o telespectador nunca vai conhecer o que Tereza Cristina é por trás dos insultos, a personagem é oca. O que se sabe é que é hostil com pessoas subalternas, possessiva com o marido e a filha, com horror a pessoas pobres, boba, manipuladora e é isso. Nada mais. Saudade, Carminha, saudade, Nazaré, saudade, Thelma

Crô e Baltazar = Aff

Depois de agredir a mulher, Baltazar (Alexandre Nero) vai preso e Celeste, finalmente, se livra do embuste e sai do relacionamento abusivo.

No entanto, Baltazar, que nunca sai efetivamente do armário, se envolve com Crô, que abandona o noivo no altar e os dois vivem um final feliz. Em 2020, a trama de um homem que agredia a ex-mulher e, sem nunca se admitir gay, conquista um final feliz com um personagem gay afeminado fica insustentável.

Precisamos falar de Pereirão 

A personagem passa a novela inteira sendo ridicularizada pela sua aparência “pouco feminina” e por sua profissão de faz-tudo.

Ela é chamada de bigoduda pela rival Tereza Cristina, que em uma das cenas mais inacreditáveis da novela, vai à casa de Griselda e a humilha, dizendo que ela não se parece uma mulher. Se o julgamento por “ter uma profissão masculina” e pelas roupas que usa parecia muito bobo quando a novela foi ao ar, nos dias de hoje, em que as mulheres estão cada vez mais livres para estarem em todas as áreas no mercado de trabalho, a situação da trama fica ainda pior.

Ao contrário, a fortuna que ela ganha faz com que ela mude de visual, deixando o “lado masculinizado” para trás e criando uma espécie de redenção pela feminilidade. Desnecessário.