Filme francês 'Climax' é pesadelo alucinógeno e ultra violento

(Imagem: divulgação Imovision)

Gaspar Noé é o diretor francês que ficou famoso por incluir uma longa cena de estupro da personagem de Monica Belucci em ‘Irreversível’ e por mostrar um homem se masturbando e gozando para a câmera, com efeito 3D, em ‘Love’. Agora ele está de volta, com mais um filme repleto de cenas fortes, em ‘Climax’, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira.

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Há, entre outras cenas, uma mulher grávida que leva repetidos chutes no ventre, dois irmãos que cometem incesto e uma criança que bebe um drink “batizado” com LSD. São momentos que chocam e transformam o longa numa experiência angustiante. Mas antes de descartar a obra como puro sensacionalismo, vale o exercício de tentar entender o que Noé quer dizer ao público.

‘Climax’ mostra um grupo de dançarinos em preparação para uma apresentação. Na última noite de ensaios, há uma festa. O filme mostra diálogos entre os personagens, a maioria deles falando sobre seus desejos sexuais, mas também tocando em assuntos como aborto, relacionamentos e casamento.

As conversas particulares parecem coisas que alguém pode falar para o outro sem a pretensão de tornar real. Porém, a partir do momento que a bebida servida no evento causa um efeito alucinógeno, não há mais limites nem amarras. Sem respeito às individualidades e à razão, o caos reina.

É uma mensagem importante num momento de convulsão social, onde indíviduos de uma mesma comunidade cada vez mais viram-se contra outros. A bandeira da França colocada no fundo do cenário principal, além de um elenco multirracial que reflete a transformação que seu país tem passado nas últimas décadas, não estão ali por acaso.

Assim como o elenco de seu filme, a câmera de Noé também é um corpo em movimento constante. O efeito só reforça a sensação de imersão naquela atmosfera e no estado psicológico alterado dos personagens. Pelo menos o cinema dá a oportunidade de passar por tudo isso de uma distância segura.