O melhor caminho a tomar se você quiser que seu filho seja vegetariano

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Nos últimos anos, cresceu o número de pessoas que optam por uma dieta vegetariana e que incluem seus filhos nessa opção alimentar. Na Europa, estima-se que a parcela da população que adota a dieta vegetariana oscile entre 1,2 e 1,5% na Espanha e em Portugal. Já no Reino Unido, o número sobe para 7% e, na Alemanha, para 10%.

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A Academia Americana de Nutrição e Dietética, bem como outras sociedades médicas, consideram que essas dietas, quando bem planejadas, são perfeitamente apropriadas e saudáveis para crianças de todas as idades. Porém, se não forem aplicadas adequadamente, podem gerar consequências negativas para a saúde e afetar o crescimento de crianças e adolescentes.

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"Uma dieta vegetariana mal planejada, como qualquer outro tipo de alimentação não balanceada, pode ter consequências negativas para a saúde e o crescimento. Por isso, é importante e recomendável que, antes de incluir as crianças em uma dieta restritiva, o pediatra seja consultado", adverte o Dr. José Manuel Moreno Villares.

As dietas restritivas "exigem mais atenção e cuidado", pois podem causar quadros graves de desnutrição. Por isso, o Comitê de Nutrição e Lactação Materna da Associação Espanhola de Pediatria (AEP) elaborou uma série de recomendações com o objetivo de evitar a falta de nutrientes que esse tipo de dieta pode causar em crianças e jovens e de informar os pais sobre os nutrientes que devem ser complementados se optarem por uma dieta vegetariana para seus filhos.

O especialista avaliará se a dieta cumpre os padrões nutricionais necessários para um bom desenvolvimento e, se necessário, indicará a "suplementação correta", frisa o Dr. Moreno.

Sem produtos de origem animal

Uma pessoa é considerada vegetariana quando não consome carnes, peixes, frutos do mar ou qualquer produto elaborado com esses alimentos, podendo ou não incluir em sua dieta alimentos derivados de outros animais, como ovos, laticínios ou mel.

As dietas vegetarianas são ricas em fibra, magnésio, ferro férrico, ácido fólico, vitaminas C e E, ácidos graxos poli-insaturados n-6, carotenoides, flavonoides e outros fitoquímicos e antioxidantes.

No entanto, como informa Moreno, elas possuem teor mais baixo de gorduras totais, ácidos graxos poli-insaturados n-3, colesterol, iodo, zinco, ferro ferroso e vitaminas B12 e D.

Os veganos, por outro lado, são pessoas que adotam uma dieta considerada vegetariana estrita, ou seja, não consomem nenhum alimento ou derivados de origem animal. "O risco de deficiências é maior em dietas mais restritivas, especialmente na dieta vegana, que exclui qualquer produto de origem animal", enfatiza o médico.

Segundo o artigo, publicado nos Anais de Pediatria, crianças vegetarianas tendem a consumir mais frutas e verduras, menos doces, salgadinhos e gorduras saturadas, mas há o risco de consumir em excesso alguns alimentos de baixa densidade nutricional.

O que deve ser suplementado

Nesse sentido, a necessidade de proteínas pode ser suprida se a dieta incluir uma variedade ampla de alimentos de origem vegetal e atingir os requisitos de energia.

Como, em geral, a qualidade proteica dos alimentos vegetais é inferior à dos produtos de origem animal (principalmente leite e ovos), é aconselhável garantir o consumo diário de alimentos ricos em proteína (legumes, frutas secas e sementes) e mesclar as fontes de proteína.

Da mesma forma, o uso da soja e seus derivados (tofu, tempê e produtos análogos de carne) e dos pseudocereais, como quinoa e amaranto, podem contribuir para garantir o equilíbrio adequado de aminoácidos.

Em relação ao ferro e ao zinco, o artigo indica que, embora estejam presentes em teor elevado em alguns produtos vegetais, quando se trata de sua forma não heme, cuja absorção é mais difícil, a biodisponibilidade é menor.

"Por isso, é recomendável consumir alimentos ricos em vitamina C em todas as refeições para favorecer a absorção do ferro", aconselha o Dr. Moreno Villares.

O sal iodado, os vegetais de origem marinha e alguns alimentos à base de cereais constituem a melhor fonte de iodo para os veganos. Os laticínios e a gema do ovo também são fontes de iodo, destaca Moreno.

As algas (wakame, kombu, alaria e nori, entre outras), com grande protagonismo nessas dietas, também podem ser uma fonte importante de iodo, embora também contenham arsênico, "portanto, devem ser consumidas com cautela por lactantes e crianças pequenas", alerta o especialista.

Por outro lado, Moreno destaca que a vitamina B12 não está presente em alimentos de origem vegetal. Além disso, os alimentos fermentados e as sementes marinhas não podem ser considerados fontes confiáveis de vitamina B12.

"É imprescindível que todos os vegetarianos e veganos suplementem a vitamina B12 oralmente. Inclusive para ovolactovegetarianos ou pessoas que consomem alimentos fortificados com frequência, uma dose de reforço é a melhor forma de garantir o nível ideal dessa vitamina", afirma o médico.

Alimentos recomendados por faixa etária

Embora a adoção da dieta vegetariana em qualquer etapa da infância não seja necessariamente algo inseguro, o médico destaca que "é preferível recomendar a dieta onívora ou, pelo menos, ovo ou lactovegetariana durante o período lactante e para crianças muito novas".

Para todos os bebês, o leite materno é o alimento ideal para lactantes vegetarianos ou veganos e, por isso, deve ser recomendada. Nesse sentido, "é importante garantir que essas mães tomem um suplemento regular de vitamina B12 e iodo", afirma a Dra. Miriam Martínez Biarge, pediatra do Department of Paediatrics do Imperial College NHS Trust - Hammersmith Hospital de Londres (Reino Unido).

A idade para a introdução de outros alimentos deve ser a mesma indicada para os não vegetarianos. É recomendável introduzir legumes a partir dos 6 meses, pois são os substitutos naturais da carne em dietas vegetarianas.

A partir dos 6 meses, também pode oferecer iogurte de soja sem açúcar de vez em quando, no café da manhã ou no almoço, com ou sem frutas. É importante selecionar variedades enriquecidas com cálcio.

Além disso, também é recomendável consumir regularmente verduras ricas em vitamina A (batata-doce, brócolis, cenoura, abóbora).

Por sua vez, o glúten "deve ser introduzido na mesma idade indicada para os lactantes que não seguem dietas especiais", afirmou o médico. Conforme especificado, é importante utilizar cereais integrais, como pães, arroz, massas, cuscuz, milho, polenta de milho e quinoa. Ocasionalmente, também podem ser consumidas bebidas vegetais enriquecidas com cálcio para preparar algum prato, "mas nunca devem ser usadas como bebida principal", avisa o especialista.

Cuidado com alguns alimentos...

Até o primeiro ano, é recomendado evitar espinafre, acelga, borragem, beterraba, rúcula e outras folhas verdes, devido ao teor elevado de nitratos; mel e xaropes, devido ao risco de contaminação com esporos de botulismo; algas, devido ao teor elevado de iodo; e alimentos com efeito laxante, como sementes de linhaça e chia.

A partir de 2 anos, de acordo com o especialista, a alimentação das crianças deve ser igual à do resto da família, com o cuidado de selecionar alimentos frescos em vez de produtos processados e sucos de frutas com adição de açúcares.

O Comitê de Nutrição e Lactação Materna dá ênfase especial à adolescência, uma etapa em que a necessidade de nutrientes é maior, principalmente de proteínas, ferro, zinco e cálcio. "É importante garantir que os adolescentes vegetarianos e veganos consumam legumes e derivados diariamente, pois esse é o grupo de alimentos que mais contribui para o fornecimento desses quatro nutrientes", conclui Moreno Villares.

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