Festival de Ganesh, o deus elefante, retorna em grande estilo na Índia

Ganesh, a divindade com cabeça de elefante, retorna em grande estilo a Mumbai, que a partir de quarta-feira (31) celebra um dos grandes festivais hindus do ano na Índia.

Nos últimos dois anos, a pandemia obrigou as autoridades a restringir as dimensões do festival, começando pelas representações de Ganesh, para atrair menos pessoas.

Agora as estátuas recuperaram seu tamanho de elefantes de pelo menos dez metros de altura. São tão pesadas que é preciso ter dezenas de pessoas para levantar as figuras e movê-las de um lugar para outro.

O festival dura 11 dias e atrai dezenas de milhares de peregrinos hindus às ruas desta grande cidade costeira.

O artesão Bharat Masurkar, no ramo há quatro décadas, está satisfeito com o retorno das encomendas, sentado entre dezenas de suas criaturas esculpidas em argila e gesso e depois cobertas com cores brilhantes.

"Este ano, o barro e o gesso voltaram com total efervescência", disse à AFP em seu ateliê.

Na esquina algumas pessoas trabalham em andaimes de madeira.

"Gastamos até 15 horas por dia com essas figuras", diz um deles, Raju Patel, que veio do estado de Bihar, 2.000 quilômetros ao norte de Mumbai, como todos os anos desde 1996.

- Tradição e meio ambiente -

Os Ganesh são geralmente feitos com gesso de Paris, um material consistente e leve que permite um transporte confortável por estrada.

A maioria dos ídolos é transportada em carros puxados por homens até os bairros em que foram encomendados, para festas de rua em que milhares de fiéis dançam por horas.

Segundo os artesãos, o barro é muito pesado e quebradiço para fazer figuras grandes. Da mesma forma, as estátuas de papel machê são propensas a ficarem encharcadas nesta temporada de chuvas.

O festival termina com procissões de Ganesh em direção ao Mar Arábico, onde as divindades são submersas.

O gesso, no entanto, não se dissolve e acaba mais tarde na costa, poluindo a água e prejudicando a vida marinha, segundo ambientalistas.

O impacto ambiental das estátuas de gesso tornou-se motivo de preocupação para as autoridades, que decidiram proibi-las a partir do próximo ano.

Este ano, as estátuas de gesso são autorizadas com a condição de serem submersas em lagos artificiais. Uma reviravolta que deixa angustiados aqueles que vêm de longe para ganhar a vida fazendo figuras de gesso.

"Quem trabalha com gesso de Paris vai passar fome" com esta medida, diz Masurkar, referindo-se a todos que vêm de Bihar todos os anos para trabalhar alguns meses em Mumbai porque não têm alternativa.

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