Vai ter show! Festivais com forró, pop e jazz para além do eixo Rio-SP

Quando tudo passar vai ter show! (Foto: Getty Images)
Quando tudo passar vai ter show! (Foto: Getty Images)

Foi o primeiro a fechar e o último a abrir. Essa frase foi repetida ao longo de todo o auge da pandemia do Covid-19 pelas milhares de pessoas envolvidas com a cultura no Brasil. E após um período de muita turbulência, a retomada enfim chegou para o setor que, em 2020, empregava cerca de 4,8 milhões de trabalhadores, segundo o IBGE.

O momento positivo pode ser constatado pela quantidade de festivais de música previstos para os próximos meses em todo o país, além dos que já ocorreram recentemente como Lollapalooza em São Paulo, Rock The Mountain (que fará nova edição já em novembro) no interior do Rio de Janeiro, Breve Festival em Belo Horizonte e Guiamum Treloso em Pernambuco.

O retorno é celebrado pelos produtores como um momento de otimismo. "É um grande alívio conseguirmos retomar as nossas atividades. Agora estamos passando por um momento de colocar na rua tudo que tava represado nesses últimos dois anos. Estamos tendo uma enxurrada de eventos e projetos, o que é excelente para milhares de trabalhadores da cultura do país", afirma Ana Morena, produtora cultural e presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin).

Jomardo Jomas, fundador e produtor do festival potiguar Música Alimento da Alma, o Mada, destaca a felicidade da hora, relembrando o que se passou ao longo dos momentos ruins da pandemia.

“No começo ficamos naquela expectativa de poder voltar em três meses, mas logo depois, pelo menos para mim, ficou claro que não era possível retornar enquanto não tivéssemos vacinação em um nível seguro. Tivemos que nos adaptar, passar para o formato online com outras ideias e finalmente o momento de voltar chegou”, lembra Jomas que reúne nos dias 23 e 24 de setembro diversos músicos no Mada, em Natal (Rio Grande do Norte).

Tudo caro!

A retomada, porém, não vem com tanta facilidade. Após praticamente dois anos de portas fechadas, o setor encontra obstáculos para reorganizar-se diante de uma economia que patina em altos níveis de inflação, impactando diretamente nos custos de produção. "Temos muitos desafios pela frente. Primeiro é lidar com uma economia completamente destruída com preços exorbitantes para todo tipo de serviço. As passagens aéreas aumentaram quatro vezes o valor do que pagávamos em 2020, e nem por terra tá fácil com o preço da gasolina como está. Além disso, temos vários profissionais e fornecedores que não aguentaram e foram trabalhar em outras áreas", explica Ana Morena.

Incentivos para cultura

Para os produtores, o momento é de levar cada valor para a ponta do lápis e evitar ao máximo repassar os aumentos para quem vai aos festivais.

“Estamos tentando, com cortes e economia onde é possível diminuir o reflexo do aumento dos custos. Para quem faz festival longe do Sudeste, é pior ainda. A malha viária diminuiu, as passagens, que são o nosso maior gargalo hoje, dobraram ou triplicaram, além de tudo que subiu, como alimentação, locação de estrutura. Todo o planejamento feito há dois anos não vale mais”, ressalta o fundador do festival Mada.

Estamos num momento em que o público está optando entre comprar um gás de cozinha e ir a um show, teatrodiz a diretoria da Abrafin

O quadro traz mais preocupação ainda com o difícil acesso a políticas culturais a nível nacional, exemplificado pelos recentes vetos do presidente Jair Bolsonaro a iniciativas como as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo.

“No Rio Grande do Norte temos as leis de incentivo estadual e municipal que funcionam bem, o que não existe em todo o estado. Quando olhamos para o nível nacional, temos só um arremedo de política cultural, que não sabemos para onde vai. Com a economia em dificuldade, esse apoio governamental é essencial para a retomada”, comenta Jomardo. "Só há um caminho: colocarmos um governo que realmente se importe com as pessoas, que entenda que o cidadão precisa comer, precisa ter saúde e precisa ter cultura na sua vida", finaliza Morena.

Dificuldades à parte, as boas notícias são que os grandes shows estão de volta a todo vapor e que não devem ficar mais só dentro do eixo Rio-SP. Para ajudar você, o Yahoo selecionou alguns dos principais eventos que vão rolar, com atrações consagradas a nível nacional e internacional, estrelas em ascensão e novos nomes. Segue a lista:

Rock in Rio

Público no Rock in Rio em 2019 (Foto: Alessandra del Bene/Getty Images)
Público no Rock in Rio em 2019 (Foto: Alessandra del Bene/Getty Images)

Com retorno marcado para setembro próximo, o Rock in Rio chega a sua nona edição com sete datas marcadas para os shows no Parque Olímpico carioca. A Cidade do Rock verá, mais uma vez, a mistura de ritmos - e gerações - que tem notabilizado o festival nas edições recentes. O line-up vai de Iron Maiden a Justin Bieber, passando por Post Malone, Green Day, Coldplay e Dua Lipa, além dos Racionais, Gilberto Gil, Ivete Sangalo, Iza e Djavan, ladeados pelos estreantes do Bala Desejo.

Primavera Sound

Nascido em Barcelona-ESP, o Primavera Sound é um dos mais famosos festivais do mundo. Nesse ano de retomada, desembarca na América do Sul pela primeira vez, tendo São Paulo como um dos destinos. Em novembro, concentrando os maiores shows no Anhembi, mas com atividades em dois outros pontos, o Primavera terá Bjork, Artic Monkeys, Lorde, Gal Costa interpretando o Fa-Tal e Hermeto Pascoal.

Queremos

Neste fim de maio (28), ladeado por um dos mais belos cenários do país, o festival Queremos congrega 13 shows em uma só tarde-noite. O time reunido na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, passa por nomes como Céu, Drik Barbosa, Luedji Luna, Baco Exu do Blues, coroados pelos saxofonista norte-americano Kamasi Washington e o decano Gilberto Gil. A festa teria como uma de suas principais atrações a diva Elza Soares, falecida em janeiro, que deve receber várias homenagens.

Festival Mada

Saindo do circuito Rio-São Paulo, o festival Música Alimento da Alma (Mada) vai voltar a ocupar um palco de Copa do Mundo com nomes de peso do cenário nacional. Agendado para o fim de setembro, o Mada levará para a Arena das Dunas, em Natal, um line-up completo, que pouco fica devendo a qualquer outro evento. Os nomes principais? Emicida com o show AmarElo,Marina Sena, Djonga, Baiana System, Linn da Quebrada, Letrux, Glória Groove, Josyara, Afrocidade, Terno Rei e Boogarins.

FIG

Ainda no Nordeste, para quem quer desbravar uma parte pouco conhecida do interior da região a pedida é o Festival de Inverno de Garanhuns. A cerca de 240 km de Recife, a cidade serrana promove um festival de música, com foco nas tradições nordestinas, que tradicionalmente dura duas semanas. As atrações, que envolvem audiovisual, circo, dança e teatro, ainda estão sendo selecionadas pela secretaria de cultura de Pernambuco, mas a edição promete, pois é a 30ª do festival, marcado para julho.

Afropunk

Este, por enquanto, também é para guardar a data com carinho. No fim de novembro, exatamente um ano após a primeira edição, o Afropunk retorna para o bis no Brasil. O endereço, como não poderia ser diferente, é o mesmo da estreia: a Roma Negra, Salvador. No ano passado, o festival reuniu, em parcerias que são a tradição do evento, Mano Brown e Duquesa, Luedji e Yoún, Margareth Menezes e Malía, além do Ilê Aiyê com Tássia Reis. A se ver as surpresas que ainda podem vir.

Meca

Após dois adiamentos, o festival Meca volta ao Museu Inhotim, localizado em Brumadinho. Distante 1h de Belo Horizonte, o local receberá em agosto pesos-pesados como Alceu Valença e Caetano Veloso, que fará seu aniversário de 80 anos na semana do evento, além da dupla mineira Clara x Sofia e da baiana Majur.

Planeta Brasil

Ainda nas Minas Gerais, o Planeta Brasil promete reunir mais de 90 atrações internacionais e nacionais no próximo fim de setembro. O line-up anunciado para as apresentações no Mineirão é bem diverso. Tem o reggae do Natiruts, a MPB de Vanessa da Mata, Poesia Acústica, Jão, Academia da Berlinda, Chico Chico, Jade Baraldo, Vintage Culture, L7nnon, Xamã, Black Alien e D2, MC Poze do Rodo e várias outras atrações.

Forró da Lua Cheia

No mês das festas juninas, o festival Forró da Lua Cheia retoma as atividades comemorando 30 anos. Ao contrário do que sugere, o evento não é só sanfona, triângulo e zabumba. Quem for até Altinópolis-SP terá shows de Liniker, Francisco El Hombre, Mart’Nália, Luísa e os Alquimistas e nomes consagrados do calibre dos Racionais e o Grande Encontro de Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença. O forró, que claro não falta, fica por conta de grupos como Falamansa e Xaxado Novo.

DoSol

Subindo novamente o mapa, retornando ao Rio Grande do Norte, o festival DoSol terá no último fim de semana de maio mais uma noite de show na capital potiguar. Pulverizando suas atividades ao longo de todo o primeiro semestre, que já teve shows de Academia da Berlinda, Attoxxa e o fenômeno Marina Sena, o evento aposta agora no fim de maio numa trinca forte: o DNA dos Gilsons, o rap e funk mineiro de FBC & VHOOR e o swing baiano de Rachel Reis nos dias 28 e 29 de maio.

Amazonas Green

Chegando ao Norte, uma proposta diferente de festival. No coração da Amazônia brasileira, em Manaus, o Amazonas Green Jazz Festival chega à 10ª edição. O cenário principal é o centenário Teatro Amazonas, uma das casas mais clássicas do país. Reunindo ao longo de uma semana ininterrupta a nata do gênero, o Amazonas Green terá nomes como Jeff “Tain” Watts, Amilton Godoy Trio e Leila Pinheiro.

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