Festa de Deolane teve de tudo: até protesto! Entenda manifestação na porta do evento

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Festa de Deolane teve protesto (Foto: BrazilNews e Bárbara Saryne/Yahoo)
Festa de Deolane teve protesto (Foto: BrazilNews e Bárbara Saryne/Yahoo)

Ostentação, barraco e fãs enloquecidos. Teve tudo na festa de Deolane Bezerra. Até protesto. No meio da aglomeração de fãs, que faziam o possível para entrar no evento, Gisele Juliana de Carvalho chorava pela morte de seu filho, Vinícius Timóteo, que tirou a própria vida aos 23 anos. 

Segundo a cozinheira, que trabalhava com Vinícius no Buffet Evento Perfeito, mesma empresa que cuidou da festa de Deolane, a pressão do trabalho deixou Vinícius doente e o descaso dos patrões culminou no agravamento de sua depressão. 

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"Eles dispensaram meu filho sem direito nenhum. Ele teve uma convulsão dentro do buffet. O médico falou que foi por muito estresse, muita cobrança. Festas grandes acontecem aí. Ele mal ia embora para casa. Meu filho convulsionou, ficou doente, começou a fazer tratamento. Falaram que bom o meu filho servia, mas doente não", afirmou ela, aos prantos, em entrevista ao Yahoo!.

Apoiada pelos amigos presentes, Gisele conta que também foi dispensada quando o filho ficou mal. Os dois não tinham registro em carteira e saíram com uma mão na frente e outra atrás depois de anos dedicados à empresa. "Meu filho entrou em depressão, queria voltar a trabalhar e não permitiram. Eles não pagaram os nossos direitos", disparou.

Ainda segundo Gisele, o protesto realizado no dia da festa de Deolane teve o intuito de fazer o caso ganhar visibilidade. "Não é só o meu filho que passa por isso. Quem trabalha aí não tem registro, os únicos que têm são os que trabalham no escritório, os coordenadores. Garçom, cozinheiro, ninguém tem registro aí. Temos uma vida desmumilde [sic] aí dentro. Por trás desses bastidores existe muita humilhação. Eu preciso que alguém me ouça", implorou.

O outro lado

O Yahoo! entrou em contato com o Buffet Evento Perfeito nesta quinta-feira (4) para ouvir sua versão da história. A proprietária Lígia Matiko confirmou que Vinícius e Gisele trabalharam em suas festas, mas de forma esporádica e com liberdade para atuar em outras empresas. 

"Ele e a mãe eram freelancers, só prestavam serviços quando queriam e estavam disponíveis", diz ela, que pagava apenas pelas diárias, pois não tinha como garantir eventos todos os dias e semanas.

Lígia, que também é estudante de medicina, confirma que Vinícius teve uma crise convulsiva dentro do buffet, mas garante que ele foi atendido e se reestabeleceu rapidamente. Ela também ressalta que não deixou de chamar o rapaz para trabalhar por causa do episódio. O problema é que a pandemia fez com que todos os eventos fossem adiados e o buffet ficasse fechado.

"Quando veio a pandemia, não teve trabalho para ninguém. Depois de 2 ou 3 meses, ele me ligou e perguntou sobre direitos trabalhistas. Eu falei que os freelancers recebem o pagamento no dia e tá tudo certo. Ele ameaçou colocar na Justiça e eu falei que tudo bem. Deixaria o juiz decidir. Já tive ações em que provei que a pessoa tinha liberdade, trabalhava só quando queria", afirma. 

Ainda de acordo com Lígia, Vinícius não entrou mais em contato depois do telefonema. Ela soube da morte dele há dez dias e acredita que os fatos não têm ligação nenhuma. 

"A mãe tá usando a morte do filho para querer dinheiro. Me espanta ele ter falado que ia colocar na Justiça e não ter feito nada. O trabalho aqui não tem pressão. O que a gente cobra dos garçons é que atendam bem os clientes, com carinho e simpatia", finaliza.

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