'Escuto tanto que chega a irritar em casa' diz Ferrugem sobre influencia da cultura hip hop

SIDNEY GONÇALVES DO CARMO E FERNANDA PEREIRA NEVES
BARRETOS, SP - 16.08.2019 - FESTA DO PEÃO DE BARRETOS 2019 - O cantor Ferrugem durante a Festa do Peão de Barretos 2019, realizada no Parque do Peão em Barretos, SP. (Foto: Fabricio Guerreiro /Fotoarena/Folhapress) 1779607

BARRETOS, SP (FOLHAPRESS) - As recentes parcerias com Zé Neto e Cristiano, Ivete Sangalo, Léo Santana e Felipe Araújo mostram como Ferrugem transita bem por vários gêneros musicais. Até com Anitta o artista já gravou uma canção em 2015. De anos para cá, Ferrugem diz que também passou a ter interesse pela cultura hip hop americana.

"Estou sendo influenciado pela cultura hip hop nos últimos dois anos. Curto o estilo dos caras, a letra e a ideologia dessa galera. Curto também o idioma, mesmo não sabendo bolhufas de inglês. Acho a fonética bonita e acabo ouvindo também", diz Ferrguem.

O cantor afirma ainda que está tão imerso nesse universo musical que não para de ouvir rap em casa. "Eu escuto muito rap. Mas é tanto que chega a irritar até em casa. Porque eu só escuto isso. Nem as crianças conseguem mais ouvir."

Desde o ano passado, Ferrugem é casado com a blogueira Thais Vasconcelos, com quem tem duas filhas, Sofia e Aurora. Ele também é pai de uma menina, Júlia, de seu casamento com Juliana Barbosa, que morreu há quatro anos por complicações decorrentes de cirurgias plásticas.

Apesar da forte presença do rap em seu momento atual de vida, Ferrugem afirma que o samba segue presente. "Samba é de lei. Fundo de Quintal para sempre. É uma eterna escola que a gente vai bebendo dessa fonte. E é uma fonte de um vinho bom, porque quanto mais tempo passa, melhor fica."

Em seu mais recente projeto -o ao vivo "Chão de Estrelas"-, o cantor ressalta a importância das parcerias e diz que chama para participar aqueles artistas cujas músicas o agradam. "A música, para quem é músico, vai muito além de um trabalho. Todo mundo que participou comigo dos meus trabalhos mais recentes são pessoas que curtem o meu som. E eu também tenho uma recíproca, porque curto o som de todos eles."

"E a gente resolveu juntar e agradar o público com essa mescla: Zé Neto e Cristiano, Léo Santana, Ivete Sangalo e toda essa galera que participou com a gente", completa.

Por ser bem eclético, Ferrugem foi chamado para participar da 64ª edição do Festival do Peão de Boiadeiros de Barretos, que começou na última quinta (15) e se estende até o próximo domingo (25). O pagodeiro tocou no palco principal na noite de abertura do evento e, antes do show, disse estar muito nervoso. 

"Nervosinho não. Nervosaço. Não por ser um palco sertanejo, mas pela magnitude que é o festival de Barretos. Temos passado por outros rodeios que são genuinamente sertanejos e as pessoas estão nos recebendo bem. O maior frio na barriga é de ansiedade, de subir logo no palco e de encarar a galera", disse o músico. 

O cantor afirmou ainda que estava muito feliz em participar do evento, principalmente "porque fortalece nosso segmento e o recoloca no lugar de onde nunca deveria ter saído".

Sobre "Chão de Estrelas", o músico afirmou que esse trabalho estava "sendo realizador porque gera um medo de você gravar um novo trabalho". "É convencer o público novamente que seu som é bacana e que eles devem consumi-lo. E isso demora um pouquinho para acontecer, mas graças a Deus, assim como no primeiro DVD, o segundo está tendo uma resposta bem rápida.",

Ferrugem está há mais de dez anos em atividade, mas a fama mesmo aconteceu apenas depois da gravação de "Atrasadinha", com Felipe Araújo, no final do ano passado. Com o sucesso, o músico também passou a ter as suas ações amplificadas pela mídia, como abandonar um show após ser atingido no rosto com um copo arremessado pelo público ou por ter pisado no braço de um fã no palco. 

"Gosto muito de ser famoso, porque isso ajuda no trabalho. Você consegue reunir um número maior de pessoas e de opiniões diversas sobre o seu trabalho. E isso lhe dá um norte para a sua carreira. Esse é o lado positivo da fama. Poder me aproximar mais das pessoas, e saber o que elas querem de mim, o que elas buscam através do meu som, que assim vou tentando acertar para um dia chegar aos 100%."

"Já o lado ruim da fama não existe. Só existe lado ruim para quem faz besteiras", completa o músico. .