Um dia antes de morrer, Fernanda Young escreveu: "Estou longe de encerrar a minha jornada"

Fernanda Young. Foto: reprodução/Instagram/fernandayoung

Conhecida por seus textos de humor, Fernanda Young também tinha a língua afiada para tratar de assuntos sérios. A escritora, roteirista, atriz e apresentadora, que morreu na madrugada deste domingo (25), aos 49 anos, após uma aguda crise de asma seguida por uma parada cardíaca, deixou uma publicação recente em seu perfil no Instagram em que dava a entender que sua obra ainda colocaria o dedo na ferida em relação ao atual momento político do país.

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“As pessoas me acham maluca, mas estou observando tudo - de dentro e de fora. Pensam que não percebo as suas falcatruas, mas ser gentil não significa ser otária! Trabalho feito uma vaca, pago essas merdas desses impostos, não vejo uso para eles, escuto que mamo em tetas do governo; divirto as pessoas, ofereço poesia, e lido com ignorâncias proferidas por um bando de escroto que mete Deus nos seus discursos hipócritas. Deito e levanto cansada porque nunca peguei um centavo de ninguém e tudo o que tenho é fruto de TRABALHO. Não herdei, não ganhei, nem sou sustentada!”, escreveu Fernanda, no post escrito um dia antes de sua morte.

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Seu olhar atento para a vida, seu horror à mediocridade e seu senso de justiça foram características destacadas por amigos do meio artístico que foram se despedir de Fernanda, que foi enterrada nesta tarde, no cemitério de Congonhas, em São Paulo. Seu discurso na publicação deixa à mostra sua personalidade.

“Tenho quatro filhos que estão aprendendo a serem éticos e livres. E o que ouço? É louca! O que vejo? A nossa cultura material e imaterial, a nossa língua, a nossa fauna, flora, sendo esganiçada, sacaneada, por ogros maléficos. Estamos virando uma gente porcaria, afinal, ‘piorar é mais fácil’! E fica tão claro o oportunismo das ratazanas sorrateiras, que veem na ‘loucura do criador’, achando-nos dispersos, irresponsáveis, ricos, nesgas para sermos passados para trás! Comigo, não! Não! Sei reconhecer um lápis meu em meio a um milhão! Não estive ‘calada nos últimos 14 anos’, não aceito desaforo!”, continuou.

Ela finalizou o texto, ilustrado com uma foto de sua filha Estela, prometendo que continuaria criando, como fez em seus muitos anos de carreira como autora de livros, roteirista de séries, filmes, peças, colunista de jornais, atriz, comunicadora.

“Sou uma mulher de 50 anos que sonhou alto e realizou muito. E estou longe de encerrar a minha jornada nessa orbe! Aos que se interessam: bom proveito. Para os outros: estou pouco me lixando! (Texto escrito no ônibus. Ganho para escrever. Aqui ofereço de graça e com erros. ‘Flagra’ de @e.mym que postou a foto com uma legenda muito mais sábia.)”, disse.

Como afirmou a atriz Marisa Orth, durante o velório, “autora não morre, os textos dela estão todos aí. É uma mulher que deve ser louvada”.