Fernanda Lima come placenta após parto; prática tem benefícios e é segura?

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Fernanda Lima come placenta após nascimento da filha, Maria. Foto: reprodução/GNT
Fernanda Lima come placenta após nascimento da filha, Maria. Foto: reprodução/GNT

Na última quarta-feira (13), Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert exibiram um vídeo no programa 'Bem Juntinhos', do canal GNT, no qual aparecem comendo a placenta de sua filha, logo após o parto. A garota nasceu em outubro de 2019, mas só agora os apresentadores divulgaram as imagens.

A prática não não é exclusiva da brasileira e outras famosas como as irmãs Kardashain e a atriz Hilary Duff também já disseram que aderiram à experiência no passado.

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Conhecido como placentofagia, o ato de comer placenta já é antigo nos Estados Unidos e alguns especialistas americanos garantem que, ao ingeri-la, ocorre uma melhora no estresse após dar à luz, além de evitar uma depressão pós parto.

Aqui no Brasil, a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia Obstetrícia) desencoraja a ação e ainda reforça que não existem estudos científicos que comprovem os benefícios da ingestão do órgão.

“A placenta tem uma função, que é permitir as trocas de nutrientes entre a mãe e o bebê”, ressalta Carolina Curci, ginecologista e obstetra, com especialização pelo Instituto Gera.

A especialista reforça que a divulgação do método pode gerar ainda mais comparações entre as mulheres durante a maternidade e chega a ser perigoso.

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Rita Gessia, ginecologista e obstetra, com especialização em da saúde da mulher pela Unifesp,reforça que comer a placenta não ajudará em nada na depressão pós-parto e os sintomas têm a ver com diversos fatores. “Não existe uma relação direta com a ingestão da placenta. Deve ser levado em consideração tudo que envolve a rede de apoio daquela mãe, os antecedentes, queda hormonal”, afirma.

Prática eleva risco de doenças

As especialistas reforçam que comer a placenta pode ainda contribuir para o surgimento de doenças infecciosas como hepatites e até toxoplasmose. Nesta última, ocorre, principalmente, devido ao órgão estar cru. “Não é uma prática inofensiva, traz riscos”, alerta Curci.

Por estar em contato com sangue, pode ainda contribuir para doenças bacterianas e contaminações no ambiente hospitalar.

Caso a paciente queira uma linha de parto mais humanizada , é possível recorrer a outros métodos, que são mais seguros e higiênicos. “Já tive mães que quiseram se despedir e enterraram o placenta. É diferente e não oferece riscos à saúde”, reforça a ginecologista.

Comer placenta é só para animais

Gessia reforça que os únicos seres que devem comer o órgão são os animais. "É muito comum depois do parto ingerir a placenta, ainda quando os bebês estão em volta da mãe".

Mas isso ocorre de forma natural e se aplica somente ao reino animal, de acordo com a especialista.

A ginecologista alerta que o intuito tem mais a ver com o modismo, do que, de fato, benefícios para a saúde da mãe ou da criança. “Criaram tudo já. Xampus, cápsulas de placenta e outros produtos ditos naturais. Mas não existe nada que garanta os efeitos benéficos desse órgão”, finaliza.