'Feras', nova série da MTV, aborda relacionamentos na era do feminismo e aplicativos

Camila Márdila e João Vitor Silva em cena de ‘Feras’ (Imagem: divulgação MTV)

Depois de um namoro de oito anos, Ciro (João Vitor Silva) toma um pé na bunda e se vê solteiro novamente. Não demora para ele perceber na própria pele que as regras do jogo da solteirice mudaram bastante: além dos aplicativos para conhecer pessoas, as mulheres de sua idade não aceitam simplesmente qualquer tipo de abordagem. Este processo de readaptação é o mote de ‘Feras’, nova série que a MTV estreia na próxima segunda-feira, dia 21, às 22h.

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Para ajudá-lo a navegar por este admirável mundo novo, o protagonista conta com a ajuda de sua amiga Mari Maia (Camila Márdila, nome mais conhecido do elenco, vista como a Jéssica de ‘Que Horas Ela Volta?’).

“Ela se presta a ser didática com o Ciro”, define a atriz, em entrevista exclusiva ao Yahoo!. “Eu penso a Mari como uma mulher bem empoderada das questões feministas num relacionamento. Ela tem muito claro os limites, e tende a recolocar as coisas tirando-as do status ‘normal’ e questionar se aquilo contempla ou não um pensamento mais complexo invés do patriarcal.”

Para Márdila, ‘Feras’ é a chance de falar sobre algo que ainda não é tão tratado com profundidade na TV daqui. “A maneira que a série foi escrita já faz dela algo inovador e necessário para a dramaturgia brasileira”, celebra. “Eu acho que a gente ainda fala muito pouco sobre essa faixa etária, dos 20 aos 30 anos, essa fase em que você é meio jovem, mas já é adulto, é responsável pelo seu discurso, por aquilo que faz e pelo que deixa de fazer”.

Entre os assuntos da série, escrita por por Felipe Sant’angelo e Teodoro Poppovic, está a crise do masculino diante do novo posicionamento das mulheres. “Nos últimos anos a gente tem compartilhado um novo vocabulário de ideias, de termos e de observações nas questões de gênero”, reflete a atriz. “E isso de fato coloca em xeque muitas atitudes naturalizadas e incorporadas no nosso dia a dia, que vêm de uma herança do patriarcado.”

“A série reflete, da parte dos criadores, uma busca por um diálogo e uma compreensão de iguais, um lugar ideal que seria de mulheres e homens com suas escolhas tendo a mesma possibilidade de estar no mundo”, complementa.

“Pontes de comunicação e força”

O que Ciro e a própria Mari Maia vão poder experimentar ao longo dos treze episódios da primeira temporada é que, na busca pelo ideal romântico do amor e um pensamento mais livre, nem sempre a conta fecha. “Ou a gente é muito romântico e tenta enquadrar as coisas no nosso ideal imaginado, ou às vezes a gente pode correr muito atrás do que parece ser legal no sentido dos rótulos, tipo ‘monogamia já era, então agora é poliamor’, e às vezes aquilo não é para você”, pondera Márdila. “A gente tá sempre buscando alguma coisa que nos complete de alguma forma. E isso pode estar em lugares diferentes, em momentos diferentes. Por isso não existe uma resposta final.”

‘Feras’ pode fazer o público que se identifique com essas questões perceba que a confusão é às vezes normal, principalmente num mundo onde tudo é questionado a todo momento. “Há um movimento do mundo que faz com que as pessoas se sintam muito sozinhas. Porque de fato as pessoas estão muito sozinhas”, afirma. “As artes e a cultura têm esse papel de gerar pontes de comunicação e força”.