Feira do Livro no Pacaembu quer abrir São Paulo à literatura de grandes autores

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Parece que a feira já existia e nós só colocamos as tendas", diz o arquiteto Álvaro Razuk, impressionado com a imediata aceitação da Feira do Livro, que terá sua primeira edição nesta semana no Pacaembu.

O evento, de nome genérico e amplo de propósito, montará mesas com grandes autores e estandes de dezenas de editoras de quarta-feira a domingo na praça Charles Miller, com direção artística de Razuk e curadoria de Paulo Werneck, presidente da Associação Quatro Cinco Um, que publica a revista de mesmo nome.

"Eu sempre me perguntei por que não tinha algo assim em São Paulo", afirma o jornalista, ressaltando a confluência de fatores que colaboraram para a feira. "O espaço parece feito para isso, e muitas pessoas no mercado editorial queriam montar algo assim diante de um desgaste das feiras universitárias, que são fortes comercialmente, mas menos em termos de experiência do público."

Assim como os balcões que se organizam todo ano para vender livros com desconto na Universidade de São Paulo, por exemplo, e ao contrário de eventos como a Flip e a Bienal do Livro, a feira no Pacaembu será aberta e gratuita.

"Queremos que as pessoas comprem livros, acima de tudo, então a ideia é desonerar ao máximo o resto", afirma Werneck, que conseguiu pôr o evento de pé com a locação paga de 63 estandes para editoras e livrarias, além de parcerias com entidades. A Embaixada da França, por exemplo, topou bancar a vinda do cientista Bill François, de "Eloquência da Sardinha", para uma das mesas.

Os esforços da feira são voltados a servir como uma "caixa de ressonância" para os livros, nas palavras do idealizador do evento, já que por trás de cada um deles há o trabalho de diversos profissionais e, não raro, investimento público. Quanto mais repercussão o produto final tiver, melhor, seguindo uma lógica tanto cultural quanto econômica.

A estratégia para atrair leitores e leitoras ao espaço é proporcionar encontros ao vivo com nomes de peso como Ailton Krenak, Mia Couto, Carla Madeira, Djamila Ribeiro e Drauzio Varella —os dois últimos são colunistas deste jornal e o médico integra uma mesa realizada em parceria com o jornal Folha de S.Paulo, que terá um estande na feira.

"Mais que elaborar uma curadoria conceitual, buscamos uma certa simplicidade para esta primeira edição, percebendo que havia ainda uma forte demanda por encontros de carne e osso com grandes escritores em público", aponta Werneck.

Curador da Festa Literária Internacional de Paraty de 2014 a 2016, ele lembra a sensação de que havia até excesso de público no festival litorâneo —que volta a acontecer presencialmente em novembro—, o que fica ainda mais pronunciado numa cidade como São Paulo.

Daí a decisão de transformar a ausência de catracas numa espécie de identidade. "É uma atitude importante devolver o espaço público para o pedestre", afirma Razuk, que se especializa em arquitetura de exposições e já projetou bienais de arte e o pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza.

A praça em frente ao estádio do Pacaembu, segundo ele, é o recinto arquitetônico ideal para "construir uma cidadela", já que fica longe da circulação de carros e, ao mesmo tempo, é acessível a pé.

Num momento em que os paulistanos têm fresca na memória uma Virada Cultural particularmente violenta no centro da cidade, Razuk sublinha que haverá segurança e que os eventos têm naturezas e horários diferentes. Mas considera um "risco que vale a pena correr". "Se vierem pessoas que são estranhas a esse meio literário, vou achar muito bacana."

A ideia é mesmo atrair, por exemplo, público que transite ali por acaso no caminho para o show de Zezé Di Camargo e Luciano que acontece no domingo no estádio. Ou moradores dos entornos no trajeto para comprar legumes na feira livre. Quem sabe todos não voltam para casa com um livro na mão.

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VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

QUARTA, 8 DE JUNHO

17h

Zap! Slam

Núcleo Bartolomeu de Depoimentos com Roberta Estrela D'Alva

19h

Os Livros em Praça Pública

Mia Couto e Lilia Schwarcz

QUINTA, 9 DE JUNHO

10h

Lugares de Origem

Ailton Krenak e Yussef Campos

12h

Patricia Melo

15h

Desigualdades

Pedro H. G. Ferreira de Souza, Laura Carvalho e Armínio Fraga

15h

Era Uma Vez na América

Eduardo Neves

17h

Crime e Castigo

Rafael Mafei, Flora Thomson DeVeaux e Juliana Borges

17h

Pandemias

Fernando Reinach

19h

Tudo É Rio

Carla Madeira

19h

Otto, 100

Matinas Suzuki Jr. e Augusto Massi

SEXTA, 10 DE JUNHO

10h

Gibis na Praça

Marcelo D'Salete e André Kitagawa

12h

O Corpo e a Palavra

Miriam Alves e Leda Maria Martins

12h

Desigualdades

Pedro H. G. Ferreira de Souza, Vinicius Torres Freire e Marta Arretche

15h

Três Poetas

Stephanie Borges, Flavia Rocha e Mariana Paz

15h

Cartas ao Morcego

Nurit Bensusan

17h

Tempo Quente

Giovana Girardi

17h

Nação Angola

Janaína de Figueiredo e Wagner Gonçalves

19h

Prêmio Marielle Franco

Rosane Borges, Rafael Valim e Carol Trevisan

19h

Cartas para Minha Avó

Djamila Ribeiro

SÁBADO, 11 DE JUNHO

10h

As Cidades e as Coisas

Preta Ferreira

12h

Essas Damas Batem Bué

Yara Nakahanda Monteiro e Mariana Salomão Carrara

13h45

Drauzio Varella, com mediação de Cláudia Collucci em parceria com a Folha

15h

Mário para Entendidos

Eliane Robert Moraes e Alexandre Rabelo

15h30

A Justiça no Brasil

Walfrido Warde, Fabiana Rodrigues e Raquel Pimenta

17h

A Eloquência da Sardinha

Bill François e Rodrigo Leão de Moura

17h15

Na Trilha de Darwin

Sofia Nestrovski, Leda Cartum e Pedro Paulo Pimenta

19h

Uma Noite em Porto Alegre

Jeferson Tenório e José Falero

DOMINGO, 12 DE JUNHO

10h

Poesia e Política

Edson Lopes Cardoso e Oswaldo de Camargo

12h

A Falta

Xico Sá

15h

Leituras, Costuras

María Dueñas

15h

Diante do Fascismo

Paulo Roberto Pires, Rodrigo Nunes e Luciana Villas Bôas

17h

Climão de Amor

Renato Noguera, Maria Homem e Letrux

17h

Do Sonho ao Mito

Sidarta Ribeiro e Hanna Limulja

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