Fãs dão último adeus a Gal Costa em SP: "Como perder alguém da família"

Gal Costa e fã com homenagem em velório. Foto: Mauricio Santana/Getty Images/Leo Franco/AgNews
Gal Costa e fã com homenagem em velório. Foto: Mauricio Santana/Getty Images/Leo Franco/AgNews

Resumo da notícia:

  • Velório de Gal Costa acontece na manhã desta sexta-feira (11)

  • Cantora morreu na última quarta-feira (09), aos 77 anos de idade

  • Fãs dão último adeus a artista com homenagens

Dois dias após a grande perda, o velório da cantora Gal Costa acontece na manhã desta sexta (11), na Assembleia Legislativa de São Paulo, localizado no bairro da Moema, em São Paulo. Aberta ao público, a cerimônia é a chance dos fãs darem o último adeus ao ícone da MPB. O enterro será fechado para familiares e amigos próximos.

Fã de Gal há décadas, o baiano Antonio da Paz, de 66 anos, fez questão de comparecer ao local para homenagear a cantora que nos deixou na última quarta-feira (09), aos 77 anos de idade. "Desde o sul da Bahia que eu venho acompanhando o trabalho dela. Ela é o tamanho do Brasil. A Gal é a cara do Brasil mesmo", conta ao Yahoo com cartazes em mãos.

Questionado sobre o momento mais marcante com a cantora, Antonio cita um grande show em Itabuna, na Bahia, nos anos 1980, quando ainda morava no estado nordestino e vivia a juventude.

Antonio da Paz, de blusa do Brasil, com cartaz de Gal Costa em velório. Foto: Ethieny Karen/Yahoo Brasil
Antonio da Paz, de blusa do Brasil, com cartaz de Gal Costa em velório. Foto: Ethieny Karen/Yahoo Brasil

"É como perder alguém da família. O artista transmite a alegria. A gente está triste, ouve uma música e fica feliz. A música popular brasileira transmite essa alegria para nós e a Gal faz parte disso. Fica um vazio grande tanto para mim, quanto para o povo brasileiro", reflete.

Fã Antonio da Paz em velório de Gal Costa. Foto: Amauri Nehn/Brazil News
Fã Antonio da Paz em velório de Gal Costa. Foto: Amauri Nehn/Brazil News

A fotógrafa Riziane Otone, de 45 anos, marcou presença por volta de 8h30, com uma camiseta estampada com uma foto de Gal. Fã desde a adolescência, ela recorda ao Yahoo de um show marcante no Recanto, em São Paulo.

"Ela estava completamente sem voz, cantou a primeira música, a segunda música e a voz não veio. Caetano estava na plateia, ela olhou desesperada e ele só balançou a cabeça positivamente para continuar. Na terceira música, a voz veio, mas veio de uma forma, que, quando acabou a música, todo mundo levantou, aclamou e ela até chorou de emoção" "Aquele foi o momento tipo: 'Essa é a Gal que não se deixa abater'".

Assim como Antonio, a fotógrafa também compara o sentimento de perda como se fosse algum familiar próximo. "Ficou um buraco. Ainda não consegui mensurar essa perda. Está sendo muito difícil", completa.

Filho de Gal Costa, Gabriel, e a viúva, Wilma Petrillo, em velório. Foto: Ethieny Karen/Yahoo Brasil
Filho de Gal Costa, Gabriel, e a viúva, Wilma Petrillo, em velório. Foto: Ethieny Karen/Yahoo Brasil
Coroas de flores enviadas por amigos famosos. Foto: Ethieny Karen/Yahoo Brasil
Coroas de flores enviadas por amigos famosos. Foto: Ethieny Karen/Yahoo Brasil

Quem foi Gal Costa?

Nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos em Salvador, na Bahia, em 1945, Gal Costa sempre foi incentivada pela mãe a seguir carreira na música. Já o pai, morto em sua adolescência, foi uma figura ausente.

No começo da vida adulta, ela trabalhou como balconista de uma loja de discos na capital baiana, a Roni Discos, uma das principais da cidade. No início dos anos 1960, foi apresentada a Caetano Veloso, encontro a partir do qual foi criado um vínculo pessoal a artístico que perduraria até sua morte.

Gal foi uma revolução das vozes e dos costumes na música brasileira desde seu surgimento na cena nacional, nessa mesma década.

Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)
Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)

Aproximou-se ainda adolescente aos também baianos Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, com quem integraria o grupo conhecido como "Doces Bárbaros", responsável mais tarde por um disco definidor da década de 1970.

Tinha ainda pouco mais de 20 anos quando participou do álbum "Tropicália ou Panis et Circencis", pedra fundamental do movimento tropicalista. Logo depois, em 1971, fez um dos espetáculos de maior repercussão da história da MPB, "Fa-Tal", que viraria também um álbum cultuado.

Em 1977, o LP "Caras e bocas", que incluiu a canção "Tigresa", do cantor Caetano Veloso, marcou sua carreira pelas excelentes críticas. Em 1980, ganhou seu terceiro Disco de Ouro, com o LP "Aquarela do Brasil", no qual gravou somente músicas de Ary Barroso.

A partir da segunda metade dos anos 1990, Gal Costa passou a reler suas antigas gravações e sua voz foi se tornando cada vez mais popular por canções como "Modinha para Gabriela", sucesso estrondoso de Dorival Caymmi que abria a novela da Globo inspirada em Jorge Amado, e por hits reunidos no álbum "Água Viva", de 1978, como "Folhetim", de Chico Buarque, e "Paula e Bebeto", de Milton Nascimento e Caetano.

Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)
Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)

Foi nesta fase que a cantora se incorporou mais ao mainstream das grandes redes e rádios, começando a se descolar da imagem de ícone da subversão tropicalista. A parceria com Caetano nunca esmoreceu, mas Gal passou a tirar seus hits de compositores de correntes diversas, como Chico — "A História de Lily Braun", "Futuros Amantes"— , Djavan, de "Azul" e "Nuvem Negra", e Moraes Moreira, de "Festa do Interior".

Nos últimos anos, a cantora quebrou um jejum que usara para se dedicar à família para lançar álbuns elogiados como "Recanto", de 2012, a homenagem a Lupicínio Rodrigues, uma de suas grandes influências, em 2014, e "Estratosférica", de 2016.

Mais recentemente ela vinha se unindo a vozes em ascensão como maneira de redescobrir sua música e prestar homenagem às novas gerações. Gravou o sucesso "Cuidando de Longe" com a sertaneja Marília Mendonça, morta há um ano, e o álbum "Nenhuma Dor", em que cantava alguns dos maiores sucessos de sua vida ao lado de nomes com Tim Bernardes, Seu Jorge, Criolo e Jorge Drexler.

*Ccom informações de Ethieny Karen e das agências Folhapress, O Globo e BBC Brasil.